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PF conclui inqu�rito indiciando mais um

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ODILON RIOS Repórter A Polícia Federal (PF) indiciou ontem o último acusado na Operação Gabiru: o ex-prefeito de Porto Calvo, Jorge Cordeiro. Ele foi indiciado por formação de quadrilha, falsidade ideológica, uso de documento falso e crimes contra a lei de licitação, após prestar depoimento ontem à tarde. A Operação Gabiru desmantelou uma suposta quadrilha liderada pelo comerciante e ex-prefeito de Rio Largo, Rafael Torres, acusada de fraudar licitações para aquisição de merenda escolar, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O depoimento do ex-prefeito durou uma hora e trinta minutos. Na saída, Cordeiro negou o indiciamento, mas alegou ter sido ?injustiçado?: ?Eu esclareci tudo?, disse, completando: ?Gasto errado não teve de qualidade nenhuma?. Não foi o que pensou a Polícia Federal. Segundo apurou a reportagem, o ex-prefeito não soube responder quem fornecia a merenda escolar para a prefeitura na época de sua gestão. Mas segundo as investigações da PF feitas com base em documentos apreendidos na sede das empresas de Rafael Torres era uma das empresas utilizadas pelo empresário no esquema a responsável pelo fornecimento. Não só isso. A PF acredita ter provas de que o processo de contratação da empresa se deu de forma fraudulenta com o favorecimento das empresas de Torres. Além disso, as investigações comprovaram que o posto de combustível registrado em nome da filha de Cordeiro era o único responsável pelo fornecimento de combustível para a prefeitura de Porto Calvo, durante a gestão dele. No depoimento de ontem, Cordeiro admitiu que o posto é de sua propriedade. Na atual gestão do prefeito Carlos Eurico Leão e Lima, o Kaíka (PMDB) - que está preso na PF - o posto de Cordeiro não mais fornece combustível. Os dois são adversários políticos. Hoje pela manhã, o presidente do inquérito que apura o desvio de recursos para a compra da merenda escolar, Andrei Passos, concede entrevista coletiva sobre a Operação Gabiru, na sede da PF. Ontem, durante uma homenagem promovida pelo Sindicato dos Policiais Federais à senadora Heloísa Helena (P-SOL), o presidente do inquérito disse ter ficado ?surpreso? com o esquema, que tinha também a participação de prefeitos e ex-prefeitos, hoje presos na carceragem da PF alagoana. ?Nos causou surpresa a naturalidade como acontecia a fraude; o cinismo, a certeza da impunidade?, afirmou o delegado. Segundo o delegado, a apresentação do inquérito amanhã não implica a liberação dos acusados, que estão presos desde o dia 17. Ele também não descartou a existência de novos inquéritos, que vão além das denúncias de desvio de merenda escolar, mas não adiantou detalhes sobre as novas linhas de investigação. Os indiciados pela Operação Gabiru responderão na Justiça por vários crimes: corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, crime contra o sistema financeiro, crime contra a administração pública, advocacia administrativa e peculato. Até ontem, estavam presos na carceragem da PF oito prefeitos, quatro ex-prefeitos, secretários municipais entre outros acusados de corrupção. Com os acusados, foram aprendidos 115 mil dólares, 20 mil euros, 60 mil reais, 58 carimbos, 2 milhões de reais em cheques, esmeraldas, seis revólveres, três pistolas e cinco espingardas, além de um cofre.

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