Política
Lessa volta a acusar ju�zes e Jo�o Lyra
LUIZA BARREIROS Repórter O governador Ronaldo Lessa (PDT) aumentou ontem o tom das críticas feitas a membros do Poder Judiciário alagoano e, pela primeira vez, citou nominalmente o deputado federal João Lyra (PTB), acusando-o de ter comprado votos nas eleições municipais de 2004. ?Todo mundo sabe que o comprador [de votos] é o João Lyra. Os juízes também sabem?, afirmou o governador. ?Se botarem uma urna no Centro de Maceió, todo mundo sabe quem abusou do poder econômico?. A compra de votos teria beneficiado as candidaturas do prefeito Cícero Almeida (PTB) e de vereadores apoiados por João Lyra. Os juízes eleitorais Celyrio Adamastor Tenório Accioly e James Magalhães de Medeiros foram acusados pelo governador de serem ?incompetentes?, ?corruptos? e de terem sido ?comprados?. Celylio Adamastor, plantonista da 3ª Zona, concedeu liminar no ano passado, proibindo a posse do vereador eleito Paulo Corintho (PV), acusado de compra de votos. James Magalhães, titular da 3ª Zona, julgou o mérito da ação, cassando definitivamente o diploma do vereador. No mesmo dia, ao julgar o mérito de outra ação, tornou Ronaldo Lessa inelegível por três anos, sob a acusação de que ele abusou do poder político (ao reunir servidores comissionados para pedir voto) com o objetivo de beneficiar a candidatura do candidato Alberto Sextafeira (PSB) à prefeitura de Maceió. Sextafeira também foi declarado inelegível na mesma ação. ?Não vai ser um juizinho de meia-tigela que vai tentar denegrir minha dignidade e minha honra?, afirmou Lessa. Ao empossar ontem, no Palácio, Paulo Corintho na Secretaria de Esportes (ver matéria na página 5), Lessa disse que a nomeação foi ?uma resposta para a cassação, que é uma atitude arbitrária e estúpida?. Segundo Lessa, o juiz que cassou Corintho ?deveria ter tomado alguma atitude jurídica contra, efetivamente, quem usou de má-fé e cometeu crime eleitoral?. Lessa admitiu que não tinha como comprovar a acusação contra Lyra e os juízes. ?Não tenho que provar nada. Todo mundo sabe que ele [João Lyra] é o trem pagador daqui, que acha que pode comprar esse Estado. Se esse juiz tomou essa atitude, na minha opinião não é atitude de uma pessoa incompetente: é uma atitude de uma pessoa comprada?, acusou, referindo-se ao juiz James Magalhães. ?Todo mundo sabe, é público e notório que houve abuso do poder econômico e o comprador desse voto é João Lyra. Acabou-se?, afirmou, de dedo em riste, na entrevista coletiva. ?Se tiver um mensalão, é ele quem está pagando?, complementou. No discurso que fez durante a posse, Lessa disse que a decisão de empossar Paulo Corintho como secretário de seu governo, mesmo após ele ter sido cassado, era ?pedagógica?. Segundo ele, Corintho é um ?advogado preparado, uma pessoa absolutamente de bem?. ?Conheço essa pessoa [Corintho] e sei da vida pregressa do juiz e com quem ele se envolveu até hoje. Entre um e outro, é mais possível o juiz ser corrupto do que o Paulo Corintho?, afirmou o governador, negando que sua decisão seja desrespeito a uma decisão do Judiciário. ?O Paulo não é condenado em absolutamente nada. O processo ainda não transitou em julgado?, argumentou. ?CORONEL DE GRAVATA? Lessa ainda acusou o deputado João Lyra de ser um ?coronel de gravata? e de ter crescido economicamente ?aterrorizando os trabalhadores em suas fazendas?. ?Ele vive tentando corromper todo mundo, diz abertamente que tinha dinheiro para comprar a eleição e que ainda vai fazer isso nas próximas eleições?, disse. O governador disse acreditar que sua cassação interessa a pessoas que não querem que ele seja candidato em 2006 - ele é pré-candidato ao Senado. ?Sabem que se eu for candidato, ganho para qualquer coisa, e aí eles têm que me impugnar para eu não ser candidato?, afirmou. O governador disse ainda que a Polícia Federal deveria abrir o sigilo bancário dos dois juízes eleitorais ?para descobrir quanto foi pago?. Ele afirmou ainda que o Tribunal de Justiça ?não deveria estar com raiva?, mas ao seu lado. ?Convoco o Estácio [Gama, presidente do TJ] e o Tourinho [Fernando Lima Souza, presidente do TRE] para limpar também o Judiciário naquilo que é podre?, disse. Ao saber que a presidente em exercício do TJ, desembargadora Elizabeth Carvalho, disse que iria interpelá-lo, Lessa respondeu que ?não tem medo de nada?: de ser cassado ou de responder a processos na Justiça. ?O que eu quero é a tranqüilidade da minha consciência?, disse. ### Lyra sobe o tom da resposta e contra-ataca governador O deputado federal João Lyra divulgou, no início da noite de ontem, através de sua assessoria, uma nota dura, na qual acusa o governador Ronaldo Lessa de ser um ?homem moralmente desqualificado?, um ?derrotado? e afirma que ?o fim de Lessa está próximo?. A íntegra Diz a nota de João Lyra: ?Lessa é um homem moralmente desqualificado, que não respeita a si, nem tampouco a honra alheia. Não vou polemizar com esse derrotado. Vou colocá-lo no seu devido lugar, o banco dos réus. Já o derrotei nas eleições e vou derrotá-lo nas próximas. O fim de Lessa está próximo?. ?Seus dias de acusar em público e desculpar-se no particular estão chegando ao fim. O povo de Alagoas em breve conhecerá a verdade sobre esse farsante imoral, que posa de estadista e homem sério?. ?Quanto à acusação de ser pagador de mensalão, Lessa está tentando inverter o jogo. Se abrirmos a caixa-preta do Palácio, ele vai direto para a cadeia?. ?Ele está acostumado a acusar e não apresentar provas. Responde a vários processos e covardemente se esconde atrás da imunidade?. ?Eu o desafio a abrir mão da imunidade para responder aos processos que vou interpor contra ele. Estou tranqüilo?. ?Toda vez que é pilhado em uma ilegalidade pelo Judiciário, o governador tenta intimidar os magistrados, fingindo destempero. Isto não é desequilíbrio, é um golpe de safadeza previamente concebido para intimidar as pessoas. Comigo isto não cola. Não tenho medo de seus ?ataques?. Sei como lidar com esse tipo de gente?.