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Fonteles elogia pris�o de autoridades

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ODILON RIOS Repórter O procurador-geral da República, Cláudio Lemos Fonteles, manifestou solidariedade aos membros do Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas que participaram das investigações que desbarataram uma suposta quadrilha que envolve prefeitos, ex-prefeitos e outros acusados de fraudar licitações para a aquisição de merenda escolar, com verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Fonteles chegou ontem a Alagoas e deu entrevista na sede do MPF alagoano. Alagoas é o último Estado brasileiro visitado por Fonteles, antes de sair do cargo, em 30 de junho. Apesar de poder ser reconduzido à função, que é nomeada pelo presidente da República, Fonteles negou interesse: ?Desenvolvo um trabalho social com comunidades carentes, com dependentes químicos e, em agosto, se Deus quiser, voltarei a me dedicar a eles?. Questionado sobre o uso de algemas em autoridades por parte da Operação Gabiru da Polícia Federal (PF), Fonteles reconheceu desconhecer ?detalhes da operação?, mas respondeu, quase profeticamente: ?Eu respondo com uma frase de Santo Agostinho: ?Não tenho nada contra o pecador, mas contra o pecado. Quando eu acuso um homem ou uma mulher, eu não acuso aquele homem e aquela mulher, não estou fazendo demagogia, não posso permitir que estes fatos se repitam, eles devem demonstrar que eu estou errado. Já acusei parlamentares que se sentaram do meu lado e que mostrei minhas denúncias para ele. Por que? Porque não tenho nada contra a pessoa??, afirmou. Ele também elogiou o trabalho da PF na Operação Gabiru e em outras realizadas no País, que, segundo ele, começam a apontar ?um ideal? à sociedade brasileira: ?Um professor meu dizia que o direito penal se volta para três ?pês?: preto, pobre e prostituta. Durante décadas foi assim e ainda hoje o é na sua maioria. ?Tem uma palavra que sumiu do cotidiano e a minha geração viveu fortemente que é o ideal. Essa palavra é tão pouco ouvida no Brasil e isso é o que move as pessoas a continuarem a caminhar, a acreditar?. Ele defendeu ainda que o parlamento brasileiro deveria fazer modificações na estrutura dos processos, para ?eliminar uma série de recursos? e tornar o processo ?célere?. Para ele, o MPF brasileiro tem dificuldades de interação entre as instâncias, ?um grande desafio? e, mais uma vez, profetizou: ?O líder tem que apresentar rotas, eu não tenho que impor nada para eles [colegas de trabalho]. O líder tem que mostrar a sua face? Ponto de vista Também participando da coletiva com o procurador-geral, o procurador-chefe do MPF, Gino Sérvio, disse que ouviu parte das gravações que supostamente incrimina os acusados na Gabiru. Cauteloso, o procurador regional disse ter tido acesso às gravações, mas não a todas, e que basicamente elas tratam da troca por notas fiscais frias. ?É algo que revolta. Quando ouvi pela primeira vez, fiquei chocado?. Sobre o balanço geral da operação e o resultado final, apontou: ?Foi apreendido muito material [pela PF] e acredito que se bem apurado tem que dar algum resultado?.

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