Política
Suevit distribui merenda para o Estado
ODILON RIOS Repórter A Torres e Queiroz, do empresário e ex-prefeito de Rio Largo, Rafael Torres, acusado de liderar uma quadrilha que fraudava licitações para a aquisição de merenda escolar do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), abastece as mais de 400 escolas da rede estadual de ensino. Ela ganhou ano passado a licitação feita pela Secretaria Executiva de Educação para aquisição de merenda escolar. A Torres e Queiroz (também conhecida como Suevit) atua no campo de distribuição de alimentos voltados especificamente para os itens que compõem o cardápio da merenda e era utilizada por Rafael Torres em licitações direcionadas. A licitação foi realizada no ano passado e o resultado foi publicado pela Comissão Permanente de Licitação da Secretaria de Educação no Diário Oficial do Estado do dia 4 de novembro. A Torres e Queiroz foi uma das nove empresas vencedoras para a aquisição de alimentos na merenda escolar. A K.O. Santos, também de propriedade de Rafael Torres e utilizada no esquema de desvio de dinheiro destinado à compra de merenda escolar em vários municípios alagoanos, participou do processo licitatório, mas ficou de fora do resultado final. De acordo com dados publicados no Diário oficial de 23 de setembro, a Torres e Queiroz participou da licitação com três itens: misturas de bebida láctea, de risoto de carne bovina e ovos tipo grande. Um dos itens foi reprovado: a mistura láctea, e o problema estava no registro. Os outros dois passaram na análise e fazem parte do cardápio consumido pelos alunos da rede estadual. Já a K.O. Santos Ltda. entrou na concorrência com cinco produtos: arroz, biscoito salgado, macarrão parafuso, óleo de soja e ovo tipo grande. Quatro produtos foram reprovados, todos com problemas no registro e na ficha técnica. Salvaram-se apenas os ovos. A empresa Carnaúba, responsável pelos ovos tipo grande, abastece as duas empresas de Rafael Torres. Nas licitações na área de gêneros alimentícios, as empresas ganham o certame por apresentarem o menor preço e estarem cadastradas na Secretaria Executiva da Fazenda. Silêncio Procurado pela Gazeta, o presidente da Comissão Permanente de Licitação da Secretaria de Educação, Jorge Mário Barbosa de Carvalho, não quis dar informações. Na secretaria, segundo funcionários, ele estava participando de uma reunião com coordenadores regionais de ensino e estaria, portanto, incomunicável. O secretário de Educação, Maurício Quintella, também não foi encontrado. De acordo com sua assessoria, ele chegaria de Brasília ontem, às 23 horas. Entretanto, em entrevista à Gazeta na quinta-feira, Quintella disse que chegaria a Maceió no mesmo dia. Na ocasião, ele justificou que estava no Distrito Federal contatando representantes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para acelerar a liberação de recursos para construção de uma escola no município alagoano de Teotônio Vilela. Quintella está fora do Estado desde a última terça-feira quando a Polícia Federal prendeu 31 pessoas entre prefeitos, ex-prefeitos e empresários acusados de desvio de recursos federais. Outro que também não foi encontrado foi o secretário-adjunto de Educação, Daniel Bernardes, que, segundo sua assessoria, estava no interior alagoano. Seu telefone não atendia às ligações.