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Briga de vices, um caso comum em AL

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LUIZA BARREIROS Repórter O rompimento entre o vice e o titular de um cargo executivo, como ocorreu entre a vice-prefeita Lourdinha Lyra (PTB) e o prefeito Cícero Almeida (PTB), não é um caso raro na política alagoana. Muito pelo contrário: é muito mais comum do que se imagina. Só na história mais recente da prefeitura de Maceió romperam publicamente relações políticas e até pessoais, antes de Lourdinha e Almeida, o ex-prefeito Djalma Falcão e o ex-vice-prefeito José Costa (eleitos em 1984) e o ex-prefeito e atual governador Ronaldo Lessa e a ex-vice-prefeita e atual senadora Heloísa Helena (eleitos em 1992). O hoje advogado José Costa lembra que o rompimento com Djalma Falcão aconteceu apenas sete meses após a posse. ?Discordei da forma como ele vinha administrando a cidade e não queria o meu nome ligado a um Titanic?, lembra, comparando a gestão de Falcão ao histórico navio britânico que afundou em 1912. Ao contrário de Lourdinha Lyra ? que anunciou que pretende continuar trabalhando como vice-prefeita, para, segundo ela, fiscalizar a gestão de Cícero Almeida ? na época José Costa preferiu renunciar ao cargo e se empenhar na campanha para deputado federal constituinte, na qual foi eleito. ?Não seria certo continuar recebendo salário para fazer a minha campanha?, justifica. No caso do rompimento entre Ronaldo Lessa e Heloísa Helena, a motivação foi eleitoral. Depois de passar cerca de dois anos governando juntos, Heloísa Helena viu que Lessa não pretendia cumprir um acordo que, segundo ela, teria sido feito em 1992, antes da eleição de ambos. Pelo pacto, se os dois conseguissem ser eleitos, ela seria lançada candidata à prefeita em 1996 pelo mesmo grupo político. Como o grupo de Lessa não dava uma definição, Heloísa rompeu com o prefeito em 1995 e no começo de 1996 o PT decidiu entregar os cargos ocupados por Judson Cabral na Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), Maria José Viana na Secretaria de Educação e Pedro Montenegro da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. No mesmo ano Heloísa Helena conseguiu ser eleita deputada estadual. Dois anos depois disputou a eleição para a prefeitura de Maceió e foi derrotada pelo grupo do governador Ronaldo Lessa, que lançou como candidata a ex-prefeita Kátia Born. MARTÍRIOS No governo do Estado, há o caso do rompimento entre o ex-governador Divaldo Suruagy e o vice José Tavares, eleitos em 1982, e, mais recentemente, entre o governador Ronaldo Lessa e o vice-governador Geraldo Sampaio, no primeiro mandato de Lessa, em 1998. A motivação da briga entre Suruagy e Tavares também foi eleitoral e aconteceu somente depois que o titular renunciou ao mandato, no último ano de governo, para sair candidato a deputado e deixou Tavares no governo. Já a crise entre o vice-governador Geraldo Sampaio e Ronaldo Lessa (PDT) aconteceu apenas cinco meses após a posse, em 1999. O rompimento político entre o PDT de Sampaio e Lessa (então no PSB) custou ao vice quatro anos de isolamento. A crise teve início na única vez em que Sampaio assumiu o governo, durante uma licença médica de 15 dias tirada por Lessa, que se recuperava de uma cirurgia. Na época, o governo enfrentava uma crise institucional com os poderes Judiciário e Legislativo, que brigavam pelo aumento do valor do duodécimo repassado pelo Executivo. ?A crise era tão grande que a Assembléia não aprovava nenhum projeto do Executivo. Se fosse encaminhada uma proposta para colocar numa rua o nome de Jesus ou de Deus, era rejeitada, e por maioria?, lembrou um membro do diretório estadual do PSB. Além disso, o então presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Orlando Manso, fazia ataques quase diários ao governador - inclusive no campo pessoal - que acabaram dando origem a uma série de interpelações judiciais. Mesmo assim, tão logo assumiu o governo durante a licença de Lessa, o vice Geraldo Sampaio se reuniu com as lideranças dos dois poderes, para tentar chegar a um ?acordo de paz?, e acabou desobedecendo à orientação recebida do governador Ronaldo Lessa, que era de não ceder aos ataques recebidos do Legislativo e do Judiciário. Na época, falou-se inclusive numa reunião de deputados oposicionistas, realizada na residência do ex-vereador Audival Amélio (pai do deputado Cícero Amélio e do vereador Arnaldo Fontan e sogro de Orlando Manso), na qual se teria tramado um golpe para destituir Lessa do poder, por meio de uma ação de impeachment. Foi a única vez que Geraldo Sampaio assumiu o governo. Durante todo o seu primeiro mandato, Lessa chegou a fazer várias viagens, inclusive para o exterior, mas nunca transmitiu o cargo para Geraldo Sampaio. Naquele momento, o PDT ocupava espaço no poder estadual, com Corintho Campelo na Secretaria de Administração e Eugênio Sampaio (filho de Geraldo Sampaio) no Ideral. Outra filha de Sampaio, Cacilda Sampaio, era secretária de Habitação no governo municipal de Kátia Born. Há quem também defenda a tese de que no governo ?a quatro mãos? de Divaldo Suruagy e Manoel Gomes de Barros, eleitos em 1996, também houve rompimento entre os dois. Mas a briga acabou nunca vindo à tona, já que Suruagy deixou o governo em julho de 1997, após a abertura de um processo de impeachment pela Assembléia Legislativa. INTERIOR Se na capital os rompimentos são comuns, no interior do Estado são quase que uma regra. Só na gestão passada, passaram de aliados a inimigos a prefeita e a vice de Rio Largo, Maria Elisa e a Vânia Paiva; o prefeito e o vice de Satuba, Adalberon Barros e Zezito Costa, o prefeito e a vice-prefeita e Passo de Camaragibe, Júnior Pequeno e Vânia Farias. Também houve desentendimento entre o prefeito de Batalha, Xico Douca e o vice, Ernane Pereira, e entre a prefeita de Arapiraca, Célia Rocha e o vice Ricardo Teófilo. Em 2000, o PT conseguiu eleger a professora Flávia vice-prefeita na chapa do prefeito José Lopes de Albuquerque, o Zé do Pedrinho, em Atalaia. O rompimento entre os dois aconteceu apenas alguns meses após a posse. Para a presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Rosiana Beltrão, o vice-prefeito tem um papel importante na administração pública. ?Na campanha sempre passamos para a população a idéia de que existe uma parceria. Essa união deve ser conservada durante todo o mandato, através de um relacionamento amigável, para que a população se sinta segura na hora em que o vice precise assumir o mandato?, afirmou. Rosiana Beltrão diz ainda considerar que prefeito e vice convivam como uma família. ?Afinal de contas, temos que conviver durante quatro anos?, disse. Ela diz que em Feliz Deserto, procura sempre pedir a opinião do vice-prefeito Idelmon Cota. ?Às vezes até já sei o que quero fazer, mas procuro ouvir a opinião do meu vice, como forma de prestigiá-lo e de ter um respaldo para o que vamos fazer?, contou.

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