Política
MORADORES REMANESCENTES CONVIVEM COM ISOLAMENTO E MEDO
Moradores que ainda habitam locais próximos às áreas afetadas pela mineração dizem viver assustados
Os recentes abalos sísmicos nos bairros afetados pela mineração de sal-gema foram de pequena intensidade e sem a força para produzir danos, mas o suficiente para que as pessoas que ainda residem nas proximidades tenham percebido vibrações nos imóveis e com objetos balançando dentro das casas e apartamentos ainda ocupados.
Foram muitos os relatos de pessoas que ainda moram na região próxima das minas sobre os tremores registrados nos últimos dias. Do último domingo (26) até essa terça-feira (28), cinco sismos ocorreram, segundo o monitoramento feito pela Braskem e pela Defesa Civil.
De acordo com órgão municipal, dois abalos sísmicos – um às 11h58 com magnitude local de 1,1, e outro às 13h44 com magnitude de 1,3 – causaram danos aparentes nas minas existentes nas redondezas, principalmente na 18, em frente ao antigo campo do CSA
Moradores do Condomínio Residencial Morada das Árvores, no bairro do Pinheiro, disseram que lustres balançaram e as portas dos armários se abriram. “Foram momentos assustadores, parecia um filme de terror”, disse uma moradora que preferiu não se identificar.
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Carlos Pedrosa, síndico do residencial, confirmou ter havido relatos de condôminos que sentiram os eventos sismológicos, causando grandes sustos.
“Tivemos um relato de um morador, já na manhã de domingo para segunda-feira. Mais tarde, novos relatos de moradores chegaram, por volta das 15h50. De imediato nós procuramos a Defesa Civil e eles informaram que não havia registro de qualquer evento. Hoje pela manhã, mais pessoas relataram tremores, dessa vez muitos moradores sentiram vibrações e nos procuraram”, relatou.
No Flexal de Baixo, área que apresenta sintomas semelhantes aos das localidades que já foram desocupadas nos bairros diretamente atingidos pelos problemas geológicos, os moradores argumentam que a Braskem não tem reconhecido a gravidade da situação e os riscos dos moradores que vivem no local quanto ao pagamento de indenizações para desocupação imediata dos imóveis e a adoção de medidas que possam mitigar os riscos.
“Eu moro no Flexal de Baixo e todos os dias nós sentimos pequenos tremores na região. Os relatos dos vizinhos são muitos. Rachaduras, objetos dentro das casas balançando. Nós estamos em risco”, afirma Maurício Sarmento.
A professora Lenir Soares, também moradora do Condomínio Morada dos Palmares, afirma que passou o dia todo mal por ter vivido essa experiência. “Nunca vi algo igual. A sensação é terrível”, declarou.