Política
MST pro�be trabalhadores de cultivarem cana em usina
ODILON RIOS Repórter Enquanto o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária de Alagoas (Incra) tenta chegar a um acordo com o proprietário das terras da usina Agrisa, o empresário Nivaldo Jatobá, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que terá 20% dos 21 mil hectares das terras para fins de reforma agrária, já decidiu: não irá plantar cana-de-açúcar na propriedade, mesmo recebendo parte da usina para a produção de açúcar e álcool. A determinação foi feita ontem pelo coordenador nacional do MST, João Pedro Stédille. ?Não vamos plantar cana, mesmo com a usina pronta. Isso é problema de quem fez?, disse Stédille, que esteve ontem em Alagoas participando do Fórum de Reforma Agrária, organizado pelo MST. Perguntado sobre o que seria plantado nas terras, o líder do MST falou que seria feita uma consulta a agrônomos alagoanos. ?O potencial agrícola é muito grande. Dá para produzir de tudo?, afirmou. No Incra, a atitude do MST, em não plantar cana-de-açúcar nas terras da Agrisa, é encarada como uma forma do movimento em não reconhecer que perdeu parte da propriedade para outros movimentos sociais que lutam pela terra. O movimento não teria acreditado que as terras da Agrisa seriam um dia repartidas e acabou ocupando outras em diversas áreas no Estado. ?Evidentemente, cada agricultor pode continuar a produzir dois hectares de cana, isso não faz mal. O que faz mal é a monocultura. Se ela é perigosa e leva à falência os grandes, imagine o pequeno agricultor?, disse o membro do MST. Não há prazo para o fim das negociações entre o Incra e o proprietário da usina. As terras da Agrisa são vistas como uma tábua de salvação para a atual diretoria do Incra, que espera não ser exonerada se as terras forem distribuídas aos movimentos sociais que lutam pela terra. Em março deste ano, o MST pediu a queda da atual diretoria do instituto, alegando que estaria privilegiando outros movimentos. Há um acordo em curso para a exoneração de três diretores. O atual superintendente, Gino César, fica no cargo.