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Paulo Corintho � cassado em definitivo

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LUIZA BARREIROS Repórter O mandato do vereador eleito por Maceió Paulo Corintho (PV) foi cassado definitivamente ontem pela Justiça Eleitoral, por abuso de poder econômico e compra de votos na eleição de 3 de outubro. A decisão foi tomada pelo juiz da 3ª Zona Eleitoral, James Magalhães de Medeiros, o mesmo que ontem também decretou a inelegibilidade do governador Ronaldo Lessa (PDT) e prefeito Alberto Sextafeira (PSB) pelo período de três anos. Corintho é politicamete ligado ao governador Ronaldo Lessa (ver matéria na página 3). Na sentença final da Ação de Impugnação de Mandato Eletivo movida contra Paulo Corintho, o juiz James Magalhães também determinou que o primeiro suplente da coligação do vereador cassado, Damásio Ferreira (PTB) permaneça empossado e exercendo o mandato, agora de forma definitiva. Damásio assumiu a cadeira de Paulo Corintho no dia 1º de janeiro, um dia depois de o vereador eleito ter sido proibido pela Justiça Eleitoral de tomar posse na sessão solene realizada no primeiro dia do ano. Na época, a decisão provisória foi dada pelo juiz plantonista Celyrio Adamastor Tenório Accioly. A Justiça Eleitoral tomou como base para cassar Paulo Corintho matérias publicadas pela imprensa e veiculadas na televisão, nas quais cabos eleitorais do candidato disseram que Paulo Corintho prometeu pagar R$ 30,00 por cada voto. O esquema acabou sendo descoberto e denunciado à imprensa porque o candidato teria prometido a cabos eleitorais efetuar o pagamento pelos votos após a eleição, mas não teria cumprido o acertado. No dia 5 de outubro, um dia após a divulgação do resultado, uma verdadeira multidão de eleitores, irritada com o não pagamento da quantia combinada, foi para a frente do comitê do candidato, na Ponta Verde, para cobrar o dinheiro que teria sido prometido pelos votos. Todos os eleitores usavam uma pulseira plástica ? como nome e número do candidato ? que deveria ser usada no dia da eleição e depois trocada pelo dinheiro prometido pelo candidato, segundo as denúncias. A sentença do juiz James Magalhães tem 45 laudas. Segundo ele, as provas juntadas ao processo pelos autores da ação ? PSDC e PTdoB, partidos da coligação de Paulo Corintho ? são completas e integrais, ?demonstrando veracidade do fato?. ?A prova é perfeita e convincente, além de robusta e forte?, disse. Uma delas é uma fita de um programa de televisão que reproduz as cenas vivenciadas no momento em que os eleitores foram ao comitê para tentar receber o dinheiro prometido. Em uma das entrevistas, uma eleitora contou que o candidato foi à sua casa e disse que ia pagar R$ 300,00 para ela e R$ 30,00 para cada pessoa que ela conseguisse para votar nele. Ela disse ter conseguido 33 títulos, mas o candidato só levou para ela, no sábado, R$ 330,00. Ainda segundo o depoimento da cabo eleitoral, as outras pessoas foram receber a quantia na porta de sua casa. ?Eu não sei mais o que é que eu faço, porque o Paulo Corintho ganhou as eleições. Ele soube procurar a gente para trabalhar para ele. E por que não está sabendo pagar??, disse ela, na entrevista quer serviu de prova. Na matéria, as pessoas contaram que o candidato ? que foi eleito com 3.967 votos ? comprou cerca de dois mil votos. Mas nem todos ficaram sem receber. Na matéria, foi mostrado o depoimento de uma senhora, identificada como D. Maria José, que disse ter recebido os R$ 30,00 na sexta-feira anterior à eleição. ?Ele pagou trinta. Graças a Deus. Tô feliz, né??, comentou. Também faziam parte das provas dois termos de declaração prestados por eleitoras atestando ter recebido a promessa de compra do voto pelo candidato Paulo Corintho. ### Defesa diz que testemunhas negaram tudo O advogado Adriano Soares da Costa disse ontem que recorrerá ao TRE contra a cassação de Paulo Corintho. No recurso inominado, ele demonstrará que a pessoa identificada como sendo a ?testemunha-chave? da suposta compra de voto, Glaucineide Santos, negou na Polícia Federal e na Justiça Eleitoral ter recebido dinheiro do então candidato. Para ele, todas as testemunhas foram arregimentadas pelo suplente Damásio Ferreira, com a intenção de assumir a vaga do titular. Segundo Adriano Soares, Glaucineide Santos disse que só depôs afirmando ter recebido o dinheiro de Corintho porque teria sido procurada por Damásio Ferreira e recebido R$ 50,00. ?Ele inclusive está respondendo a inquérito sob a acusação de aliciamento de testemunha?, observou o advogado. Adriano Soares disse ainda que nos autos Damásio Ferreira que preparou as declarações de duas testemunhas: Glaucineide Santos e Izadora Furlan Cavalcante, que depôs em juízo dizendo ter assinado um documento enviado pelo motorista de Damásio Ferreira identificado como Clóvis. ?Todos as pessoas que deram entrevista ou aparecem de costas ou com o rosto encoberto. Eles não têm valor legal porque a Constituição veda o anonimato, a não ser que tivessem sido ouvidas em juízo?. Damásio Ferreira disse ontem que a decisão tomada pela Justiça Eleitoral era a mais lógica diante das provas existentes. Ele disse ainda que apesar de ainda haver a possibilidade de mudança nos recursos, está confiante na conclusão do mandato de vereador. ?Foram vários os recursos tentados por ele para tentar assumir o mandato, sem que tivesse conseguido sucesso?, disse. Quanto às acusações feitas contra ele em relação às testemunhas, Damásio disse que está sendo vítima de uma campanha orquestada por Paulo Corintho e que apenas obteve elementos que comprovassem as denúncias feitas pela coligação. |LB

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