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PF pede pris�o preventiva de acusados

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LUIZA BARREIROS Repórter A Polícia Federal (PF) pediu ontem, a decretação da prisão preventiva de alguns dos envolvidos no desvio de recursos federais destinados à compra de merenda escolar e ao Fundef nas prefeituras alagoanas. Não foi divulgado o nome das pessoas que tiveram a prisão preventiva solicitada, mas a decisão do desembargador federal Marcelo Navarro, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, deverá sair até a meia-noite de hoje. Ontem, havia uma expectativa de que a decisão do desembargador fosse divulgada, o que não ocorreu até o fechamento desta edição. Hoje acaba o prazo de dez dias das prisões temporárias decretadas no último dia 17. Quem tiver a preventiva decretada continuará preso até a conclusão do inquérito policial instaurado pela Polícia Federal para apurar desvios de recursos públicos federais destinados à merenda escolar e do Fundef. As demais pessoas deverão ser liberadas amanhã pela manhã. Apesar disso, todos os 31 presos pela Operação Gabiru na semana passada foram indiciados no inquérito policial. Dependendo da participação que cada um teve no esquema, responderá por crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, uso de documento falso, peculato, emprego irregular de verbas públicas, corrupção passiva, fraude à licitação, lavagem de dinheiro, improbidade administrativa e crime contra o Sistema Financeiro Nacional. A prisão temporária ? usada apenas para permitir a investigação ? é convertida em preventiva, para garantir a ordem pública, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando a polícia comprova que há prova de existência do crime e indícios suficientes da autoria. ### Mais três envolvidos são indiciados No final da tarde de ontem, a Polícia Federal (PF) anunciou o indiciamento de mais três pessoas por envolvimento com os crimes investigados na Operação Gabiru. A irmã do prefeito de Porto Calvo, Carlos Eurico Leão e Lima, o Kaíka (PSB), Luciana Leão e Lima, foi indiciada pelos crimes de fraude à licitação, peculato, formação de quadrilha, uso de documento falso e lavagem de dinheiro público. Ela ocupa o cargo de secretária de Finanças na gestão do irmão na Prefeitura, que também foi indiciado pela Operação Gabiru. Outra indiciada é Josélia Feitosa da Silva, esposa de Francisco Erivan dos Santos, sócio-gerente da empresa Correia & Sá Ltda. e indiciado por ser considerado o segundo homem no esquema de desvio de recursos públicos que seria liderado pelo ex-prefeito Rafael Torres. Segundo as investigações da PF, a empresa de Francisco Erivan seria beneficiária de licitações direcionadas, além de atuar numa rede de lavagem de dinheiro. Josélia vai responder na Justiça pelos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro contra a administração pública. A terceira pessoa indiciada é o empresário Kléber de Oliveira Santos, sócio da empresa K.O.. Santos (as iniciais do nome da empresa foram retiradas de seu nome), empresa de fachada usada por Rafael Torres para efetuar vendas aos municípios e fraudar licitações viciadas. Kléber Santos foi indiciado pela PF por formação de quadrilha, falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de dinheiro contra a administração pública. ?Os delegados que atuam no caso indiciaram também essas pessoas por acreditarem que elas têm participação efetiva nos crimes?, afirmou Fábio Franciolly, da assessoria de imprensa da PF. Apesar do indiciamento, os delegados responsáveis pela Operação Gabiru não chegaram a pedir à Justiça Federal a decretação das prisões de Luciana Lima, Josélia Feitosa e Kléber Oliveira. Pelo menos por enquanto. Segundo o assessor de imprensa da PF, os três novos indiciados fazem parte de um grupo de 15 pessoas que foram ouvidas pela PF depois da deflagração da Operação Gabiru, no dia 17. Essas pessoas foram intimadas a depor depois que os auditores e peritos da PF iniciaram a averiguação dos documentos apreendidos nos 61 locais onde houve busca e apreensão autorizada pela Justiça Federal. |LB ### Joaquim Beltrão presta esclarecimentos Entre as 12 pessoas que foram convidadas a dar explicações na PF ? mas que não foram indiciadas ? está o ex-prefeito de Coruripe, Joaquim Beltrão (PMDB). Ele esteve na PF pela manhã, acompanhado de advogado, e teve que explicar uma referência feita a ele em um documento apreendido com um dos indiciados. À tarde ele retornou à PF e, ao sair, disse à imprensa apenas que havia ido fazer uma visita, sem, no entanto, dizer a quem. Outro que também esteve na PF no fim da tarde e foi recebido pelo superintendente Rogério Cota foi o deputado estadual Cícero Amélio (PMN). Foi a segunda vez que ele esteve na PF após a deflagração da Operação Gabiru. Na quinta-feira passada, ele visitou o prefeito de Porto Calvo, Kaíka, a quem ele é ligado politicamente. Ontem, Amélio justificou sua ida ao local dizendo que havia ido pedir ao superintendente da PF autorização para fazer nova visita hoje aos presos, sem, no entanto, ocupar uma das duas vagas destinadas aos parentes dos presos. Apesar de, segundo ele, ter conseguido autorização, quando o deputado deixou o prédio, ele não tinha a informação de que hoje as visitas estariam suspensas por causa do feriado. Segundo informação obtida pela Gazeta, o deputado Cícero Amélio teria sido citado nas interceptações telefônicas feitas pela PF nos telefones dos investigados na Operação Gabiru. Apesar disso, a reportagem não conseguiu confirmar com as fontes oficiais se o deputado foi chamado a dar explicações. Fábio Franciolly informou ontem que de amanhã até a próxima quarta-feira mais 15 pessoas serão convocadas a prestar depoimentos. |LB ### Parentes fazem vigília; PF nega regalias No final da tarde de ontem, a Polícia Federal informou aos parentes de presos que estavam no saguão da superintendência, que as visitas que deveriam ocorrer hoje, não aconteceriam em virtude do feriado de Corpus Christi. As visitas são realizadas sempre às terças e quintas e cada preso tem direito a receber dois parentes. Apenas advogados têm livre acesso à ala da carceragem, dentro do horário de expediente. Mesmo sem ser dia de visita, ontem dezenas de parentes de presos continuavam fazendo uma espécie de vigília do lado de fora do prédio da PF. São esposas, pais, filhos e irmãos que se revezam na expectativa de haver informações sobre a expedição de possíveis alvarás de soltura ou da decretação das prisões preventivas. Segundo Fábio Franciolly, da assessoria de imprensa da PF, hoje, os presos que não tiveram a preventiva decretada serão liberados. ?Caso alguém permaneça, só terá direito à visita na próxima terça-feira?. Franciolly também afirmou que ainda não há nenhuma posição oficial da PF em relação à transferência dos presos com prisão preventiva decretada para a Academia da Polícia Militar, no Trapiche da Barra (leia mais na página 7). Direitos iguais Parentes e advogados do ex-prefeito de Magagogi, Fernando Sérgio Lira Neto (PSDB), tentaram ontem, em vão, conseguir autorização para que ele recebesse uma alimentação preparada pela família. A ordem na PF é que todos os presos têm que comer a mesma alimentação, comprada pela própria PF. Segundo o advogado Luciano Guimarães, que atua na defesa de Lira, foi apresentado à Superintendência da PF um atestado médico dando conta de que seu cliente é hipertenso e diabético e que por isso teria que receber alimentação especial. Mesmo assim, frutas que foram levadas pela família não puderam ser entregues a ele. A médica da PF disse que Fernando Sérgio vem recebendo assistência clínica e que não via problema na alimentação fornecida pela PF. |LB

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