Política
C�mara aprova reforma sem debate
ODILON RIOS Repórter Apesar das reclamações da oposição, o projeto da primeira etapa da reforma administrativa da Prefeitura de Maceió foi aprovado ontem na Câmara de Vereadores por 14 votos a 4. Os votos contrários foram dos vereadores Marcos Alves (PSB), Judson Cabral (PT), Diogo Gaia (PT) e Marcelo Malta (PCdoB). Eduardo Canuto (PV) e o pastor João Luiz (PMDB) faltaram à sessão. A reforma extingue pouco mais de uma centena de cargos comissionados e representará uma economia de R$ 2 milhões anuais aos cofres públicos, bem aquém das promessas de campanha de Cícero Almeida (PTB), que prometeu cortar metade das secretarias da gestão da ex-prefeita Kátia Born (PSB) e ?mais de 60% dos cargos comissionados?. O plenário da Câmara, durante a votação da reforma, parecia o horário do recreio de um jardim de infância: a oposição gritava de um lado, o presidente da Câmara de Vereadores, Arnaldo Fontan (PFL), gargalhava do outro, acompanhado em coro pelos vereadores da Mesa Diretora. Até o deputado Gervásio Raimundo (PTB) entrou na brincadeira e sentou com os vereadores da Mesa Diretora. O vereador Galba Novaes (PL) lia o texto da reforma embolando as palavras, arrancado risos da platéia. No final, porém, prevaleceu a cartilha de Almeida: o projeto passou com folga nas comissões e no plenário. Enquanto isso, o oposicionista Judson Cabral (PT) criticava o projeto na tribuna da Casa chamando a aprovação de ?inconseqüente?, votada em ?estilo compressor? e ?sem debate?: ?A meu ver, sai arranhada a imagem do prefeito. Não houve uma reforma que venha mostrar avanços?, disse. De acordo com ele, a reforma ?foi uma fantasia?: ?Anunciaram uma bomba e estourou-se um estalo bebé?, resumiu. Cabral tentou por duas vezes debater o projeto de reforma, mas a equipe de Almeida boicotou as sessões. Outro vereador da oposição, Marcos Alves (PSB), disse que o projeto era um ?engodo? e que havia criado duas supersecretarias para os secretários Elionaldo Magalhães (Planejamento) e Rafael Tenório (Indústria, Comércio e Agricultura). ?Isso foi uma amostra grátis da reforma. Um reboco colocado na parede?, resumiu. Magalhães e Tenório não foram encontrados pela reportagem para comentar as declarações do vereador. O presidente da Câmara, Arnaldo Fontan, classificou as criticas como estratégia da oposição e que tudo estava sendo feito dentro da lei: ?Estou em paz com a minha consciência?, dizia o vereador. Mas a pressa do prefeito em aprovar a reforma no Legislativo acabou prevalecendo. Para que o projeto passasse na Casa, além da maioria dos vereadores, também teria de enfrentar duas sessões, uma delas extraordinária. A primeira sessão acabou aprovando um requerimento do líder governista, vereador José Márcio (PTB), com pedido de uma sessão extraordinária. O pedido foi aceito, a sessão rapidamente encerrada pelo presidente e os trabalhos da extraordinária começaram, gerando novo protesto da oposição que classificou a atitude como ?rolo compressor?. ?São interesses ilegais?, alardeava Cabral. Tudo, porém, acabou favorecendo mesmo a administração de Almeida. A maioria dos 18 vereadores presentes votou a favor do texto, que teria até erros gramaticais, segundo reclamou a oposição. Antes de ir a plenário, o projeto de reforma administrativa passou por três comissões: a de Constituição e Justiça, a de Orçamento e a de Serviços Públicos. Em cada uma, de acordo com o regimento da Casa, ficou sob análise por dois dias.