Política
Celso Luiz se antecipa e dep�e na PF
LUIZA BARREIROS Repórter O presidente da Assembléia Legislativa Estadual (ALE), deputado Celso Luiz (PSB), depôs ontem na Polícia Federal (PF), no inquérito que apura o desvio de verbas federais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) destinadas à compra de merenda escolar pelas prefeituras alagoanas. O objetivo da convocação foi explicar a ligação do deputado com algumas das pessoas investigadas pela Operação Gabiru, como o empresário e ex-prefeito de Rio Largo, Rafael Torres, e o prefeito de Canapi, José Hermes de Lima (PDT), ambos presos na PF. Celso Luiz dará explicações em um outro inquérito na PF, sobre essas relações. O novo inquérito ? considerado um ?filhote? do caso Gabiru ? deverá ser instaurado após o envio dos autos da investigação para a Justiça, previsto para o próximo dia 15. Segundo a assessoria de imprensa da PF, o deputado esclareceu algumas dúvidas que a PF tinha, mas deixou algumas perguntas ainda sem resposta. Celso Luiz disse que dará toda e qualquer explicação para esclarecer todos os fatos. COLABORAÇÃO Ao chegar à sede da PF, às 16 horas de ontem, o deputado Celso Luiz disse apenas que recebeu um telefonema do delegado Andrei Passos convidando-o para depor na próxima segunda-feira, na condição de testemunha. ?Achei melhor vir hoje [ontem], porque eu estava disponível?, disse. Por lei, Celso Luiz poderia ter escolhido o local para depor, mas acabou abrindo mão dessa prerrogativa, e foi até a PF. Ao sair do depoimento, mais de uma hora e meia depois, Celso Luiz falou com a imprensa, sem citar o inquérito que terá que responder. Ele contou que os delegados quiseram saber se ele tinha amizade com os prefeitos e se em algum momento ele pediu que os prefeitos comprassem a Rafael Torres ? considerado o líder do esquema. ?Em momento nenhum houve influência minha?, disse. Sobre o prefeito de Canapi, José Hermes, ele disse que apoiou politicamente, mas não usou sua influência para fazer pedidos. ?Estou tranqüilo, saio consciente, acho que o dever do homem público, de dar informações, eu cumpri?. AMÉLIO Celso Luiz não quis fazer comentários sobre o indiciamento do deputado estadual Cícero Amélio. Na quarta-feira, Amélio atendeu ao convite feito pela presidência do inquérito e saiu indiciado por crimes de peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Segundo a PF, ele teria viajado para a Europa, em março, junto com Rafafel Torres e o juiz Odilon Marques Luz e as respectivas esposas, com passagens aéreas pagas pelas prefeituras de Porto Calvo e de São Luiz do Quitunde. A Operação Gabiru foi deflagrada no último dia 17 e causou surpresa no meio político com as prisões de prefeitos, ex-prefeitos, empresários e dois funcionários da Caixa Econômica Federal. Todos eles, segundo investigação da Polícia Federal, faziam parte de uma quadrilha que somente este ano teria desviado mais de R$ 2 milhões de verbas destinadas à merenda escolar e outros fins na Educação. O inquérito já indiciou, além do deputado Cícero Amélio, um procurador do Tribunal de Contas e descobriu desvio de dinheiro até para um clube de futebol - no caso, o Bom Jesus, que era bancado pela prefeitura de Matriz do Camaragibe.