Política
Governo estuda a situa��o da Casal
ODILON RIOS Repórter O governo estadual estuda discretamente a situação da Companhia de Abastecimento d?Água e Saneamento do Estado de Alagoas (Casal). O estudo abrange os balanços da companhia e deve vir à tona assim que for resolvida a situação do Laboratório Industrial e Farmacêutico (Lifal). Embora a companhia seja dada como falida por próprios membros do governo, empresas americanas, argentinas, portuguesas e francesas demonstram interesse em adquirir a empresa de economia mista, cujo maior acionista (99%) é o governo estadual. A Gazeta teve acesso a dados da Casal, em balanço que abrangeu 13 meses (de março de 2004 a março deste ano) e ouviu pessoas ligadas à companhia e ao Sindicato dos Urbanitários e a opinião é uma só: a companhia teria condições de ser reerguida das cinzas, ou melhor, seria evitada a sua privatização, como querem alguns setores do governo. Segundo o relatório, a Casal produz 9 milhões de metros cúbicos de água por mês, mas perde metade desta água: 4,5 milhões não chegam às residências por causa da tubulação antiga, que é de ferro, ou é desperdiçada nas ruas (vazamentos). No item esgoto, os dados caem: apenas 27% da capital é saneada e 14%, no Estado. No interior, só o entorno do povoado de Xingó é saneado. A água percorre 80 quilômetros em rede de ferro, algumas com mais de quarenta anos, quando a Casal ainda se chamava Sistema de Abastecimento e Esgosto de Maceió (Saem). No relatório, aponta-se que a companhia abastece 77 municípios ou 1.369.048 pessoas em Alagoas. O faturamento em março foi de R$ 12.036.069,11, a arrecadação foi de R$ 10.221.004,57 e R$ 1.815.064,54 foram deixados de ser recolhidos naquele mês. Trinta e dois por cento da arrecadação paga os 1.265 funcionários e os 357 terceirizados (dados de marco deste ano). A companhia tem 294.675 ligações ativas, mas não sabe porque cerca de 20% (76.385) estão inativos. A hipótese, segundo apurou a Gazeta, é que alguns destes moradores estejam recorrendo ao tradicional ?gato?, ou seja, roubando água, mas a companhia não teria condições de fiscalizar estas pessoas. Em outro relatório, de 2002, aponta-se que a companhia tem uma dívida de R$ 600 milhões, a maior parte com causas que estão na Justiça, de acordos para o pagamento de INSS e FGTS. Neste mesmo relatório, aponta-se que o maior devedor da Casal são os próprios governos: R$ 4.526.489 (dados de 2002) são de órgãos federais alagoanos; R$ 3.701.345 de órgãos estaduais. As prefeituras deviam, em 2002, R$ 44.445.813 e as empresas, R$ 46.881.357. A Gazeta não conseguiu acessar os dados atuais mas quem os viu garantiu à reportagem que a alteração foi pequena. Em contas a receber, são R$ 99.555.004. R$ 246.544.407,20, do montante da dívida da Casal, são de tributos federais (entre eles impostos e dívidas trabalhistas), que podem ser negociados. Desestruturação Segundo o presidente do Sindicato dos Urbanitários, João Rodrigues, a Casal enfrenta os mesmos problemas de desestruturação que a maioria dos setores que cuidam da água e esgoto no País, mas tem condições de ser reestruturada. ?Se investir em infra-estrutura e reduzir as perdas, será um passo. Mas a Casal não consegue nem medir a água que produz?, explicou, avaliando os dados da companhia. ?A Casal praticamente não tem lucro. Cobre os custos do serviço?, esclareceu, completando que o ?sindicato é contra a privatização da companhia?. Para o secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato, Erivano Cleto, a Casal foi destruída ao longo dos governos, desde que foi fundada em 1962, cobra ?muito pouco? pelo valor do líquido (R$ 1,33, em média) e 60% deste valor é canalizado para serviços. ?30% destes 60% são gastos em energia elétrica, para transportar a água de adutoras? afirmou. De acordo com o diretor de Operações da companhia, Walace Padilha, ?a Casal é a cara da segurança pública e da saúde em Alagoas?, atestando que a situação da companhia ?não pode estar boa?. ?Privatizar não resolve. A Casal está lutando para se recuperar. Falta investimento em saneamento?. Dados do governo, da Casal e do Sindicato dos Urbanitários dão conta que a companhia, se estivesse à venda hoje, valeria cerca de R$ 30 milhões.