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Presos continuar�o na carceragem da PF

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LUIZA BARREIROS Repórter Nem Presídio Baldomero Cavalcanti ? como queria o presidente do inquérito da Operação Gabiru ?, nem Academia da Polícia Militar, como queriam os advogados dos presos. Os 19 prefeitos, ex-prefeitos, secretários municipais, empresários e agiotas indiciados por envolvimento no esquema de desvio de recursos federais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para compra de merenda escolar no interior do Estado continuarão na carceragem da Polícia Federal em Alagoas. Pelo menos até uma nova decisão da Justiça. A decisão foi proferida na noite de quinta-feira pelo desembargador federal Marcelo Navarro, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região, no Recife. Ao negar todos os pedidos de transferência dos presos, ele acompanhou o parecer proferido na terça-feira passada pelo procurador Francisco Rodrigues dos Santos Sobrinho, da Procuradoria Regional da República na 5ª Região. O presidente do inquérito, delegado Andrei Passos, havia solicitado a transferência para o presídio e advogados de alguns prefeitos, a transferência para a Academia da Polícia Militar. Argumentos Francisco Sobrinho se posicionou contrário à transferência dos presos para o Presídio Baldomero Cavalcanti ? pelo menos nesse primeiro momento ? por considerar que quando o pedido de transferência foi feito pela PF, havia 36 presos na carceragem da PF, sendo 25 da Operação Gabiru. Hoje, como são apenas 19, foi considerado que há condições de manter os presos no local. Além disso, o procurador teria recebido informações da própria Polícia Federal de Alagoas de que teriam sido feitas algumas ?adaptações? físicas na carceragem, que teriam melhorado as instalações no local. O desembargador Marcelo Navarro teria levado em conta também o fato de a ida para o presídio prejudicar o processo, por colocar em risco o segredo de Justiça das investigações. A Secretaria de Direitos Humanos do Estado também havia feito um pleito para que a transferência fosse feita para o presídio Baldomero Cavalcanti ou para a Academia da Polícia Militar, um local que nos meios policiais é considerado ?um piquenique?, pela facilidade para receber visitas e pelo conforto das dependências. O secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, negou o pedido dizendo que ?não existe a menor possibilidade? de os detentos serem transferidos para a Academia da PM. Segundo ele, a Academia não teria condições estruturais para abrigar os detentos por um período maior do que os cinco dias da prisão temporária, já transformada em prisão preventiva. Com relação ao Baldomero Cavalcanti, a SDS argumenta que o sistema prisional está superlotado e não há como garantir a segurança dos detentos. Davino defendeu que os presos deveriam ser mantidos na sede da PF. ?No Baldomero, só se fala na chegada dos ?gabirus?. Na minha opinião, eles devem ficar na PF porque, se acontecer alguma coisa com eles em um presídio estadual, a responsabilidade vai ser do Estado?. ### Comitê cobra investigação de abuso sexual O Comitê de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes se manifestou ontem sobre as denúncias de que, entre as conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal para incriminar os acusados de envolvimento no esquema de desvio de recursos federais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para compra de merenda escolar, estariam confissões de abuso sexual de menores de idade por parte de alguns dos envolvidos. O representante do comitê nacional e coordenador estadual do comitê, Átila Correia, encontrou-se ontem com o procurador-geral de Justiça do Estado, Coaracy Fonseca. Correia pediu ao procurador que investigue as denúncias, já veiculadas pela imprensa local. Segundo Correia, o procurador de Justiça se comprometeu a solicitar, depois que o inquérito sobre o desvio de merenda escolar for finalizado, no próximo dia 15, todo o material gravado pela PF, com relação à exploração sexual de menores de idade. A intenção de Coaracy Fonseca é encaminhar as fitas e os documentos para o Ministério Público e instaurar um inquérito para apurar as denúncias. Segundo as informações que circularam pela imprensa, a exploração de crianças e adolescentes seria usada para atrair novos integrantes para a quadrilha do ex-prefeito de Rio Largo, Rafael Torres, maior beneficiário do esquema de corrupção. Seria uma ?isca? para novos clientes da Suevit, empresa de alimentos de Rafael Torres, também conhecida com Torres e Queiroz Ltda. Correia informou que na próxima segunda-feira, o comitê vai protocolar um requerimento na Assembléia Legislativa do Estado (ALE) cobrando a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias. PV

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