Política
Sobe para 29 n�mero de presos em AL
BLEINE OLIVEIRA Repórter Já são 29 pessoas presas pela Polícia Federal na Operação Gabiru, que investiga desvio de recursos federais destinados à compra de merenda escolar por prefeituras de Alagoas. Ontem, foi preso, em local não divulgado, o secretário de Finanças da Prefeitura de Água Branca, José Roberto Campos. Um homem identificado como Derivande Barbosa dos Santos, sabendo que estava sendo ?caçado?, se entregou à polícia. Derivande é apontado como intermediário entre as prefeituras e as empresas que vendiam merenda e notas fiscais falsas. Com as duas prisões de ontem ficam faltando apenas duas pessoas na lista dos envolvidos que tiveram mandado de prisão decretado pelo desembargador federal Marcelo Navarro, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), sediado em Recife (PE). Até ontem à noite, esses dois nomes permaneciam em sigilo. Os primeiros depoimentos das pessoas presas começaram a ser colhidos na tarde de ontem. Quatro delegados federais foram escalados para ouvir oito dos detidos. Os primeiros a depor foram José Inácio da Silveira, Fernando Antônio Baltar Maia (secretário de Finanças de Branquinha), Paulo Roberto Oliveira Silva (secretário de Finanças de Igreja Nova), Luiz Antônio Grossi, Jussara Martins Lira, Wilma de Vasconcelos Araújo, Heleno Machado Pereira Júnior e Angelo Márcio da Silva Brandão. Todos permaneceram calados e não responderam as perguntas feitas pelos delegados seguindo orientação que vem sendo dada por todos os advogados. Segundo alguns dos advogados dos acusados, que foram chamados a acompanhar os depoimentos, as perguntas feitas pela PF foram diretamente ligadas à relação deles com o ex-prefeito Rafael Torres, apontado pelos delegados que comandam a Operação Gabiru como chefe da quadrilha. A dificuldade maior dos advogados, segundo Gedir Campos, que atua na defesa de Fernando Baltar Maia, é a total inexistência de informações sobre as acusações que pesam contra todas as pessoas presas. ?Não conhecemos sequer o decreto de prisão para saber dos que nossos clientes estão sendo acusados?, reclama, alegando que essa situação prejudica a defesa de prefeitos, ex-prefeitos e seus secretários. Os vários advogados contratados estão tentando conseguir cópia do processo, em Recife, para conduzir a defesa. Por isso, orientaram seus clientes a não responder qualquer das perguntas, alegando que têm direito de só falar quando o inquérito chegar à Justiça. ### Acusados temem ir para outro Estado Ontem, na sede da PF, surgiu a informação de que alguns dos envolvidos poderiam ser transferidos de Maceió para presídios ou carceragens em outros estados. ?Isso é improvável, mas não é impossível? , disse o assessor de comunicação da PF, Fábio Franciolly. A informação chegou ao conhecimento dos acusados. Apreensivos, eles manifestaram a advogados e familiares o medo de que a transferência de fato ocorra. O superintendente da Caixa Econômica, Leopoldo Araújo de Oliveira, chegou a chorar ao saber que poderia sair de Maceió para outra prisão da Polícia Federal. Os detidos passam o dia no mesmo espaço, uma área da carceragem onde os presos tomam sol, mas à noite são recolhidos às celas. A assessoria da PF contestou a acusação de advogados, de que os agentes teriam cometido arbitrariedade ao algemar os presos. Segundo Franciolly, o uso de algemas é um procedimento comum e rotineiro adotado por questões de segurança. ?Com isso evitamos que, movido pela emoção ou qualquer outro sentimento, o preso reaja e tem que ser contido. Não é porque se trata de prefeitos e ex-prefeitos que o tratamento seria diferente daquele dado a qualquer outro preso?, afirmou o assessor, acrescentando que os advogados ?fazem o papel deles e nós fazemos o nosso trabalho?. |BO