Política
Sem-terra ocupam as ruas de Macei�
PETRÔNIO VIANA Repórter A direção da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Alagoas, em conjunto com o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), realizam a partir das 9h de hoje um ato público em solidariedade aos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), presos pela Polícia Federal (PF) na última terça-feira. Os dirigentes José Roberto da Silva, José Carlos da Silva, Hercílio Leandro, Vânia Silva e Maria do Ó dos Santos continuam detidos nos presídios Cirydião Durval e Santa Luzia. Na tarde de ontem, cerca de 1.200 sem-terra estavam acampados nas imediações do Complexo Penitenciário, Tabuleiro do Martins, um número vinte vezes maior do que o registrado na quarta-feira. Os trabalhadores rurais sem-terra vão percorrer as ruas do Centro de Maceió, a partir da Praça Sinimbu, em direção à sede da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB-AL), onde uma comissão será recebida pelo presidente da entidade, o advogado Marcos Mello. De acordo com a direção da CPT, a mobilização está sendo organizada por estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), sindicalistas e religiosos, além dos trabalhadores. A estimativa é de que aproximadamente duas mil pessoas participem do ato público. O objetivo da mobilização é protestar contra ?o avanço do processo de criminalização dos movimentos de luta pela terra? que, segundo a CPT, estaria sendo ?promovido por setores do Poder Judiciário, com o apoio do governo federal?. Os dirigentes do MST no Estado, Débora Silva e José Alan, informaram que o Movimento não está envolvido na organização do ato público de hoje, mas que irá participar. Eles confirmaram a chegada, na manhã de hoje, de um número ainda incerto de trabalhadores sem-terra de acampamentos do interior do Estado. ?O pessoal que já está em Maceió veio de acampamentos próximos. Amanhã [hoje] devem chegar os companheiros de acampamentos mais distantes?, contou José Alan. Os dirigentes reclamam da acusação feita pelo juiz federal André Carvalho Monteiro, entre os delitos supostamente cometidos pelos coordenadores presos, do crime de formação de quadrilha. A alegação é de que o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) já teria se pronunciado sobre esse tipo de alegação contra integrantes dos movimentos do campo e suas lideranças. ?O STJ já decidiu não criminalizar os movimentos de trabalhadores rurais. Então, por que estão acusando os companheiros de formação de quadrilha? Movimento não é quadrilha?, disseram os dirigentes. Por enquanto, não existe nada programado para depois da mobilização, além da viagem de cerca de 300 militantes para Goiânia, adiada em função do ato público. Os integrantes do MST vão participar da marcha nacional promovida pelo Movimento até Brasília. O advogado das lideranças do MST, Daniel Nunes, revelou que deverá entrar com o pedido de habeas corpus ainda nesta semana, mas existe a possibilidade de a medida ser adiada. ?Nós ainda estamos discutindo o procedimento a ser adotado. Talvez amanhã [hoje] o pedido seja encaminhado, mas também podemos fazer o requerimento durante o fim de semana?, explicou Nunes. O advogado esteve nos presídios Cirydião Durval e Santa Luzia e contou que os dirigentes estão tranqüilos e confiantes de que serão libertados em breve. ?Eles estão presos, mas demonstram bom-humor. Eles se apóiam muito na causa que defendem?, descreveu. A assessoria de comunicação do Instituto de Colonização e Reforma Agrária de Alagoas (Incra-AL) informou que o órgão não havia colocado em prática, até o início da noite de ontem, nenhuma medida para evitar surpresas decorrentes da manifestação. Na manhã de terça-feira, ao ser informada de que trabalhadores rurais ligados ao MST estariam agrupados na praça Marechal Deodoro, no Centro, a diretoria do órgão determinou a evacuação das salas do órgão no prédio do Walmap, na Rua do Livramento. O aviso foi considerado ?alarme falso? e os trabalhos foram retomados logo em seguida. O Incra aguarda a chegada do ouvidor agrário Gercino Silva, sem data confirmada. Ele voltará a Maceió para acompanhar o desenrolar dos acontecimentos. Uma nota oficial será divulgada hoje para esclarecer o posicionamento do órgão sobre as prisões dos líderes sem-terra.