Política
Governo empossa Corintho no Ideral
ODILON RIOS PETRÔNIO VIANA Repórteres A posse do novo diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural e Abastecimento de Alagoas (Ideral) ocorreu praticamente em clima de mistério e só foi conhecida cerca de três horas antes de Corintho Campelo da Paz assumir o cargo. Durante a manhã, a posse estava prevista para ser realizada na sede da nova Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa), que está sendo construída na Forene, mas acabou sendo desmarcada; logo depois, o local escolhido foi o Ideral, na Levada, mas, no final, ficou definido que seria no Palácio Floriano Peixoto. A indefinição em torno do local, segundo fontes ouvidas pela Gazeta, tinha uma explicação: o episódio envolvendo a escolha de Campelo para a Gás de Alagoas S.A. (Algás), rejeitado pelo setor produtivo do Estado. Para evitar atropelos nas negociações, o governador Ronaldo Lessa (PDT) dispensou os assessores e conversou diretamente com o presidente estadual do PDT, Geraldo Sampaio, sobre a entrada de Corintho no Ideral. O veto ao nome do membro pedetista na Algás teria irritado Sampaio. A escolha do Ideral foi política. O órgão era administrado por Arthur Emílio Bernardes Lins da Silva - uma pessoa do governador - que foi remanejado para a Fundação Alagoana de Promoção Esportiva (Fape). Duas das principais obras tocadas atualmente pelo Ideral em Alagoas são a construção da sede da nova Ceasa, prevista para ser concluída no fim deste ano, e uma fábrica de beneficiamento de grãos, em Arapiraca. A princípio a nova Ceasa estava prevista para ser entregue em agosto, mas a Uchôa Construções, responsável pela obra, adiou o prazo. Serão gastos R$ 8,5 milhões com a nova Ceasa, R$ 1 milhão a menos que o previsto na concepção original do projeto. ?A concepção do projeto foi mudada, por causa dos aspectos operacionais, como problemas no fluxo de veículos?, disse o ex-diretor do Ideral, Arthur Silva. O novo diretor do Ideral informou que somente ontem recebeu a notícia de sua nomeação e, por isso, ainda não tem conhecimento da atual situação financeira e estrutural do instituto. O governador Ronaldo Lessa confirmou que a nomeação teve motivações políticas e faz parte de um projeto político maior, o de organizar o PDT no Estado. Lessa explicou que Arthur Silva vai comandar agora o processo de extinção da Fape que, segundo ele, já está extinta no papel. Lessa e Campelo lamentaram a ausência do presidente do PDT em Alagoas, Geraldo Sampaio. O líder do partido esteve internado durante uma semana no Hospital do Coração, em São Paulo, e retornou a Maceió no dia 21. A família do político informou que o período de recuperação é de 60 dias, mas rumores no Palácio dão conta de que o estado de saúde de Sampaio é grave. Na posse de Campelo, Sampaio foi representado pelo secretário-geral do PDT, Heth Cézar. Em solidariedade ao líder partidário, Lessa declarou que as novas filiações à legenda deverão ser feitas de forma ?fragmentada? e não mais em uma única solenidade. ?Não tem sentido fazer uma festa. O doutor Geraldo está se recuperando, então nós vamos filiar um prefeito em uma semana, um deputado na outra. No dia que o Lupi [Carlos Lupi, presidente nacional do PDT] estiver aqui, talvez a gente possa fazer uma coisa maior, com três ou quatro filiações?, explicou o governador. De acordo com Lessa, a saída de Celso Luiz do PSB não está dividindo a relação de ?filiáveis? ao partido.