Política
Vices assumem lugar de prefeitos presos
PETRÔNIO VIANA Repórter A Câmara Municipal de São José da Laje aprovou na noite de sexta-feira, por sete votos contra dois, o afastamento, por um período de 70 dias, do prefeito Paulo Roberto Pereira de Araújo (PPS), detido na sede da Polícia Federal (PF) por envolvimento no esquema de desvio de verbas federais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para compra de merenda escolar. A explicação oficial para o afastamento não havia sido divulgada até o fechamento desta edição, entretanto a expectativa é de que Paulo Roberto continue recebendo os vencimentos correspondentes ao cargo de prefeito. Na mesma sessão, o vice-prefeito Pedro Matias de Albuquerque (PTB) foi empossado no cargo. Matias é aliado do deputado estadual Antônio Albuquerque (PFL), que esteve presente na sessão e fez um discurso de apoio ao novo prefeito. Na manhã de sexta-feira, antes de seguir viagem para São José da Laje, o deputado fez uma visita aos prefeitos e ex-prefeitos detidos na sede da PF, no bairro de Jaraguá. Além de Paulo Roberto, outro prefeito detido pela PF que conseguiu aprovar o pedido de licença na Câmara de Vereadores foi Danilo Dâmaso (PMDB), de Marechal Deodoro. Curiosamente, a justificativa apresentada para a licença de Dâmaso foi ?por problemas de saúde?. O prefeito de Marechal também vai continuar recebendo remuneração como se estivesse exercendo o cargo. O prazo de quinze dias de afastamento dos prefeitos sem que haja o licenciamento, estipulado pela Constituição Federal, termina na próxima terça-feira. A partir daí, ocorre a perda automática de mandato e o cargo é passado para o vice-prefeito. Com a prisão preventiva decretada pelo desembargador federal Marcelo Navarro, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, a previsão é de que os 19 acusados que continuam detidos fiquem, no mínimo, mais 80 dias na carceragem da PF, período em que os delegados federais responsáveis pela investigação devem levar para concluir o inquérito policial. O presidente da Câmara Municipal de Feira Grande, cujo prefeito Fábio Lira (PDT) encontra-se entre os acusados de envolvimento no esquema de desvio de recursos, Telmo Pereira de Lira (PSDB), informou que até a última sexta-feira não havia recebido qualquer comunicado oficial sobre o assunto. ?Ele [Fábio Lira] alega inocência, mas é difícil tomar uma posição definitiva. Vamos aguardar uma definição das investigações?, ponderou. Telmo Lira contou que a maioria dos vereadores da Casa apóia o prefeito e que as chances de que a licença seja concedida são de 80%. ?Vamos aguardar um pedido de licença para ver as providências que podem ser tomadas, mas eu acho que o vice-prefeito vai acabar assumindo a partir de terça ou quarta-feira?, declarou. O vice-prefeito de Feira Grande é Ademir José da Silva (PRP). Segundo o presidente da Câmara, a população de Feira Grande continua apoiando o prefeito e, até o momento, não se manifestou contrária à concessão da licença . Em Igreja Nova, a Câmara Municipal dá total apoio ao prefeito Neiwton Silva (PDT). De acordo com o presidente da Câmara, o vereador Manoel Gregório dos Santos (PTB), as chances de o prefeito conseguir a licença são de 100%. Ele disse que até a última sexta-feira, nenhuma solicitação nesse sentido havia chegado ao conhecimento da Casa. ?O prefeito está providenciando o pedido de licença, mas até agora não chegou nada na Câmara?, disse Gregório. Ele informou que, somente com a oficialização do pedido, os vereadores vão discutir a justificativa para a licença e se o prefeito continuará recebendo remuneração. Da mesma forma, a data para uma possível posse do vice-prefeito José Borges (PSB) somente deverá ser definida quando o fim do prazo estiver mais próximo. Gregório comentou ainda que mudanças no secretariado municipal são aguardadas, mas vão depender da escolha pessoal de José Borges.