Política
Com medo, muitos deixam Alagoas
REGINA CARVALHO Repórter Fontes da Polícia Federal informaram que pessoas ligadas a prefeituras de Alagoas, e que sequer estão sendo investigadas na Operação Garibu, têm deixado o Estado por medo de serem presas. Alguns também teriam até comprado ternos para se apresentar bem à polícia. A constatação foi feita pela PF durante a ação policial. A movimentação foi intensa durante todo o dia de ontem na sede da PF, em Jaraguá, principalmente de advogados e parentes de presos que permaneceram nos corredores do prédio em busca de notícias. Ainda pela manhã, cerca de 69 policiais federais de Brasília, que participaram da operação, deixaram Alagoas. O superintendente da PF de Alagoas, Rogério Cota, disse ontem, durante coletiva, que foi encerrada apenas a primeira fase da Operação Gabiru. A partir de agora será iniciada a análise dos documentos retidos pela PF. ?Numa análise superficial do material que já temos na PF, encontramos informações que realmente comprometem os suspeitos?, declarou o superintendente. Rogério Cota acrescentou ainda que, se necessário, a acareação pode ser um recurso utilizado pela PF. O superintendente negou que policiais federais tenham cometido excessos durante a operação, como na utilização de algemas. ?Algumas dessas pessoas presas apresentavam um histórico de violência, então tínhamos que preservar a integridade física, como a dos próprios profissionais de imprensa?, acrescentou Cota. Segundo a PF, a posse das armas encontradas com envolvidos no esquema será investigada paralelamente com a operação. ?Elas não têm nada a ver com a Operação Gabiru?, informou o superintendente. Policiais federais apreenderam um revólver calibre 38 com o prefeito de Marechal Deodoro, Danilo Dâmaso, que também está preso na sede da PF. ?Encontramos a arma sem registro e o prefeito também terá que responder por isso?, informou o policial federal, Fábio Franciolly, que responde pela assessoria de comunicação da PF em Alagoas. Rogério Cota informou que outros técnicos da Controladoria Geral da União (CGU) chegarão a Alagoas, além de 20 que já estão trabalhando no caso. Oito prefeitos, quatro ex-titulares do cargo, empresários, secretários e assessores estão presos na carceragem da PF, em Jaraguá. Eles foram divididos em oito celas. Cada uma comporta com um certo conforto, segundo a assessoria de imprensa da PF, apenas dois presos. Os presos estão dormindo em colchonetes e a alimentação é enviada por parentes. O advogado Luciano Guimarães, que defende o ex-prefeito de Maragogi e ex-presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) Fernando Sérgio Lyra (PSDB) pediu urgência na realização dos interrogatórios. Segundo ele, somente depois do acesso ao conteúdo do decreto de prisão é que pode dar entrada no pedido de habeas-corpus. ?A situação é delicada para todos?, destacou o advogado. Sete delegados da PF estão acompanhando a operação, cinco deles de Alagoas. Eles vão tomar os depoimentos simultâneos dos presos. A prisão temporária dos envolvidos no esquema vai durar cinco dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período. Fábio Gomes, advogado do prefeito de Canapi José Hermes de Lima (PDT), disse que ?na medida do possível os prefeitos estão bem?. ?Esse é um momento de angústia. Todos estão abatidos, alguns tiveram até queda de pressão?, alegou o advogado.