Política
Quintella dep�e na PF sobre esquema
LUIZA BARREIROS Repórter O secretário-executivo de Educação e deputado federal licenciado Maurício Quintella Lessa (PDT) será ouvido pela Polícia Federal (PF), na próxima terça-feira, no inquérito que apura desvio de recursos públicos federais destinados à merenda escolar e ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Ele terá de explicar menções feitas ao seu nome e à Secretaria Executiva de Educação pelas pessoas investigadas pela Operação Gabiru. A menções teriam sido feitas nas conversas telefônicas interceptadas com autorização da Justiça Federal e que serviram de base para a decretação da prisão de prefeitos, ex-prefeitos, secretários municipais e empresários como Rafael Torres, apontado como líder do esquema. Além disso, a PF quer explicações do secretário a respeito de uma licitação ocorrida na Secretaria de Educação no ano passado, da qual teriam participado as empresas Suevit e K.O. Santos Ltda, ambas comandadas por Rafael Torres, e a Sustentare, empresa paulista da qual Rafael Torres é o único representante em Alagoas. O ofício pedindo a apresentação de Maurício Quintella à PF foi encaminhado pelo delegado federal Andrei Augusto Passos Rodrigues, presidente do inquérito, na última sexta-feira. Por estar licenciado da Câmara Federal e hoje exercer uma função na administração pública estadual, o ofício foi dirigido ao governador Ronaldo Lessa (PDT), que ficou responsável pela apresentação de seu secretário. Ronaldo Lessa é primo de Maurício Quintella. O depoimento de Quintella será um dos 15 que a Polícia Federal pretende ouvir até a próxima quarta-feira. Além de Maurício Quintella, também foi notificado para comparecer à PF esta semana o empresário João Felipe Barros de Lima, proprietário da J.J. Factoring e Fomento Mercantil. Durante a deflagração da Operação Gabiru, a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão no escritório da empresa. Além de ser concunhado de Maurício Quintella, João Felipe trabalhou em sua assessoria. Tribunal de contas A Polícia Federal também interrogará esta semana o procurador-chefe do Tribunal de Contas de Alagoas (TC-AL), José Correia Torres, que tem parentesco com o empresário e ex-prefeito Rafael Torres. O presidente do TC, conselheiro Edival Gaia, também recebeu ofício da Polícia Federal solicitando a apresentação de outros quatro auditores. Todos terão que dar explicações a respeito de um relatório de auditoria feito nas contas da prefeitura de Matriz do Camaragibe, referente ao ano de 2004. Neste período, dois dos 11 prefeitos e ex-prefeitos presos na semana passada pela Operação Gabiru estavam à frente da administração de Matriz: o ex-prefeito Cícero Cavalcante (PMDB), atual prefeito de São Luiz do Quitunde e o atual prefeito da cidade, Marcos Paulo do Nascimento, o Marquinhos (PMDB), que em outubro do ano passado foi eleito prefeito. A inspeção in loco dos técnicos do TC em Matriz do Camaragibe foi realizada em 28 de março deste ano. ### Semana deve ter novos indiciamentos Na entrevista coletiva dada na última sexta-feira à imprensa, o assessor de comunicação da Polícia Federal deixou claro que a semana deverá ser ?movimentada? no que diz respeito ao inquérito da Operação Gabiru. A expectativa é de que na segunda-feira sejam anunciados os nomes de pelo menos quatro novos indiciados, que já teriam prestado depoimento ou que a Polícia já teria conseguido obter provas contra eles. A Operação Gabiru foi deflagrada pela Polícia Federal no último dia 17, com a prisão de 31 pessoas e o cumprimento de ordem de busca e apreensão em 61 locais. O trabalho foi precedido de uma investigação feita pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela PF de Alagoas, com base em relatórios da Controladoria Geral da União (CGU) que revelaram a existência de um esquema de desvio do dinheiro público destinado à compra de merenda escolar e à manutenção de escolas municipais, por meio do Fundef. As investigações apontaram o empresário e ex-prefeito de Rio Largo, Rafael Torres, como líder do bando. Ele utilizaria empresas legalmente constituídas como a Suevit e a K.O. Santos Ltda. para direcionar licitações. Além disso, segundo a PF, atuaria forjando documentação fiscal para justificar despesas públicas inexistentes que encobriam desvio de verbas federais destinadas aos municípios. Até a última sexta-feira, a Polícia Federal havia indiciado 35 pessoas por envolvimento com a Operação Gabiru. As 31 presas no dia 17 e outras quatro indiciadas após prestarem depoimento à PF. Desses, apenas 19 ainda estavam presas até a noite da última sexta-feira. Tiveram as prisões preventivas decretadas o prefeito de São Luiz do Quitunde, Cícero Cavalcanti (PMDB), o prefeito de Matriz do Camaragibe, Marcos Paulo do Nascimento (PMDB), o prefeito de São José da Laje, Paulo Roberto de Araújo, o ?Neno? (PPS), o prefeito de Porto Calvo, Carlos Eurico Leão e Lima, o ?Kaíka? (PSB), o prefeito de Marechal Deodoro, Dânilo Dâmaso (PMDB), o prefeito de Feira Grande, Fábio Apóstolo de Lira, o Fabinho (PDT), o prefeito de Canapi, José Hermes de Lima (PDT) e o prefeito de Igreja Nova, Neiwton Silva (PDT). Além deles, tiveram as prisões preventivas decretadas os ex-prefeitos Jorge Silva Dantas (PSDB), de Pão de Açúcar, José Valter de Azevedo (PFL), de Ibateguara, José Aderson Rodrigues (PTdoB), de Japaratinga, e Rafael Torres, de Rio Largo. A lista dos 19 é complementada pelos secretários municipais de Finanças de Branquinha, Fernando Baltar Maia (filho do desembargador Jairon Maia Fernandes e irmão do prefeito Carlos Eduardo Baltar Maia, o Dadado); de Igreja Nova, Paulo Roberto Oliveira Silva e de Água Branca, José Roberto Campos, e pelos empresários José Arnon Dacal ? considerado o braço direito de Rafael Torres ?, Francisco Erivan dos Santos (apontado pela polícia como sendo o segundo homem no esquema de desvio de recursos) e João Inácio Silveira ? proprietário da Grafite Papelaria e responsável pela emissão de notas frias para a organização. O último ainda preso é o funcionário da Caixa Econômica Federal José Carlos Batista (apontado como agiota que repassava dinheiro a juros aos prefeitos recebendo cheques das prefeituras como garantia. EM LIBERDADE Também foram indiciados em inquérito ? mas responderão em liberdade ? o ex-prefeito de Maragogi, Fernando Sérgio Lira (PSDB), os funcionários da empresa de Rafael Torres, Jussara Martins Lira, Cristina Maria Campos e Ângelo Márcio Brandão, e os funcionários de Francisco Erivan, José Erasmo e Derivande Barbosa. Também já foram liberados o gerente-geral da agência Rosa da Fonseca da Caixa Econômica Federal, Leopoldo Araújo (acusado de passar informações privilegiadas sobre as contas bancárias das prefeituras) e o proprietário da Pizza Fone, Luiz Antônio Grossi, acusado de ser agiota e emprestar dinheiro aos prefeitos recebendo em garantia cheques das prefeituras. Também integram o rol de indiciados Wilma Araújo (acusada de negociar os cheques usados no esquema), Ednilson Ribeiro de Guimarães (dono da Ingrasp, que fabricaria notas frias para a quadrilha), Teógenes Marques Gameleira Júnior (contador de Rafael Torres, líder da quadrilha) e Heleno Machado Pereira Júnior (funcionário do empresário Francisco Erivan dos Santos, braço direito de Torres). Os outros quatro que foram indiciados após prestarem depoimento como testemunhas são: a irmã do prefeito de Porto Calvo, Kaíka, Luciana Leão e Lima; Josélia Feitosa da Silva, esposa de Francisco Erivan dos Santos, sócio-gerente da empresa Correia & Sá Ltda e o empresário Kléber de Oliveira Santos, sócio da empresa K.O. Santos, empresa de fachada usada por Rafael Torres para efetuar vendas aos municípios e fraudar licitações viciadas. O último deles, o secretário de Educação de Matriz do Camaragibe, Marlon Braga, foi indiciado na sexta-feira.|LB