Política
Jo�o Caldas, do PL, se diz surpreso
LUIZA BARREIROS Repórter O deputado federal João Caldas disse ontem ter ficado ?surpreso? com as denúncias feitas pelo deputado federal Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, de que o PT pagaria um ?mensalão? de R$ 30 mil a parlamentares do PL ? partido de Caldas ? e do PP. O dinheiro seria dado em troca de acordo político para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. João Caldas disse considerar a denúncia como sendo ?uma bomba? e qualificou os fatos como ?escandalosos?. ?Todo mundo está estarrecido, sem saber o que aconteceu?, disse o parlamentar alagoano, que ontem à tarde estava em Maceió. Segundo João Caldas, somente hoje, quando chegar a Brasília, poderá se posicionar oficialmente sobre a denúncias e as conseqüências dela para o governo e as alianças com os partidos da base aliada. ?Não dá para dar um diagnóstico por notícia de jornal, sem ter conhecimento do que está acontecendo em Brasília?, disse. Caldas ? que estava no Japão, quando foram coletadas as assinaturas para o requerimento de abertura da CPI dos Correios ? não quis se posicionar quanto à necessidade ou não de ampliação das investigações, para também apurar as denúncias feitas por Roberto Jefferson contra Delúbio Soares, tesoureiro do PT, e os parlamentares do PL e PP. ?Não dá para avaliar. Depende muito das coisas que estão acontecendo lá [em Brasília]?, relatou. O deputado do PL também evitou dar opinião sobre quais seriam as intenções de Roberto Jefferson ao fazer as denúncias contra os partidos da base aliada e o próprio PT. ?Não sei, não sei, não tenho a menor idéia. E não tenho a menor convivência com ele [deputado Roberto Jefferson]. Quem deve saber é o deputado João Lyra, que é do PTB e foi citado pelo Roberto Jefferson como sendo sua testemunha em um encontro?, afirmou, referindo-se a um encontro que o presidente nacional do PTB disse ter tido com o então ministro das Comunicações, Miro Teixeira, no qual teria feito um alerta sobre o ?mensalão?. Lyra confirmou o encontro, mas negou ter ouvido Roberto Jefferson fazer comentários sobre o dinheiro supostamente pago aos parlamentares. (ver matéria ao lado). Caldas disse que a única coisa que sabe, mesmo estando em Maceió, é que ?o clima em Brasília está fervilhando?. ?Mesmo assim, estou por fora de tudo?, afirmou. Ontem, o presidente do PL, deputado federal Valdemar Costa Neto (SP) divulgou uma nota oficial à imprensa respondendo as acusações de Roberto Jefferson. Segundo a nota, as denúncias de Jefferson têm como objetivo ?confundir a opinião pública e chantagear o governo?. O presidente do PL assegura que vai interpelar judicialmente Jefferson, para que apresente provas da denúncia que fez. Sem comentários O deputado federal Benedito de Lira, único parlamentar alagoano do PP, não foi encontrado ontem pela reportagem da Gazeta para comentar a denúncia do deputado Roberto Jefferson contra os deputados de seu partido. Lira vem negociando com o governo federal a indicação da ex-deputada estadual Lucila Toledo para a superintendência regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama). O presidente nacional do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), disse ontem que o partido continua na base de apoio ao governo Luiz Inácio Lula da Silva mesmo com as denúncias de pagamentos de mesadas para deputados da base aliada. Na noite de ontem a reportagem também tentou ouvir, por telefone, o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, presidente do PT, mas ele não foi localizado. ### João Lyra nega ter sido testemunha de Jefferson O deputado federal João Lyra (PTB) rebateu ontem, no prédio da Escola Superior de Magistratura de Alagoas (Esmal), as declarações de seu companheiro de Câmara e presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson, de que Lyra teria testemunhado uma conversa entre o deputado e o então ministro das Comunicações, Miro Teixeira (PDT), sobre a distribuição de dinheiro feita pelo tesoureiro do PT a parlamentares da base aliada, principalmente do PP e do PL. O deputado negou que tivesse presenciado a conversa entre Jefferson e Teixeira. ?Essa conversa eu não presenciei. Não sei se o Roberto Jefferson, em algum momento falou com ele lá. Mas eu e o deputado José Múcio estávamos o tempo todo conversando com ele?, contou Lyra. João Lyra argumentou que o motivo que o levou ao encontro do ex-ministro foi a formalização de um convite para que Miro Teixeira ingressasse no PTB. ?Eu e o deputado José Múcio estivemos com o ministro Miro Teixeira, juntamente com o Roberto Jefferson, que é o presidente do partido, para fazer um convite a Miro Teixeira para que ele entrasse no PTB. Ele tinha saído do PDT e nós fomos lá exclusivamente para isso?. Sobre um possível rompimento com o deputado Roberto Jeferson, João Lyra foi evasivo. ?Deixa o partido resolver. O partido está resolvendo o problema, mas eu não sei como é que vai ser?, disse. O deputado não defendeu a criação da CPI dos Correios, mas disse que as denúncias de corrupção no órgão devem ser apuradas ?com CPI ou sem CPI?. Ele acredita que o futuro de Jefferson é ?imprevisível?. ?Algumas coisas só o Jefferson pode responder?, concluiu. PV ### Denúncias não são novidade, diz Heloísa A senadora Heloísa Helena (P-Sol) comentou ontem as denúncias, feitas pelo deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), de que o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, teria um suposto esquema de pagamento de deputados na Câmara. Heloísa Helena declarou ter tomado conhecimento do caso por meio da imprensa. Ela confirmou que tinha ouvido comentários, nos bastidores do Congresso Nacional, de uma ?história de R$ 1 bilhão e tanto?, que o governo estaria distribuindo para tentar impedir a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, que vai investigar o envolvimento de congressistas no esquema de cobrança de propinas dentro da instituição. A senadora acredita que somente a instalação da CPI vai poder determinar qual é o verdadeiro papel de Roberto Jefferson, do presidente Lula, de Delúbio Soares e de ?outras excelências, muitas delas delinqüentes de luxo, nesse balcão de negócios sujos?. ?O que eu acho essencial é instalar a CPI. O único instrumento com poder de investigação próprio das autoridades judiciais que o Congresso tem para fiscalizar os atos do Executivo é a CPI?, disse. Heloísa não quis analisar a situação política do deputado Roberto Jefferson. Na opinião dela, não se poderia centralizar as discussões em torno de um único congressista. ?Não são novidades as denúncias contra o Meirelles [Henrique, presidente do Banco Central], o Romero Jucá [ministro da Previdência Social], o Roberto Jefferson e a muitos outros mais. O governo Lula entregou o aparelho de Estado a muitos desses delinqüentes de luxo?, acusou. A senadora comentou a exigência, feita por alguns parlamentares da base governista que assinaram o requerimento a favor da CPI, de que sejam definidos limites institucionais para as investigações da Comissão. ?Quando falávamos em CPI, o governo Fernando Henrique dizia que éramos golpistas, arriscávamos a institucionalidade e a governabilidade. Só precisa ter medo quem acredita ou tem prova de que muitas personalidades importantes, de dentro do Palácio do Planalto, estão envolvidos nesse processo de degeneração ética e corrupção?. PV