Política
Rafael Torres cobrava entre 10% e 12% por cada nota fria
LUIZA BARREIROS Repórter A Polícia Federal (PF) já conseguiu traçar o organograma de ação da quadrilha especializada no desvio de recursos públicos da merenda escolar. Sabe que o ex-prefeito Rafael Torres comandava o esquema e era responsável pelos contatos com prefeitos, elaboração de editais e maquiagem contábil da escrituração das empresas envolvidas. Também conseguiu definir as funções de várias pessoas que trabalharam diretamente ligadas a Rafael Torres no esquema, inclusive identificando Francisco Erivan dos Santos, sócio da empresa Correia & Sá Ltda., como sendo a segunda pessoa na organização, responsável principalmente pelo esquema de lavagem de dinheiro público, com a utilização de notas frias. Nos grampos feitos com autorização judicial, a polícia também descobriu que na venda de notas frias para justificar despesas que, na verdade, as prefeituras não haviam feito, Rafael Torres cobrava entre 10% e 12% do valor emitido. Ou seja: se um prefeito solicitava uma ou mais notas para justificar um desvio de R$ 20 mil das contas da prefeitura, Rafael Torres recebia R$ 2 mil pelo ?serviço?. Se a nota fosse de R$ 600 mil, o valor subia para R$ 60 mil. Também era comum os prefeitos solicitarem que os valores desviados fossem fracionados em várias notas de pouco mais de R$ 7 mil. É que pela Lei 8.666/93, que disciplina as licitações, algumas compras e serviços dispensam licitação se forem inferiores ao valor de R$ 8 mil.