Política
Popula��o volta a se articular contra Lix�o
LUIZA BARREIROS Repórter A população de Marechal Deodoro está novamente mobilizada num movimento que pretende impedir a instalação no município do aterro sanitário que substituirá o Lixão de Maceió. Apesar de oficialmente ainda não ter havido nenhuma definição por parte da Prefeitura de Maceió ou do Instituto do Meio Ambiente (IMA) quanto ao local em que será instalado o aterro, os moradores de Marechal estão apreensivos. O motivo é a inclusão de uma área de 172 hectares, localizada no Pólo Cloroquímico de Marechal, que hoje é considerada a favorita entre as quatro apontadas em estudo concluído no ano passado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) como sendo menos impactantes e mais prováveis para abrigar o aterro. As outras três áreas estão localizadas na região norte de Maceió, na localidade de Cachoeira do Meirim, em canaviais próximos ao Conjunto Benedito Bentes. ?Cada município deve cuidar de seu próprio lixo?, protesta o engenheiro agrônomo Newton Gomes, da Associação de Produtores de Coco e um dos organizadores do movimento. Segundo ele, não é justo que um município como Marechal, que produz cerca de 40 toneladas de lixo por dia, seja obrigado a receber mais de mil toneladas diárias de resíduos sólidos vindos de Maceió. ?Queremos cuidar do nosso próprio lixo construindo um aterro em local apropriado e implantando um projeto de coleta seletiva de lixo?, explica. Os integrantes do movimento ?Marechal Deodoro contra o Lixão de Maceió? argumentam que a comunidade deodorense não participou das discussões e das atas das reuniões realizadas pelo Grupo de Estudos de Resíduos Sólidos e Recuperação das Áreas Degradadas (GERSRAD) da Ufal, que elaborou o levantamento, feito por meio de um convênio com a Prefeitura de Maceió. Mas o principal argumento utilizado pela população contra a ida do aterro para Marechal é ambiental. Por se tratar de uma região localizada entre as áreas de proteção ambiental (APA) do Catolé e Santa Rita, dentro do Complexo Lagunar Mundaú-Manguaba, os moradores temem que o consórcio a ser formado entre os municípios da região metropolitana seja ineficiente para administrar o aterro e que, daqui a alguns anos, ele seja transformado em um novo lixão. ?A área selecionada em nosso município fica em um tabuleiro localizado entre as lagoas Mundaú e Manguaba. O nosso temor é de que, a médio e longo prazo, o aterro seja transformado em um lixão e o chorume escorra para as lagoas ou para o lençol freático?, observa Newton Gomes. Para ele, seria mais inteligente tirar os resíduos sólidos da região. ?O que a Prefeitura de Maceió está propondo, se levar o aterro para Marechal, é jogar todos os resíduos sólidos da capital no meio do complexo lagunar?, afirmou. A presidente do Instituto Salsa-de-Praia, Maria Aliete Machado, lembra que o primeiro relatório produzido pela Ufal sobre a destinação do lixo de Maceió (Marechal só aparece em um segundo relatório) é rico em argumentos contrários à instalação do aterro no município vizinho. ?A própria coordenadora do projeto elaborado pela Ufal afirma que as melhores indicações estão em Maceió. Além disso, na época em que as três áreas favoráveis de Maceió foram divulgadas pelo estudo, a superintendente da Slum, Rosa Tenório, chegou a declarar que a área de Marechal foi incluída apenas por ?desencargo de consciência??, lembra Maria Aliete Machado. A mobilização permanente dos moradores conseguiu que, no ano passado, a Câmara Municipal de Marechal aprovasse uma lei municipal que proíbe que resíduos sólidos de outros municípios sejam levados para Marechal Deodoro. A professora da Ufal e também moradora de Marechal, Adélia Oliveira, lembra que os onze vereadores que integravam a Câmara Municipal na época realizaram audiência em praça pública para discutir o assunto com representantes da sociedade civil organizada. ?Foi uma grande vitória da população, que conseguiu tirar do Executivo a decisão final sobre a aceitação do aterro?, lembra. Segundo ela, a população imaginava que após a aprovação da lei, a área fosse descartada como futuro local do aterro sanitário. ?Mas ficamos sabendo que a prefeitura de Maceió continua com a intenção de construir o aterro em nossa cidade?, diz, reforçando a necessidade de mobilização da comunidade. Para reforçar a posição contrária, na terça-feira passada, representantes da sociedade civil organizada e os nove vereadores que atualmente integram a Câmara de Marechal Deodoro divulgaram uma carta aberta à população alagoana, na qual reafirmaram a posição contrária à instalação do aterro no município. Com o apoio dos vereadores ao movimento, a população espera que a intenção de instalar o aterro em Marechal esbarre na Câmara Municipal. Mesmo assim, segundo Adélia Oliveira, os moradores e vereadores da cidade estudam a possibilidade de, caso a instalação do aterro seja confirmada para Marechal, fazerem representações junto ao Ministério Público Federal e Estadual, da mesma forma como ocorreu em Sergipe, onde foi possível demonstrar a ineficiência dos consórcios entre municípios para administrar um aterro sanitário. Debate Durante a campanha, o prefeito Cícero Almeida (PTB) prometeu acabar com o Lixão de Jacarecica, construindo um aterro sanitário. O tema começou a ser discutido com a sociedade em março, quando foi realizada uma audiência pública para discutir o problema. A reunião foi presidida pela vice-prefeita Lourdinha Lyra (PTB), que tratou o problema do Lixão como uma ?herança do passado? que precisa ser enfrentada pela gestão atual. Ela admitiu que o lixo é um dos principais problemas da nova administração. Apesar disso, segundo o atual superintendente da Slum, João Vilela, ainda não há nada definido quanto ao local onde será instalado o aterro. A única definição que temos é que a solução é a execução de um aterro sanitário que obedeça a todos os moldes técnicos?, disse. Ele afirmou que todas as áreas estão sendo levadas em conta, e disse não entender a reação dos moradores de Marechal Deodoro que são contrários à instalação. ?Dentro do Poló Cloroquímico de Marechal, logo em frente à área selecionada no estudo, existe um aterro da (Cinal Companhia Industrial Alagoas) que recebe resíduos vindos de todo o Brasil da classe 1, considerados os mais perigosos, e das classes 2 e 3, domiciliares?, disse. Segundo ele, a maior preocupação da atual gestão é que o aterro seja operado pela iniciativa privada, por meio de consórcio, garantindo a operação correta dos resíduos, da mesma forma que o aterro da Cinal é operado hoje.