Política
Acusados guardavam at� esmeraldas
ODILON RIOS Repórter A Polícia Federal (PF) mostrou ontem parte do material apreendido com as 31 pessoas presas na semana passada pela Operação Gabiru, acusados de desvio de dinheiro público destinado à compra de merenda escolar e à manutenção de escolas de vários municípios alagoanos. O material estava em 20 malotes da PF, guardados em uma sala da Ala 1 do prédio, no bairro de Jaraguá. Ainda faltam 52 a serem analisados. O conteúdo destes malotes não foi revelado. Nos 20 malotes tinham 115 mil dólares, 20 mil euros, 60 mil reais, 58 carimbos e 2 milhões de reais em cheques, além de esmeraldas. Em alguns dos cheques estava visível a procedência: prefeituras do interior alagoano, segundo a PF, envolvidas no esquema. Foi observado que alguns cheques eram da Caixa Econômica Federal. Além disso, existiam seis revólveres, três pistolas (calibres não revelados) e cinco espingardas calibre 12. A PF ainda analisa se as armas estão registradas. O que mais chamou atenção no material apreendido foi a quantidade de carimbos e os locais aos quais eles pertenceriam. Foram apreendidos 58 carimbos, alguns da Secretaria da Fazenda (Agência da Fazenda Estadual de Maceió, conforme estava escrito no carimbo), do governo do Estado de Sergipe e do Departamento de Administração Tributária da Prefeitura de Maceió, um indício de que o esquema para o desvio da verba de merenda escolar do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por meio de fraude em licitações, poderá ter novos personagens ou mais envolvidos, que até agora não foram citados nas investigações. ?Esses carimbos eram utilizados pelas empresas para fraudar as licitações?, disse um policial federal. Os carimbos não apresentavam datas e algumas delas que foram expostas pela PF em uma folha de papel registrava o mês de maio de 2004. A polícia não deu maiores explicações. Além disso, existiam carimbos de outras empresas, algumas da área de contabilidade e outras de advocacia. A PF pediu que os nomes que estavam nos carimbos não fossem revelados. Além dos malotes, vários computadores estão amontoados na sala da Ala 1, que podem revelar maiores detalhes da fraude de licitação de merenda. Técnicos da Controladoria Geral da União (CGU) fazem a análise deste material (ver matéria abaixo). Dinheiro Alguns dos materiais apreendidos já tiveram seus donos revelados na semana passada, pela própria Polícia Federal. É o caso do prefeito de São Luiz do Quitunde, Cícero Cavalcante (PMDB). Foram apreendidas, em sua residência, duas espingardas calibre 12 e uma pistola calibre 380. Além das armas, o prefeito guardava em casa R$ 48.540. Também na casa do prefeito de Marechal Deodoro, Danilo Dâmaso (PMDB), foi encontrado um revólver calibre 38. Na casa do secretário de Finanças da Prefeitura de Branquinha, Fernando Antônio Baltar Maia (o ?Fanta?), foram apreendidos 28 mil dólares. Um cofre foi recolhido na casa do prefeito de Igreja Nova, Neiwton Silva (PDT). Outro que tinha dinheiro em casa era o homem apontado como o chefe da quadrilha pela PF: o ex-prefeito de Rio Largo, Rafael Torres. Na casa dele, foram encontrados 20 mil euros. ### Cresce número de políticos para visitar prefeitos presos Presos há oito dias na carceragem da Polícia Federal (PF), em Jaraguá, os oito prefeitos e quatro ex-prefeitos começaram esta semana a receber, com mais freqüência, a visita de políticos alagoanos. A maioria dos que compareceram à sede da PF evitou falar com a imprensa. Foi o caso do suplente de deputado federal Luiz Dantas (PTB), que esteve na PF, falou com parentes de presos, ficou cerca de meia hora no prédio, mas foi embora, dizendo: ?Nada a declarar?. Outros disseram que se solidarizavam com os presos, como foi o caso do vereador Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca (PTB). ?Estou aqui para visitar o Fernando Sérgio Lira (ex-prefeito de Maragogi), o [Jorge] Dantas (ex-prefeito de Pão de Açúcar) e o Rafael Torres [ex-prefeito de Rio Largo, acusado de ser o líder da quadrilha que fraudava licitações da merenda escolar em vários municípios alagoanos]?. Outro vereador, que chegou acompanhando Toroca, foi Cristiano Matheus (PFL), que foi ao local dar um ?abraço neles?, conforme declaração de Toroca à Rádio Gazeta. Os dois vereadores fazem parte da bancada do prefeito Cícero Almeida (PTB). Dois deputados também estiveram na sede da PF, Marcos Ferreira (PSB) e Dudu Albuquerque (PSB), dois aliados do governador Ronaldo Lessa (PDT). Na segunda-feira, mais dois deputados foram à PF se solidarizar com os prefeitos e ex-prefeitos presos: Antônio Albuquerque (PFL) e Francisco Carvalho (PSDB), o Chicão. Correndo da imprensa e aparentando preocupação, Chicão disse estar na PF para resolver problemas com passaporte. Albuquerque reclamou da comida que é servida aos prefeitos. O secretário regional do PSDB, Claudionor Araújo, também foi à PF, mas não quis conversar com a imprensa. Ele é uma espécie de elo entre o senador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e os ex-prefeitos Jorge Dantas e Fernando Sérgio Lira. Semana passada, Téo condenou a maneira que os prefeitos e ex-prefeitos foram presos pela Operação Gabiru. Os parlamentares que foram ao prédio da Polícia Federal tiveram autorização para visitar os presos dada pelo superintendente do órgão Rogério Cota. Além dos ex-prefeitos Fernando Sérgio Lira, Jorge Dantas e Rafael Torres, os prefeitos presos são: Neiwton Silva (PDT - Igreja Nova), Cícero Cavalcanti (PMDB - São Luiz do Quitunde), Marcos Paulo (PMDB - Matriz do Camaragibe), Paulo Roberto (PPS - São José da Laje), Carlos Eurico (PMDB - Porto Calvo), Danilo Dâmaso (PMDB - Marechal Deodoro), Fábio Lira (Feira Grande) e José Hermes de Lima (PTB - Canapi). |OR ### CGU continua analisando dados; aliados são vaiados A Controladoria Geral da União (CGU) continua o trabalho de análise da documentação encontrada com os 31 acusados presos na Operação Gabiru, que investiga pessoas que estariam envolvidas em uma quadrilha que fraudava licitações para a aquisição de merenda escolar. O trabalho é desenvolvido, em sigilo, na sede da PF, no bairro de Jaraguá. Segundo informou a assessoria da CGU, em Brasília, não existe prazo para o término dos trabalhos, já que há a possibilidade de os técnicos da Controladoria viajarem ao interior alagoano para fazer a análise de documentos nas prefeituras. De acordo com a assessoria da CGU, a análise também pode abranger escolas e os computadores apreendidos pela PF, durante a operação. Segundo informações, existem cerca de 40 técnicos fazendo a análise da documentação, em sistema de revezamento: os técnicos estão trabalhando de forma ininterrupta e são provenientes de Pernambuco, Paraíba, Sergipe e outros estados nordestinos. Eles estão trabalhando com a PF. Cigarros e picolés Na primeira visita realizada esta semana e a segunda após a prisão, que ocorreu na terça-feira, 17, os parentes dos 27 acusados presos pela Operação Gabiru enfrentaram o sol forte e a longa espera com cadeiras, cigarros e picolés, vendidos diante do prédio da PF. O estacionamento da sede ficou lotado e, mesmo assim, do outro lado da rua, desciam de carros luxuosos mais parentes para esperar na fila a entrada na carceragem da PF. Cada preso só pode receber dois parentes por dia. Os advogados têm acesso livre para conversar com seus clientes, mas voltaram a reclamar das condições da PF em manter os detidos. Um deles, que não quis se identificar, disse que a PF só tem quatro celas, com capacidade para duas pessoas. Segundo ele, existiam oito em cada cela. ?Tem até gente de fora do país para ser extraditada?, apontou. O advogado José Fragoso disse que o principal problema era a falta de informação. ?O que se sabe é muito pouco?, resumiu. Com relação a uma possível transferência dos acusados para o Quartel e Academia da Polícia Militar, Fragoso disse que poderia ocorrer a qualquer momento. Apoio frustrado Ontem, durante o jogo do CRB com Avaí, no Trapichão, aliados do ex-prefeito de Rio Largo, Rafael Torres, desfilaram com uma faixa de apoio dizendo ?Rafael Torres, nós regatianos estamos solidários com você?. O estádio inteiro vaiou, principalmente quando passou pelas cadeiras. |OR