Política
Distor��o escolar avan�a em Alagoas
| FÁTIMA ALMEIDA Repórter A distorção entre a idade e a série cursada por 57,8% dos alunos da rede pública no Estado de Alagoas é um dos principais problemas da educação, reforçando outros mais conhecidos, como as altas taxas de repetência e evasão escolar. Dados apresentados ontem, pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteal), num debate sobre Direito à Educação - Acessibilidade e Permanência, mostram que a média de distorção escolar cresce gradativamente, chegando a 55,4% na 4ª série do ensino fundamental. A média de distorção entre a 1ª e a 4ª série é de 43,9%, e chega a 71,7% entre a 5ª e 8ª série do ensino fundamental. Os dados têm como base o último Censo do IBGE (2000), que aponta um índice de analfabetismo de 32,8% entre a população acima de 15 anos (o dobro da taxa nacional, que é de 13,3%) e uma taxa de 50,2% de analfabetismo funcional. ?São índices preocupantes, que mostram, claramente, que o problema não está apenas na acessibilidade à escola, mas também na permanência do aluno?, observa Lenilda Lima, diretora do Sinteal e vice-presidente da CUT-AL. Ela destaca como contribuição a esse quadro o fato de a rede pública ter sido degradada durante muito tempo e sofrer reflexos dessa situação até hoje. ?Ainda convivemos com problemas muito sérios, como a carência de professores. Muitos estudantes concluem ciclos escolares sem professores de algumas disciplinas?, diz ela, acrescentando, ainda, no rol de problemas, a não garantia de educação infantil na rede pública e a grande evasão escolar registrada, principalmente, nos cursos noturnos. A saída para esses problemas, na avaliação do sindicato, está numa campanha em favor da Educação, centrada no financiamento, com ações a serem implementadas nos âmbitos municipal, estadual e nacional. O primeiro passo, segundo Lenilda Lima, é exigir do governo federal a revogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), que permite o remanejamento de 20% dos recursos da Educação para projetos e obras de emergência. ?Só aí, nós perdemos cerca de R$ 4 bilhões ao ano, que deveriam ser aplicados na Educação?, diz Lenilda. Outros pontos são a campanha pela conversão do pagamento dos juros da dívida externa para a Educação, o que, segundo a dirigente sindical, representaria mais R$ 18 bilhões ao ano; a derrubada dos vetos do Plano Nacional de Educação, feitos no governo FHC, que garantiriam a aplicação de 7% do PIB (hoje são aplicados 4,5%); e o Fundo Nacional de Educação Básica (Fundeb). No âmbito estadual, uma das principais bandeiras é a aplicação correta dos 25% da Educação. Segundo Lenilda, hoje esses recursos, que deveriam ser apenas para manutenção e desenvolvimento do ensino na educação básica, vão também para o nível superior e incluem o pagamento dos aposentados.