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Deputados evitam comentar atrito de Lessa com Lyra e TRE

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PETRÔNIO VIANA Repórter A maioria dos membros da Assembléia Legislativa do Estado (ALE) não quis comentar as acusações do governador Ronaldo Lessa sobre corrupção de juízes eleitorais e seus ataquea ao deputado João Lyra. Lessa declarou, na manhã da última segunda-feira - e repetiu ontem - que dois juízes do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) seriam ?comprados? e acusou João Lyra de ser o ?comprador?. Em suas declarações, o governador acusou o juiz da 3ª Zona Eleitoral, James Magalhães de Medeiros, de participar de uma ?folha de mensalão? no Estado. Na semana passada, o juiz James Magalhães declarou inelegíveis o governador e o secretário Metropolitano, Alberto Sextafeira, por três anos. O argumento é que, em 2004, durante um encontro com servidores, Lessa teria pedido votos para o então candidato a prefeito da capital, Sextafeira. O magistrado entendeu que houve abuso de poder político de Lessa na campanha. Cabe recurso na decisão, que é de primeira instância. O mesmo magistrado também julgou procedente a ação de impugnação de mandato do vereador Paulo Corintho (PV) por abuso de poder econômico e captação ilegal de sufrágio. Ontem, Ronaldo Lessa nomeou Corintho para a Secretaria de Esportes do Estado, o que classificou com ?uma resposta à atitude irresponsável da Justiça Eleitoral?. Lessa insinuou que o suposto esquema de corrupção seria coordenado pelo PTB em Alagoas. O partido é presidido pelo deputado federal João Lyra. ?TEM QUE APURAR? O deputado Paulo Fernando dos Santos (PT), o Paulão, preferiu não comentar as declarações de Lessa, mas enfatizou a necessidade de que as acusações feitas pelo governador sejam investigadas. ?Eu avalio que são declarações fortes que, logicamente, têm que ser apuradas. O governador fez declarações muito densas e eu prefiro que o líder do governo se pronuncie sobre elas?, disse Paulão. ?não posso falar? O líder do governo na ALE, deputado Sérgio Toledo (PSB), declarou que estava viajando e, por esse motivo, teria tomado conhecimento das declarações de Lessa apenas através dos comentários de terceiros. ?Eu não posso falar pelo governador. Não sei quais foram os motivos nem o que ele sabe. Mesmo sendo da base do governo, de um partido de sustentação do governo, não seria correto eu me pronunciar sobre uma matéria que eu não conheço. Ele [Lessa] não conversou comigo a respeito desse pronunciamento dele?, disse Toledo. Sérgio Toledo disse ainda que não poderá conversar com o governador sobre o assunto, uma vez que a ALE estaria entrando em recesso e sua pretensão era descansar, cuidar dos negócios e tratar de assuntos familiares. ?Essa é a única oportunidade que a gente tem de dar uma descansada porque vem eleição no próximo ano e, a gente voltando no segundo semestre, vai vir agora com força total já para a campanha política?, explicou. O deputado acredita que as denúncias feitas pelo governador devem ser investigadas pelos órgãos envolvidos nas acusações de corrupção. Sobre a possibilidade do TRE e da Associação Alagoana dos Magistrados (Almagis) entrarem com novo processo contra o governador, Toledo disse que ?não duvida? que isso possa acontecer. ?Qualquer cidadão pode entrar com um processo quando se sente prejudicada por alguma coisa. Isso vai depender das investigações e do andamento do processo. Ele [Lessa] vai ter que arranjar uma maneira de sustentar suas acusações ou se retratar. Se ele declarou isso, ele deve ter argumento para isso. Ele deve ter alguma coisa, porque não ia simplesmente dizer?, concluiu Toledo. ?Fases? Outro parlamentar que pouco se manifestou sobre as declarações do governador foi o vice-presidente da ALE, deputado Francisco Tenório (PPS). Na opinião de Tenório, o governador teria se excedido em suas acusações contra os juízes eleitorais. ?O governador é uma pessoa de fases. Às vezes ele extrapola as emoções e fala o que não deve. Se ele discordou de uma decisão judicial, deveria ter contestado judicialmente. Agora, ficar falando dos juízes, das instituições, com isso eu não concordo?, avaliou Tenório. O presidente do TRE, José Fernando de Lima Souza e a desembargadora Elizabeth Carvalho, presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-AL) responderam, ontem, às acusações de Lessa.

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