Política
F�rum tentar� reaproximar sem-terra
ODILON RIOS Reporter As divergências entre os movimentos sociais que lutam pela terra em Alagoas parecem estar perto do fim, com a criação, na semana passada, do Fórum em Defesa da Reforma Agrária, que reúne sindicatos e membros de três movimentos: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Quatro movimentos pedem terra em Alagoas. O fórum terá sede na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). O Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), por enquanto, está fora no fórum, por resistência do MST. ?É uma questão de tempo superar isso?, creditou o coordenador estadual da CPT, Carlos Lima. Ex-membros do MST racharam com a direção e fundaram o MLST. A divisão ficou mais evidente em março, quando o MST ocupou a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária de Alagoas (Incra-AL) pedindo a saída do superintendente, Gino César. Além do prédio do Incra, o Movimento ocupou a Praça Sinimbu. Dias depois, o MTL e o MLST ocuparam a Praça Centenário, para defender a permanência de Gino César no instituto. ?Não tínhamos maturidade e transpareceu à sociedade que estávamos em disputa?, justificou Carlos Lima. O coordenador estadual do MTL, Rafael Simão, reconhece que existem três problemas que contribuem para a divisão: pouco dinheiro para a reforma agrária, a disputa pela terra e a divergência ideológica. ?Por isso nós criamos o fórum, para discutirmos a reforma agrária?, considerou. Outro dirigente do MTL, Valdemir Agustinho, disse que o fórum foi o resultado de uma análise sobre a opinião da população a respeito dos sem-terra. ?Avaliamos pelo fórum como a população ficava distante em relação à reforma agrária?, afirmou. Segundo os movimentos, a prisão de quatro líderes do MST alagoano motivou a necessidade de reaproximação. Os sem-terra foram presos em 26 de abril e liberados 14 dias depois. Um ponto em comum atinge todos os movimentos: a tensão no campo entre os jagunços que protegem as terras dos grandes proprietários e a burocracia para a liberação de uma área considerada improdutiva para reforma agrária. A disputa por terras no campo matou, nos últimos 17 anos em Alagoas, 38 sem-terra, mas estes números parecem estar distantes da disputa interna pelo poder de um movimento. A guerra pelo poder vai bem além do campo e se transformou em uma disputa interna pela chefia do movimento. O objetivo é retirar membros de um movimento e encaixá-los em outro. Exoneração Enquanto os movimentos tentam se aproximar, o Incra estadual tenta descascar um abacaxi antigo: a exoneração de três diretores dos cinco membros da cúpula do instituto, uma exigência feita pelo MST, no mês de março, ao superintendente nacional do órgão, Rolf Hackbart, que esteve em Alagoas para administrar a crise entre o Movimento e o Incra alagoano. Um nome está acertado para exoneração, que pode acontecer neste mês ou no mais tardar em julho: o superintendente adjunto, Marcos João. Os outros dois são o ouvidor-geral do Incra alagoano, Valdivan Raimundo, e seu adjunto, Wilson Macário. O maior foco de discordância é com Marcos João. A saída dos dirigentes é encarada como uma alternativa política, para tentar desviar a atenção do MST, que pede a ?cabeça? do superintendente Gino César e, ao mesmo tempo, acelerar o processo de aquisição da usina Agrisa. Vinte e um mil hectares de terras da usina podem aliviar a tensão entre Incra e MST. Ainda assim, em visita a Alagoas na última sexta-feira, o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédille, não descartou que o Movimento pode reagir, caso Gino César continue na direção do órgão. Considerada a mãe dos movimentos sem-terra, a CPT organiza uma missa, na Catedral Metropolitana, no dia 22, para comemorar os 30 anos de fundação da comissão. A missa também pode funcionar como estratégia de reaproximação dos movimentos.