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Mais 39 prefeituras ser�o investigadas

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PETRÔNIO VIANA Repórter A assessoria da Polícia Federal (PF) revelou na manhã de ontem que, além das 11 prefeituras já investigadas no inquérito que apura o desvio de recursos federais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para compra de merenda escolar no interior do Estado, outras 39 prefeituras que negociaram com a empresa Suevit (também conhecida como Torres e Queroz Ltda) também passarão por uma devassa. A Suevit é a distribuidora de alimentos de propriedade do empresário e ex-prefeito de Rio Largo, Rafael Torres, acusado de ser o principal beneficiário do desvio de verbas federais. Até agora, oito prefeitos e três ex-prefeitos dos 11 municípios com indícios de envolvimento no esquema estão detidos na sede da PF desde o dia 17 de maio. No total, serão 50 prefeituras investigadas, num total de 102. ?Em uma segunda etapa da Operação Gabiru, inquéritos serão abertos para investigar o envolvimento de mais 39 prefeituras com a Suevit. Serão analisados os processos licitatórios vencidos pela Suevit em todas essas cidades?, declarou o agente federal Fábio Franciolly, responsável pelo contato da PF com a imprensa. Alguns dos municípios que possivelmente serão vistoriados pela PF já tiveram sua ligação com o ex-prefeito Rafael Torres revelada com a Operação Gabiru. É o caso de Santa Luzia do Norte, cujo prefeito Deraldo Lima e sua filha, a secretária de Finanças da cidade, foram convocados para prestar esclarecimentos, na última quarta-feira, e deixaram o prédio da PF indiciados por fraude em concorrência licitatória e formação de quadrilha. A secretária de Finanças de Girau do Ponciano, Ana Barros, também compareceu à sede da PF para prestar esclarecimentos na quarta-feira passada. A secretária não foi indiciada no inquérito policial. O número de pessoas indiciadas por envolvimento no esquema de corrupção continua crescendo. Ontem, a PF indiciou o 49º envolvido (leia matéria abaixo). Associação A enorme clientela de Rafael Torres causou surpresa na sede da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA). ?Ninguém imaginava que tanta gente negociava com o Torres?, disse um funcionário que pediu para não ser identificado. A presidente da Associação, a prefeita de Feliz Deserto, Rosiana Beltrão, estava ontem em Brasília e, até o início da noite, não havia sido informada dos novos números revelados pela PF. Segundo a assessoria de comunicação da prefeita, ela estaria em Brasília tentando viabilizar o decreto de calamidade pública dos municípios atingidos pelas chuvas no mês de maio. De acordo com a assessoria, dificilmente o decreto sairá nesta semana. A assessoria não acredita que as denúncias de corrupção com verbas federais no interior de Alagoas venha a dificultar o repasse de recursos federais para os municípios. ?Quem deve ser responsabilizado pelas irregularidades são os prefeitos. Os municípios não podem ser penalizados?, afirmou a assessoria. Indiciados no esquema de corrupção saltam para 49 O presidente da Comissão Permanente de Licitação do município de Matriz do Camaragibe, Sidney Braga de Sousa, prestou depoimento, na manhã de ontem, na sede da Polícia Federal (PF). Braga foi indiciado por envolvimento no esquema de desvio de verbas federais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para aquisição de merenda escolar e melhorias estruturais nas escolas do interior do Estado. Segundo a assessoria da PF, Sidney Braga foi enquadrado nos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, uso de documento falso e crime contra a lei de licitações. Braga chegou à sede da PF por volta das 10 horas e foi ouvido pelo delegado federal Andrei Augusto Passos, responsável pela condução das investigações sobre a atuação da quadrilha. Quando se dirigia para a sala onde seria interrogado, o presidente da comissão de licitação chegou a fazer gestos obscenos para os profissionais da imprensa que acompanhavam a movimentação no prédio da PF. O depoimento durou cerca de trinta minutos, mas Braga somente deixou o prédio da PF, no bairro do Jaraguá, pouco antes das 11h30. Ele deixou a sede da PF de maneira apressada e não quis fazer declarações à imprensa. De acordo com o advogado de Braga, Gedir Medeiros Júnior, o presidente da comissão de licitação não respondeu a nenhum dos questionamentos dos investigadores federais. Braga foi a 49ª pessoa indiciada pela Operação Gabiru, que foi deflagada no dia 17 de maio e resultou na prisão de prefeitos, e ex-prefeitos envolvidos no desvio de recursos da merenda escolar. |PV ### Servidora depõe e denuncia irregularidades na Educação Na manhã de ontem a Polícia Federal (PF) ouviu o depoimento da professora e ex-presidente da Comissão Permanente de Inquérito da Secretaria de Educação do Estado (SEE), Teresa Marta Silva Rocha. Ela chegou à sede da PF, no bairro do Jaraguá, por volta das 9 horas munida de farta documentação que, segundo ela, comprova uma série de irregularidades envolvendo o repasse de recursos federais para municípios do interior de Alagoas. ?Vou esperar os questionamentos do delegado. Se ele perguntar sobre obras, eu falo sobre obras; sobre merenda escolar, eu falo sobre merenda escolar; sobre escolas fantasmas, eu falo sobre escolas fantasmas?, disse ela. A professora conversou com a imprensa enquanto aguardava ser chamada pelos agentes federais. Para dar um exemplo do conteúdo da documentação que trazia, Teresa Rocha, que presidiu a comissão entre 1997 e 2004, quando foi afastada do cargo, apresentou seis ofícios que comunicavam à SEE a constatação de seis escolas fantasmas no município de Traipu. Os ofícios foram enviados pelo secretário de Educação de Traipu, Jenner Glauber Melo Torres, que assumiu o cargo no lugar de Maria da Conceição Tavares que, segundo ela, seria a responsável pela fraude. A denúncia não teria sido suficiente para impedir que os recursos continuassem a ser repassados para essas escolas. ?O Marcos Vieira [secretário de Educação à época] sabia disso?, disse Teresa Rocha. De acordo com Teresa, quando a SEE era comandada pela deputada estadual Maria José Viana (PSB), a comissão de inquérito da secretaria nunca havia recebido orientação para arquivar processos sem justificativas plausíveis. ?Quando o Marcos Vieira assumiu, mandou logo parar o processo contra o Conselho Estadual de Educação?, disse. A comissão chegou a encaminhar um relatório mostrando a necessidade de conclusão do processo, que investigava denúncias de corrupção dentro do conselho e somente foi concluído na atual gestão da SEE. Demonstrando ansiedade em prestar depoimento, ela denunciou a conduta imprópria de dirigentes da secretaria, inclusive do secretário adjunto do órgão, Daniel Bernardes, a quem atribui seu afastamento do comando da comissão de inquérito. ?O afastamento só poderia ocorrer se eu solicitasse ou se fosse constatada a falta de decoro. Nenhuma das duas coisas aconteceu. O Daniel [Bernardes] pressionou o secretário para que eu fosse afastada porque eu não queria arquivar processos do interesse dele?, declarou A ex-presidente da comissão de inquéritos comentou que tinha 32 anos de serviços prestados na SEE e que agora aguarda a publicação, no Diário Oficial do Estado, de sua aposentadoria. Questionada se não temeria algum tipo de represália por parte das autoridades envolvidas em suas denúncias, Teresa Rocha disse apenas que, ?se todos fizessem a sua parte, nós teríamos mais educação. As coisas não estariam como estão?. |PV

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