loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 29/07/2026 | Ano | Nº 6277
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Política

Acusados de roubar merenda s�o soltos

Ouvir
Compartilhar

PETRÔNIO VIANA Repórter Quatro acusados de envolvimento no esquema de desvio de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a compra de merenda escolar no interior do Estado, presos na última terça-feira pela Operação Gabiru, foram libertados pela Polícia Federal (PF) no fim da tarde e início da noite de ontem. O delegado federal Andrei Augusto Passos, que chefia o inquérito contra os acusados, enviou representação ao desembargador federal do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no Recife, Marcelo Navarro Dantas, solicitando o alvará de soltura de Wilma Araújo, acusada de negociar os cheques usados no esquema, Ednilson Ribeiro de Guimarães, dono da empresa Ingrasp, envolvido no esquema, Teógenes Marques Gameleira Júnior, contador do ex-prefeito de Rio Largo, Rafael Torres, líder da quadrilha, acusado de articular licitações irregulares, e de Heleno Machado Pereira Júnior, funcionário do empresário Francisco Erivan dos Santos, braço direito de Torres. O delegado Andrei Passos considerou que os acusados tinham colaborado com as investigações e não haveria mais a necessidade de mantê-los presos na sede da superintendência da PF, em Jaraguá. Os quatro vão continuar respondendo ao inquérito em liberdade e estão proibidos de deixar o Estado. Eles podem, ainda, ser convocados a qualquer momento para prestar mais esclarecimentos, caso seja necessário A PF deixou claro que a libertação dos acusados não foi motivada pela interferência dos advogados que defendem os integrantes do esquema, mas pela colaboração e pelo entendimento de que os quatro acusados não teriam mais elementos para acrescentar ao inquérito. Segundo a assessoria da PF, o delegado Andrei Passos está estudando a possibilidade de solicitar outros alvarás de soltura, o que pode acontecer ainda hoje, quando completam cinco dias de prisão provisória. Além disso, a PF está avaliando se pede ou não a prorrogação da prisão provisória para alguns dos acusados. Tumulto A saída dos envolvidos no esquema de corrupção causou tumulto na frente do prédio da PF. O contador Teógenes Marques tinha a intenção de falar à imprensa, mas foi impedido pelo advogado João Miguel Torres, irmão do ex-prefeito de Rio Largo, Rafael Torres, acusado de liderar o esquema de desvio de dinheiro público. Na saída, os envolvidos foram vaiados e ouviram provocações das pessoas que passavam em frente ao prédio. A empresária acusada de agiotagem, Wilma Araújo, foi a única a sair pelos fundos da sede da PF, já no início da noite, para evitar o encontro com a imprensa. ### Entidades vão às ruas cobrar punição Representantes de sindicatos, associações, organizações não-governamentais e movimentos comunitários promoveram, na manhã de ontem, um ato público para parabenizar os agentes da Polícia Federal (PF) que participaram da Operação Gabiru que, nesta semana, prendeu 31 prefeitos, ex-prefeitos, secretários e empresários acusados de envolvimento no esquema de desvio de verbas para compra de merenda escolar no interior do Estado. Distribuindo adesivos e carregando cartazes com dizeres, muitas vezes cômicos, sobre os ?gabirus? presos pela PF, os manifestantes percorreram as ruas do Centro da cidade e dirigiram-se à superintendência da PF, em Jaraguá. Na frente do prédio, cerca de 100 pessoas ouviram os discursos dos representantes das entidades envolvidas no ato e declararam repúdio aos prefeitos e empresários participantes do esquema. Durante o percurso, muitas pessoas que estavam nas ruas do Centro juntaram-se aos manifestantes, por entender a importância e a finalidade do ato. A funcionária pública Maria Gorete Ferreira não escondia sua indignação com os políticos acusados de improbidade. ?Eles têm que continuar presos e devolver o dinheiro que roubaram. É um absurdo roubar dinheiro que ia alimentar as crianças?, afirmou. O servente de pedreiro Antônio Cavalcante da Silva concorda com a funcionária pública. Para ele, os envolvidos no esquema de corrupção deveriam ter seus mandatos cassados e perder os direitos políticos permanentemente. ?Esses criminosos têm que ser cassados e não deveriam poder se candidatar mais a nada. Eles merecem pagar por tudo o que fizeram?, declarou. Os membros das entidades representativas da sociedade civil pediram que os acusados fossem punidos de forma exemplar, para evitar que outros políticos que tenham a mesma intenção comecem ou continuem tomando medidas em benefício próprio. Os representantes pediram a continuidade das investigações e lembraram o momento histórico que Alagoas vem passando. ?Esse é um exemplo para os outros Estados. É hora de lutar pela moralidade na administração pública?, apontaram. O deputado Paulo Fernando dos Santos (PT), o Paulão, esteve presente ao ato público e explicou que a finalidade do movimento não era julgar ou condenar os acusados. ?O ato é em defesa da moralidade, do dinheiro público, da merenda e das crianças. É para mostrar que a sociedade está atenta aos acontecimentos?, disse. O ponto alto da manifestação foi a execução do hino nacional e o abraço simbólico ao prédio da PF. Os representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Educação no Estado (Sinteal) lembraram também o assassinato do professor Paulo Bandeira, em 2003, motivado por denúncias de irregularidades no uso de verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) no município alagoano de Satuba. |PV

Relacionadas