Política
Rosiana critica maneira de agir da PF
LUIZA BARREIROS Repórter A presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Rosiana Beltrão (PMDB), afirmou ontem que prefeito que desvia recursos públicos destinados à compra da merenda escolar ?não serve para ser prefeito?. Apesar disso, ela disse que só opinará a respeito da culpabilidade ou não dos prefeitos investigados pela Operação Gabiru, sob a acusação de desvio de recursos do Ministério da Educação, após o término das investigações. ?É claro que a Polícia Federal não ia fazer uma operação dessas sem que haja argumentos e provas?, admitiu. ?Mas os advogados dos prefeitos não tiveram acesso aos processos, até agora ninguém disse o que está acontecendo?, complementou. Ela garantiu que a AMA não protegerá prefeitos corruptos, mas que é preciso que se esclareça a verdade dos fatos antes de fazer qualquer julgamento. ?A entidade quer ver os fatos esclarecidos e apurados. Depois disso, cada um terá que responder pelos seus atos se tiver culpa?. Algemas Rosiana Beltrão estava em Brasília na terça-feira, quando as prisões aconteceram, e ao retornar ontem a Maceió, concedeu uma entrevista coletiva para avaliar a operação desencadeada pela PF. A presidente da AMA criticou duramente a forma utilizada pela Polícia Federal para prender prefeitos e ex-prefeitos. Para ela, antes de serem presos em suas casas e conduzidos algemados à sede da PF, os prefeitos teriam de ter sido chamados para apresentar suas defesas. Segundo ela, por terem endereço fixo, os prefeitos não poderiam ter sido abordados de forma humilhante. ?Atrás daquele prefeito tem um pai, um ser humano e o princípio da nossa Justiça é o de que até que se prove o contrário, todo réu é inocente?. Rosiana Beltrão não quis discutir o mérito da investigação e as razões que teriam levado os prefeitos a serem presos. ?Quem for inocente vai sair e quem não for vai responder pelos seus atos?, disse. Durante a coletiva a presidente da AMA afirmou várias vezes que o papel da entidade não é defender os prefeitos individualmente, mas sim os interesses comuns dos municípios. ?Somos prefeitos, estamos solidários com as famílias que viram pela televisão, em rede nacional, aquela humilhação que passou o prefeito escolhido pela população?, argumentou. Bancada Segundo Rosiana Beltrão, em Brasília a bancada federal também teve uma reação de indignação com o modo como foi feita a operação. ?Não pretendo colocar em xeque o trabalho de investigação, isso tem que acontecer mesmo. Mas não dessa forma. Não se condena antes de ser julgado?. Na terça-feira, tão logo desembarcou em Brasília, foi ao gabinete do senador Renan Calheiros (PMDB) com o deputado federal João Lyra (PTB), mas chegou à conclusão de que não tinha nada a fazer utilizando os meios políticos. ?A Polícia Federal é uma instituição que tem autonomia, e a única coisa a fazer é esperar para utilizar os meios legais?, explicou. Ontem, o senador Teotonio Vilela Filho (PSDB) fez um pronunciamento no Senado no qual defendeu o combate à fraude e à corrupção, mas com respeito aos direitos dos investigados. ?O que se viu em Alagoas não foi uma operação policial, foi uma execração pública?, afirmou. Rosiana Beltrão contestou a informação divulgada pela Polícia Federal de que só em 2005 tivessem sido desviados pelo esquema R$ 1,8 milhão. ?Os municípios que tiveram seus prefeitos presos receberem juntos, nesse mesmo período, R$ 435 mil para a merenda escolar. O que demonstra que há muito a ser esclarecido sobre as investigações?, disse. Solidariedade A presidente da AMA disse ainda que preferia acreditar que as irregularidades atribuídas a prefeitos no que diz respeito à prestação de contas de recursos federais se devem muito mais à falta de preparo técnico dos funcionários que à má-fé dos prefeitos e secretários. ?Falta qualificação e capacitação. Eu jamais vou acreditar que alguém eleito com mandato soberano tenha a intenção de fazer o mal para a população de um município?, disse. A prefeita também garantiu desconhecer informações sobre a atuação do ex-prefeito Rafael Torres, apontado como ?cabeça? do esquema de desvio de recursos, por meio da empresa Suevit. ?Só tomei conhecimento pela imprensa, quando tudo isso aconteceu?. Rosiana Beltrão disse nunca ter feito compras de merenda à empresa de Rafael Torres e que seu município é cliente da Distribuidora Comercial Esmeralda, de Maceió. Durante a coletiva, cerca de 15 prefeitos integrantes da diretoria da AMA estavam ao lado de Rosiana Beltrão, a maioria deles demonstrando irritação com a exposição a que os colegas foram submetidos após terem sido presos e acusando a imprensa de fazer sensacionalismo. O deputado Antônio Albuquerque (PFL) também esteve na AMA para se solidarizar com os prefeitos e afirmou que seria necessário ter cautela e não fazer julgamento antes da apresentação de provas. Hoje, primeiro dia de visita aos prefeitos presos na PF, a presidente da AMA, Rosiana Beltrão, pretende convocar prefeitos para visitar os colegas presos na sede da PF. ?Se formos autorizados, levaremos a nossa solidariedade aos colegas, que são inocentes até que se prove o contrário?, disse.