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Prefeito e filha s�o indiciados pela PF

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PETRÔNIO VIANA Repórter A Polícia Federal (PF) indiciou ontem mais quatro pessoas por envolvimento no inquérito que apura o esquema de desvio de recursos federais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para compra de merenda escolar e manutenção de escolas da rede municipal de ensino do interior do Estado. O prefeito de Santa Luzia do Norte, Deraldo Romão de Lima (PTB) e sua filha, a secretária de Finanças do município, Rita Pereira Lima Porto, foram ouvidos por mais de duas horas pelo delegado federal Andrei Augusto Passos, presidente do inquérito, e saíram indiciados por fraude em concorrência licitatória e formação de quadrilha. Na saída do prédio da PF, no bairro de Jaraguá, Deraldo Lima disse não ter tomado conhecimento se teria ou não sido indiciado. ?Não sei se fui indiciado. Eu fui chamado aqui para falar sobre merenda escolar, um dinheiro que eu não recebi ainda. Então, eu não posso dizer nada?, declarou. O empresário João Felipe Barros de Lima, ex-assessor e concunhado do secretário de Educação do Estado, Maurício Quintella, prestou depoimento entre as 15h30 e 18h30 de ontem e deixou o prédio da PF indiciado por corrupção ativa e tráfico de influência. João Felipe é proprietário da empresa J.J. Factoring e Fomento Mercantil, que teve documentos recolhidos pelos agentes da PF logo no dia 17 de maio, quando foi deflagrada a Operação Gabiru no Estado. Ao deixar o prédio da PF, João Felipe disse ?não ter nada com Rafael Torres ou quem quer que seja?. ?Eu não conheço as provas e não tenho nada com isso. Eu vou me defender com a verdade?, disse. O empresário declarou ainda não ter conhecimento de quais documentos apreendidos pela PF na J.J. Factoring teriam motivado seu indiciamento. ?Eu não sei nem exatamente que documentos são esses. Por enquanto, eu não sei ainda por que fui acusado?, reclamou. Sobre seu relacionamento com o secretário de Estado Maurício Quintella e as perguntas feitas pela PF nesse sentido, João Felipe foi evasivo. ?Eu não tenho nada a ver com o secretário, a não ser ser concunhado?. Segundo a Gazeta apurou o indiciamento de João Felipe foi feito com base em uma gravação telefônica na qual ele acerta o pagamento de um dinheiro por Rafael Torres. Para a PF, o dinheiro seria propina, mas segundo defesa de João Felipe a quantia se refereria a valores negociados na empresa de factoring. Outro indiciado na tarde de ontem foi José Valdeci. Ele foi acusado por formação de quadrilha, uso de documento falso e fraude em licitação. José Valdeci é irmão de Josélia Feitosa da Silva, outra indiciada no inquérito policial. Josélia é esposa do empresário Francisco Erivan dos Santos, acusado de ser um dos ?cabeças? da organização, atrás apenas do ex-prefeito de Rio Largo, Rafael Torres, maior beneficiário do esquema. Conhecido como ?Val?, José Valdeci trabalhava em uma empresa de propriedade de seu cunhado, Francisco Erivan. Segundo informações apuradas pela Gazeta, José Valdeci teria sido citado nas escutas telefônicas feitas pela PF para incriminar os acusados de envolvimento no esquema. De acordo com o advogado de José Valdeci, Gedir de Medeiros Júnior, o delegado federal Andrei Passos teria condicionado o indiciamento de ?Val? às declarações feitas por ele. ?O delegado disse que se ele falasse, não seria indiciado e se falasse, seria liberado. Acontece que, se ele falasse e estivesse envolvido, o delegado não poderia liberá-lo ou cometeria crime de prevaricação?, explicou. José Valdeci não fez declarações e acabou indiciado. Até o momento, a PF indiciou 48 pessoas por envolvimento no esquema de desvio de verbas. Elas são acusadas de corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, crime contra o sistema financeiro, crime contra a administração pública, advocacia administrativa e peculato. Depoimentos Além dos novos indiciados por envolvimento no esquema, outras duas pessoas foram ouvidas pelos investigadores da PF mas não foram indiciadas. O presidente da Câmara de Vereadores de Porto Calvo, Joel Francisco de Carvalho Filho (PMDB), foi ouvido e liberado pela PF. Nas conversas telefônicas gravadas pela PF e exibidas pelo programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, no último domingo, o prefeito de Porto Calvo, Carlos Eurico Leão e Lima, o Kaíka (PSB), comenta com Rafael Torres que o vereador estaria pressionando o prefeito para receber dinheiro. Ana Barros, secretária de Finanças do município de Girau do Ponciano, foi prestar esclarecimentos sobre um processo de licitação referente à aquisição de merenda escolar, vencida pela empresa de produtos alimentícios K.O. Santos, de propriedade de Rafael Torres e Kleber Oliveira. A empresa teve seu depósito lacrado pela PF e as investigações apontaram seu envolvimento no esquema. Segundo Raimundo Palmeira, advogado de Ana Barros, a secretária teria comprovado que a compra foi efetivada e todo o material entregue sem qualquer problema. Raimundo Palmeira explicou que, além disso, o município estava com o repasse de recursos do FNDE suspensos até o mês de maio deste ano.

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