Política
Areias pede habeas-corpus para 3 presos
PETRÔNIO VIANA Repórter O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Geraldo de Oliveira Medina, recebeu na manhã de ontem pedidos de habeas-corpus dos prefeitos licenciados Neiwton Silva (PDT), de Igreja Nova, e Paulo Roberto de Oliveira (PPS), de São José da Laje, além do secretário de Finanças de Branquinha, Fernando Baltar Maia. O três são acusados de envolvimento no esquema de desvio de verbas federais para compra de merenda escolar no interior do Estado e estão presos na carceragem da Polícia Federal (PF), no bairro de Jaraguá, desde o dia 17 de maio, quando foi desencadeada a Operação Guabiru em Alagoas. Esses foram os primeiros pedidos de habeas-corpus encaminhados ao STJ desde que o inquérito final sobre as atividades da organização criminosa foi entregue pelo delegado federal Andrei Passos, que comandou as investigações, ao desembargador federal Marcelo Navarro, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife. Os pedidos foram impetrados pelo advogado José Areias Bulhões, por meio do escritório de advocacia de seu irmão, Antônio Nabor Bulhões, em Brasília, na última terça-feira e, ontem, chegaram às mãos do ministro do STJ. O advogado explicou que os argumentos usados por ele para justificar o pedido de habeas-corpus são muitos, entre eles, o fato de todos terem residência fixa comprovada, não terem antecedentes criminais e terem sido presos para investigação, sem que houvesse qualquer condenação. Segundo a assessoria do STJ, o ministro Paulo Medina vai analisar o pedido, mas ainda não existe uma previsão de quando a sentença pode ser divulgada. Até agora, dez pedidos de habeas-corpus dos envolvidos no esquema de corrupção foram apreciados pelo TJ. Todos foram negados. No início da operação da PF, os advogados reclamaram da falta de informações sobre as acusações feitas aos prefeitos, ex-prefeitos, empresários, agiotas e funcionários públicos envolvidos nas atividades criminosas. Com a entrega do relatório final do inquérito ao Ministério Publico Federal, poderá cessar o segredo de Justiça que cercava o processo e, dessa forma, os advogados poderão ter acesso aos autos e, assim, interferir na instrução criminal. ### Ex-prefeito tem alta e volta para a prisão O ex-prefeito de Japaratinga, José Aderson da Rocha Rodrigues (PTdoB), preso pela Polícia Federal (PF) no dia 17 de maio por envolvimento no esquema de desvio de recursos federais para compra de merenda escolar no interior do Estado, recebeu alta, no final da manhã de ontem, do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Maceió, onde estava internado desde a madrugada da última sexta-feira. O ex-prefeito foi levado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital depois de sentir dores no peito dentro da carceragem da PF. Segundo informações obtidas pela Gazeta, Aderson teria passado mal depois de receber a notícia, com dias de atraso, do falecimento de seu pai, ocorrido no último dia 14. José Aderson foi internado na UTI coronariana da Santa Casa com o diagnóstico de crise de angina. A angina é causada pelo estreitamento das artérias que conduzem sangue ao coração, e a dor é sinal de que o órgão está recebendo uma quantidade de sangue menor do que a necessária para funcionar normalmente. O ex-prefeito havia deixado a UTI coronariana ainda na tarde de sexta-feira passada. Na manhã da última segunda-feira, o ex-prefeito foi submetido a um cateterismo cardíaco. QUARTO COMPARTILHADO Durante os cinco dias em que esteve internado, José Aderson dividiu o mesmo apartamento do hospital com o prefeito afastado de Marechal Deodoro, Danilo Dâmaso (PMDB), e com o empresário Francisco Erivan dos Santos, ambos acusados pela PF de envolvimento no esquema de corrupção e também presos na carceragem da PF desde o dia 17 de maio. Dâmaso e Erivan continuam internados na Santa Casa, sem previsão de alta médica. O prefeito afastado foi internado com dores pré-cardiais no último dia 14. Ele foi submetido a uma angioplastia coronária e agora recupera-se de uma reação hepática aguda provocada pelos medicamentos administrados pela equipe médica do hospital. Francisco Erivan, acusado de ser o segundo homem na hierarquia da organização criminosa, foi internado na madrugada da última segunda-feira com cólicas renais. O empresário tem histórico de cálculo renal, e a suspeita dos médicos é de que ele esteja apresentando o mesmo problema. |PV