Política
Benedito de Lira: se houve mensal�o no PP, haver� puni��o
PETRÔNIO VIANA Repórter As denúncias feitas pelo presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ) sobre o suposto esquema de pagamento do mensalão pelo PT a parlamentares da base aliada em troca de apoio político a projetos de interesse do governo federal, causou revolta, indignação e expectativa - ou medo - em membros do Congresso Nacional. Entre os parlamentares mais preocupados estão os do Partido Liberal (PL) e do Partido Progressista (PP), do presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcante. Os dois partidos foram apontados por Jefferson como sendo os maiores beneficiários do mensalão. No último dia 14, Jefferson repetiu suas acusações ao Conselho de Ética da Câmara. O deputado reafirmou que não dispõe de provas para sustentar suas denúncias, mas voltou a apontar o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, como um dos cabeças do esquema. Segundo Roberto Jefferson, além de Delúbio, o presidente do PT, José Genoíno e o ex-ministro e deputado José Dirceu teriam conhecimento da distribuição de dinheiro a parlamentares do PP e do PL. Com suas denúncias, Jefferson conseguiu desviar o foco das atenções das irregularidades constatadas nos Correios, que atingiam fortemente o PTB e o próprio Jefferson. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) já foi instaurada no Congresso para investigar as denúncias de corrupção na estatal. Desmentidos Nas suas acusações sobre o esquema do mensalão, Jefferson citou como testemunha o deputado federal alagoano João Lyra (PTB). Segundo o presidente do PTB, Lyra e o deputado José Múcio (PTB-PE), líder do partido na Câmara, teriam presenciado uma conversa entre Jefferson e o ex-ministro das Comunicações, Miro Teixeira (PT-RJ) onde Jefferson teria relatado a situação. João Lyra negou que o assunto tivesse sido tratado naquela ocasião e disse que o tema do encontro foi o convite feito ao ministro para que ele entrasse no PTB. O deputado José Múcio também negou que tivesse presenciado qualquer reunião onde o assunto tivesse sido discutido, mas confirmou que estava com Jefferson quando ele falou sobre o mensalão com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o depoimento de Jefferson ao Conselho de Ética da Câmara, o líder da bancada federal alagoana, deputado Benedito de Lira (PP), solicitou ao presidente do PTB, partido pelo qual foi eleito em 2002, que relembrasse o contexto de sua saída do partido, ocorrida em abril de 2003, para filiar-se ao PP. A intenção do deputado alagoano era deixar claros os motivos que levaram a essa mudança de partido, afastando as suspeitas de que teria deixado o PTB para passar a receber o mensalão pelo PP. O deputado Roberto Jefferson disse lembrar-se dos fatos que levaram Benedito de Lira a ingressar no PP, discutidos em três reuniões entre o deputado federal José Carlos Martinez - presidente do PTB na época, falecido naquele ano - João Lyra, Jefferson e o próprio Benedito. O presidente do PTB declarou que o parlamentar alagoano não estaria envolvido no esquema de pagamento e que teria deixado o partido por ?incompatibilidade política? com o deputado João Lyra, que, depois de eleito, teria passado a controlar a maior parte dos diretórios municipais do PTB em Alagoas, inclusive nas cidades onde a concentração de eleitores de Benedito é maior. ?FALTA ESPAÇO? O deputado Benedito de Lira nega que tivesse ocorrido qualquer tipo de atrito entre ele e João Lyra. ?Não houve atrito. Nós [Benedito, João Lyra, Jefferson e Martinez] nos reunimos três vezes para tratar desse assunto. A questão é que o espaço para os dois [ele e Lyra] dentro do partido era estreito?, disse Benedito, em entrevista por telefone à Gazeta na última sexta-feira. Segundo o deputado, ?não havia como conciliar os interesses dos dois dentro do PTB. Também não dava para disputar espaço?. Benedito de Lira disse não ter ficado preocupado com o fato de as suspeitas recaírem sobre ele, assim como sobre todos os parlamentares do PP. ?Todos sabiam que o motivo da minha saída do PTB era esse [a disputa interna por espaço]. Não cheguei a ficar preocupado?, declarou. O deputado afirmou ter tomado conhecimento dos pagamento feitos por Delúbio Soares através das denúncias feitas por Jefferson. ?Nunca tinha ouvido nada a respeito disso. Eu, assim como uma centena de deputados, desconhecia totalmente esse esquema?, comentou o coordenador da bancada alagoana. Sobre o que pode acontecer aos parlamentares do PP que recebiam a mesada, caso as acusações de Jefferson venham a ser comprovadas, Benedito de Lira disse que, muito provavelmente, o que vai acontecer é a perda dos mandatos. ?Agora o Jefferson vai ter que provar o que está dizendo. Falar é uma coisa, provar é outra. Não dá para acusar sem comprovar as acusações. Ele [Jefferson] deverá ser interpelado judicialmente para apresentar as provas?, disse. ?Se ele [Jefferson] não apresentar nenhuma prova, é sinal de que pode estar mentindo e estaria sujeito a sofrer ações de reparação de danos morais?, avaliou Lira. Jefferson, no entanto, já declarou que não possui qualquer tipo de elemento incriminador contra os parlamentares acusados de receber o mensalão. ?Não tenho provas, sou testemunha?, disse em seu depoimento ao Conselho de Ética da Câmara. O deputado Benedito de Lira disse acreditar que, caso as denúncias sejam confirmadas, o PP deverá expulsar os parlamentares envolvidos no esquema antes mesmo que a Câmara vote a perda dos mandatos. ?O partido está analisando e, na medida em que forem surgindo os fatos, as expulsões deverão acontecer?, concluiu.