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Diretor perde cargo ap�s dedicar show a bombeiro

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LUIZA BARREIROS Repórter O governador Ronaldo Lessa (PDT) exonerou ontem do cargo o diretor do Museu da Imagem e do Som de Alagoas (Misa), José Márcio Passos. A exoneração foi uma represália do governo à atitude de José Márcio, que na última terça-feira, durante a abertura do show do cantor Edson Bezerra, no Teatro Deodoro, leu a carta escrita e divulgada na semana passada pelo capitão do Corpo de Bombeiros Carlos Buriti, na qual foram denunciadas deficiências existentes na corporação. Após a leitura, José Márcio disse ao público que por aquelas palavras o capitão Buriti estava preso e dedicou o show que seria realizado à coragem e dignidade do capitão. ?Foi apenas isso. Elogiei a coragem e a dignidade do capitão, sem fazer qualquer referência ao conteúdo do que ele escreveu?, contou ontem o agora ex-diretor do Misa. José Márcio Passos disse que não conhece o capitão Buriti pessoalmente e que foi surpreendido com a publicação de sua exoneração no Diário Oficial de ontem. ?Não houve nenhuma intenção de desrespeitar ou falar mal do governador. Apenas li o que já havia sido amplamente divulgado e manifestei o meu apoio à coragem e dignidade do oficial?, contou José Márcio Passos, que estava há um ano e sete meses na função e foi criador, entre outros, do projeto Misa Acústico. Apesar disso, ele não se sente arrependido e disse que faria a homenagem ao capitão Buriti outra vez. Antidemocrático O cantor Edson Bezerra lamentou ontem a atitude tomada pelo governador Ronaldo Lessa. ?É lamentável que um governo marcado pelo resgate de personagens históricos, puna alguém que exerceu a cidadania e agiu em defesa de princípios. A exoneração fere o princípio democrático que o governador Ronaldo Lessa diz nortear seu governo?, disse. Para ele, com a exoneração de José Márcio Passos quem perde é a comunidade artística. ?Perdemos um técnico, um produtor cultural e acima de tudo um artista que é um patrimônio da cultura alagoana?, desabafou Edson Bezerra. Na opinião do músico, ao invés de simplesmente exonerar o diretor do Misa, Lessa deveria ter conversado com ele para saber o que realmente ocorreu. ?Não houve nenhuma intenção de atingir o governador. Mas infelizmente Ronaldo Lessa vem demonstrando ter uma dificuldade muito grande para assimilar críticas. Ele prefere reverenciar os patrimônios de nossa cultura depois de mortos?, complementou. ?Ficamos profundamente tristes com tudo o que aconteceu, principalmente por conhecer a trajetória do governador Ronaldo Lessa, que é capaz de ter atitudes nobres como a grande tolerância aos sem-terra, por exemplo, mas acabou nos surpreendendo com a exoneração do José Márcio?, disse. Ontem à tarde, o próprio Edson Bezerra foi alvo de uma retaliação em virtude do que ocorreu em seu show. Ele contou que ao se dirigir à sala do diretor artístico do Teatro Deodoro, Alexandre Holanda, foi chamado de traidor e ouviu de Holanda que ele não mais participaria dos projetos desenvolvidos pelo governo. ?Ele saiu da sala e bateu a porta me deixando sozinho?, contou. O secretário de Comunicação do Estado, Joaldo Cavalcante, informou que Lessa não deu maiores explicações sobre a saída de Passos do Misa. ?Essas mudanças em cargos de baixo escalão são corriqueiras. O Diário Oficial publica todo dia?, disse.

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