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Quadro pol�tico em Alagoas d� novo giro

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ODILON RIOS Repórter O presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB), está cada vez mais próximo de desistir da disputa pelo governo estadual no ano que vem. Assessores mais próximos do senador já descartam a possibilidade; no Palácio Floriano Peixoto, o nome de Calheiros não é mais ventilado para 2006, pelo menos na esfera estadual. Publicamente, porém, o governador Ronaldo Lessa (PDT) ainda sustenta a candidatura do presidente do Senado. ?Supostamente sim. Renan será candidato. Ele deixou para tratar deste assunto em fevereiro, mas sempre deixou transparecer que recebe com muita honra a sugestão de ser governador. Ele diz que é o sonho da vida dele?, disse Lessa, na última quinta-feira, enquanto visitava com o prefeito Cícero Almeida (PTB) as obras de conclusão do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. Nos bastidores do Palácio, porém, o governador não estaria mais acreditando na idéia de Calheiros disputar o governo. Com o estouro da Operação Guabiru em Alagoas e o escândalo do ?mensalão? em Brasília, o presidente do Senado começou a ser visto como um administrador de crises. O PMDB não tem atacado o governo federal e sim apenas pedido a apuração de denúncias, ponto de vista exigido até pelos petistas. A idéia ventilada no último mês é que Calheiros deve disputar a reeleição ao Senado e somente depois voltaria seus olhos para a cadeira do Palácio. Também foi cogitado a candidatura dele a vice do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa provável disputa à reeleição em 2006. Esse assunto, entretanto, foi deixado de lado, em Brasília, por causa das crises no Palácio do Planalto. Há uma explicação para a mudança de planos de Calheiros, como apurou a Gazeta. Disputando a vaga ao governo, Calheiros seria esquecido do cenário federal, enquanto Lessa, se for eleito senador, facilmente conquistaria espaço entre lideranças nacionais e teria um discurso agregador das esquerdas no país, ao mesmo tempo aliado do governo Lula. Em novembro do ano passado, quando esteve em Alagoas, Lula teria dado uma missão a Lessa: ser um articulador das esquerdas do Nordeste. Na época o governador estava no PSB, partido aliado do governo federal, o que não ocorre agora. O presidente Lula deve retornar ao Estado em julho para inaugurar o Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. EFEITO HELOÍSA O sonho de Lessa ao Senado, porém, pode ser perturbado pela escolha política da senadora Heloísa Helena (P-Sol). A crise em Brasília deu fôlego à senadora, que reavalia a possibilidade de não mais disputar a Presidência da República. Tentaria novamente o Senado. Ela - e não Lessa - poderia ser a unificadora das esquerdas e dos intelectuais que abandonaram o PT. Heloísa Helena vai escolher um entre três caminhos: disputar o governo estadual, o Senado ou a presidência da República. Pesquisa do DataFolha mostra a senadora alagoana com 3% de preferência numa eventual disputa à Presidência da República. PACTO POR ALAGOAS Ainda assim, a distância política de Renan Calheiros no Estado não acabaria com o ?pacto por Alagoas?, integração de forças políticas antagônicas visando às eleições de 2006 e que teria como candidato natural o governador Ronaldo Lessa ao Senado. Nas articulações, o deputado federal João Lyra (PTB) voltaria a ser o possível candidato ao governo. A senadora está fora do ?pacto?. Na periferia política, porém, há uma movimentação em torno de outros nomes: do presidente da Assembléia Legislativa Estadual, deputado Celso Luiz (PSB), e da ex-prefeita e atual secretária de Saúde, Kátia Born (PSB). As articulações são para tentar convencer Born a desistir do governo e tentar uma vaga na Câmara Federal. Celso Luiz, por sua vez, continua disposto a disputar o governo, mas teria pouco apoio da ala lessista, preocupada em eleger o governador ao Senado. Sobra o vice-governador Luis Abílio, presidente do PSB alagoano. Marqueteiros do Palácio não trabalham mais Abílio como um nome viável a governador ano que vem. Outdoors, que antes se espalhavam na cidade mostrando Lessa e Abílio juntos são discretamente retirados e, no lugar deles, são expostos os de Lessa e do presidente estadual do PDT, Geraldo Sampaio, que sumiu da mídia. Prova de que o vice-goverandor é descartado das negociações está na aproximação de Lessa com prefeitos alagoanos. Abílio não é visto nestes encontros e, possivelmente, teria uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, articulada por Lessa. Como conselheiro, Abílio ficaria no cargo até o final da vida, com um bom salário: atualmente R$ 11 mil, fora gratificações.

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