Política
Escuta telef�nica incriminou prefeitos
LUIZA BARREIROS Repórter A principal arapuca utilizada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF) para incriminar os suspostos envolvidos na Operação Gabiru foi a escuta telefônica. Prefeitos, ex-prefeitos, secretários municipais, agiotas e funcionários de empresas que negociavam com prefeituras alagoanas tiveram, durante vários meses, conversas gravadas e degravadas com autorização da Justiça Federal de Alagoas. O conteúdo pode ter comprovado, em detalhes, os indícios detectados no ano passado pelo Ministério Público Federal em Alagoas e pela Controladoria Geral da União (CGU), da existência de um assombroso esquema de desvio do dinheiro público destinado à compra de merenda escolar e à manutenção de escolas municipais, por meio da verba do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Literalmente, o esquema agia tirando o leite ? a bolacha, o suco, a sopa, o cuscuz ? da boca de crianças carentes. As investigações que serviram de base para a decretação da prisão temporária de 31 pessoas levantaram fortes indícios de que o empresário e ex-prefeito de Rio Largo, Rafael Torres ? considerado o líder do bando ? utilizaria empresas legalmente constituídas para direcionar licitações. Além disso, ele atuaria forjando documentação fiscal para justificar despesas públicas inexistentes que encobriam desvio de verbas federais destinadas aos municípios. De acordo com as investigações feitas até o momento da decretação das primeiras prisões, na sexta-feira da semana passada, na estrutura da organização criminosa, Rafael Torres agiria fazendo contato e cooptando servidores e políticos para participar das atividades ilícitas do grupo. Estando no núcleo central da operação, ele também seria o responsável pela cobrança e coleta do dinheiro desviado e das propinas recebidas. Rafael também seria o coordenador das atividades de lavagem de dinheiro, executadas mediante extensa rede de agiotagem. Personagens Segundo a investigação da Polícia Federal, a ex-secretária da Suevit (empresa também conhecida como Torres e Queiroz), Jussara Martins Lira (demitida em abril passado) e a funcionária Cristina Maria Campos, atuariam como emissárias e coletoras de dinheiro. Como funcionárias da Suevit, tinham contato com os prefeitos e secretários que iam à empresa. O motorista de Rafael Torres, Ângelo Márcio da Silva Brandão, também foi apontado como coletor de verbas do esquema e ?laranja? utilizado pelo empresário nas licitações forjadas. Contra Cristina Maria Campos ? presa ontem, quando tentava visitar Rafael Torres na PF ? ainda pesa a acusação de ter participação nos lucros das licitações vencidas, quando era ela quem conseguia convencer o prefeito a comprar na Suevit ou na K.O. Santos, empresas mantidas por Rafael Torres. O contador das empresas de Rafael Torres, Teógenes Marques Gameleira Júnior, seria o responsável por dar uma aparência de legalidade aos negócios ilícitos do grupo. Ele teria a colaboração de João Inácio da Silveira, controlador de diversas firmas fantasmas e proprietário da Grafite Papelaria, responsável pela emissão de notas frias para a organização. A investigação também teria descoberto que o homem considerado o braço direito de Rafael Torres é José Arnon Dacal Mattos Nunes. Ele serviria de elo entre Rafael Torres e políticos do interior do Estado.