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Política

Partidos contam com alian�as livres

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ODILON RIOS Repórter O fim da verticalização parece estar mais próximo da atmosfera política de Brasília e, se prevalecer o sepultamento do projeto na Câmara dos Deputados, vai gerar alívio em todos os grupos políticos que vão se enfrentar em 2006. A emenda que propõe o fim da verticalização passou na última quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, e foi aprovada após um acordo entre o PT e o PMDB principais opositores ao fim da medida. A proposta segue agora para uma comissão mista, onde terá o mérito debatido, antes de ser encaminhada ao plenário da Câmara. A comissão ainda não tem prazo para ser criada, mas há uma pressão em cima do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE) para que ela seja organizada o mais rápido possível. A idéia é que no período entre 10 a 40 sessões, a matéria possa ir ao plenário. Na Câmara, há uma interpretação de que a matéria não precisa do prazo de um ano antes para vigorar nas próximas eleições, mas a pressão é para que ela seja aprovada antes de outubro. Restrição Instituída em 2002, a chamada verticalização impunha importantes restrições às coligações eleitorais. A partir de uma interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ficaram impedidas as alianças estaduais que contrariassem as feitas pelos partidos para a disputa nacional. Ou seja, como o PSDB e o PMDB se aliaram em torno da candidatura de José Serra à Presidência, os dois partidos ficaram impedidos de se coligarem, nos Estados, com adversários na disputa nacional, como o PT e o PL. O ?alívio? existiria porque a verticalização obriga os partidos locais a fazer suas alianças de acordo com as determinações nacionais. Em Alagoas, por exemplo, no caso do PDT, que trabalha para lançar o nome do governador Ronaldo Lessa ao Senado, se prevalecesse a verticalização, o partido teria de se unir ao PPS, como tenta nacionalmente, e se colocar como oposição ao governo Lula. Embora a legenda não faça parte da base aliada do governo, no Estado o governador se considera aliado do Planalto. Já o PTB, presidido pelo deputado federal João Lyra, é aliado nacionalmente ao projeto político do presidente Lula, que vai concorrer à reeleição, numa aliança envolvendo partidos de esquerda ao centro, conforme o desenho político projetado pelo Palácio do Planalto. Em Alagoas, está do lado oposto, ou seja, distante dos aliados de Lula, que estão no Palácio Floriano Peixoto. Aliança branca Para o cientista político Alberto Saldanha, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), caso a verticalização seja mantida, acontece em Alagoas o mesmo que em 2002, ou seja, uma aliança branca, como a que foi feita pelo PSDB do senador Teotonio Vilela Filho, que embora em nível nacional tenha marchado com o PFL, no Estado ficou atrelado ao PSB, na época o partido do governador alagoano. ?O João Lyra, por exemplo, não poderia se lançar ao governo porque, nacionalmente, o PTB é ligado ao projeto de Lula?, afirmou Saldanha. ?Em Alagoas, o deputado teria de participar de uma aliança branca?, explicou. A ?aliança branca? poderia cair por terra, se prevalecer a verticalização, caso Lyra coloque em prática a sua proposta de migrar para o PMDB, do presidente do Senado, senador Renan Calheiros. Conforme a Gazeta publicou, com exclusividade no domingo passado, a idéia está sendo amadurecida e pode virar realidade. Todavia, para o deputado federal Jurandir Bóia (PDT), o clima nos corredores da Câmara dos Deputados é para que a verticalização deixe de existir ainda este ano. Segundo o cientista político Alberto Saldanha, mais provável mesmo é que se mantenha o ?acordo por Alagoas?, uma proposta para evitar ataques entre o Palácio e a Prefeitura, comandada pelo deputado federal João Lyra. ### Palácio prepara ofensiva discreta Apesar de o governador Ronaldo Lessa (PDT) negar que vá existir o revide do Palácio Floriano Peixoto em relação ao caso Cícero Almeida e Lourdinha Lyra, ambos do PTB, que respingou em Lessa e na secretária estadual de Saúde, Kátia Born, o governo estuda um ?momento? para atirar na Prefeitura, mas que os estilhaços da bomba não atinjam Lessa. Ainda não há nada definido, mas a ordem é para que tudo seja muito discreto. O que estaria acertado, pelo menos antes da confusão na Prefeitura, era a mudança no estilo dos programas do PDT ou PSB, que suprimiriam a palavra ?mau usineiro? de suas fileiras, para evitar ataques indiretos a membros da Prefeitura. Mas, o ?acordo por Alagoas? parece ter sofrido arranhões esta semana. Retirar a palavra ?mau usineiro? agradaria atualmente ao empresário Robert Lyra, aliado do governo e um dos articuladores do Palácio, além de virtual suplente de Lessa em 2006 ao Senado e candidato à Câmara Federal em 2010. Para provar que as relações entre a Prefeitura e o Palácio, quando o assunto é 2006, estão amargando, tão logo a Gazeta publicou na semana passada que o deputado João Lyra estaria negociando sua entrada no PMDB, os governistas suspenderam as negociações com os pemedebistas. A suspensão seria um efeito preventivo: nem o Palácio sabe o que está acontecendo nos corredores em Brasília, envolvendo os senadores Renan Calheiros e Teotonio Vilela Filho e o deputado João Lyra. Só que o governo estuda um plano B, caso as conversas convirjam para o não-lançamento de Calheiros ao governo estadual: o presidente da Assembléia Legislativa, Celso Luiz (PSB), poderia ser a carta na manga. |OR

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