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Lessa convoca base para avaliar crise

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ODILON RIOS Repórter Depois de viver a semana em meio a acusações e réplicas, o governador Ronaldo Lessa (PDT) convocou ontem, no final da tarde, uma reunião do Conselho Político do Estado para avaliar a crise entre o governo, o Poder Judiciário e o deputado federal João Lyra (PTB). Esta semana, o governador acusou o deputado de ser o patrocinador de um suposto esquema de mensalão para juízes e acusou João Lyra de ?comprar? eleições. ?Viemos colocar os aliados a par das coisas que estão acontecendo e ouvir o Conselho. Não vou pedir nada?, disse o governador, antes da reunião, negando que fosse pedir solidariedade aos partidos da base. Inquirido se as discussões com Lyra eram assunto do passado, Lessa respondeu: ?Comigo não; nunca tive assunto com ele [João Lyra]. É melhor colocar a questão na Justiça. Eles [membros do Judiciário] estão querendo me questionar; também vou questionar muitos deles?, afirmou o governador, que chegou a chamar juízes de ?corruptos? e ?incompetentes?. Quando o assunto era o ?pacto por Alagoas?, união de todas as forças políticas em torno da eventual candidatura ao governo estadual do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), proposta pelo senador, Lessa foi mais cauteloso: ?Essa união só tem o sentido de existir em prol de um assunto importante para o Estado. Aí, todo mundo tem que discutir não quem está de lado, mas o Estado. Acho que Renan só tinha sentido tentar unir nesse sentido?, explicou. ?Não pergunto a opinião pessoal do João Lyra, mas sobre as obras. Como pedi apoio para o aeroporto?, contou. Recentemente, o governador pediu apoio do prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PTB) para que intercedesse junto a Lyra para a liberação de verbas para o aeroporto. As verbas dependem do Ministério do Turismo, sob o comando do PTB, partido do deputado federal. Inquirido se temia ?baixo nível? na campanha eleitoral do ano que vem, Lessa sorriu e brincou: ?Sempre teve?. Ano passado, na campanha à Prefeitura na capital, Lyra e Lessa apoiavam candidatos adversários, e até um acordo entre os advogados das duas partes foi necessário para desafogar os pedidos de direito de resposta na Justiça Eleitoral. Idéia do PT Segundo Lessa, a reunião do Conselho Político foi proposta pelo PT e também teve o objetivo de discutir a crise no pais, envolvendo o deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) e membros da cúpula petista. O termo ?mensalão? virou moda com Jefferson, que acusou petistas de financiar deputados federais que supostamente votariam nas matérias do Executivo. Semana passada, os petistas alagoanos manifestaram solidariedade ao governo Lula, e ao mesmo tempo defenderam apuração das acusações. Além do PT, compõem o conselho o PDT, o PSB, o PHS, o PRP, o PV, o PCdoB e o PTN, além do líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Sérgio Toledo (PSB). O caso A briga entre Lessa e Lyra ocorreu após a decisão do juiz da 3ª Zona Eleitoral, James Magalhães de Medeiros, que tornou o governador e o secretário Metropolitando, Alberto Sextafeira, inelegíveis por três anos e cassou o mandato do vereador eleito Paulo Corintho (PV). A fundamentação do juiz, no caso dos dois primeiros, é de que Lessa teria participado de uma reunião com servidores, com o objetivo de pedir votos. Lessa e Sexta foram multados em 80 mil UFIRs. Na sentença, o magistrado classificou o evento eleitoral de ?improbidade administrativa por parte do governador? e encaminhou os autos do processo à Procuradoria Geral da República, porque Lessa tem foro privilegiado. Já com Paulo Corintho, Magalhães julgou procedente uma ação de impugnação de mandato, ou seja, ?cassar definitivamente?, como disse a sentença, por abuso de poder econômico e captação ilegal de sufrágio, além de ter considerado os fatos ?graves?. Eleitores teriam deixado de receber dinheiro que teria sido prometido por Corintho. As duas decisões são de primeira instância e todos podem recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL). ### Sem entendimento, Conselho Político marca nova reunião Com divergências entre os partidos presentes, foi marcado novo encontro. Esse foi o final da reunião do Conselho Político, que começou no final da tarde e acabou cerca de 22h. ?Teremos uma posição definitiva na próxima reunião?, disse o gestor de Articulação Colegiada, Pedro Alves. ?Houve divergências, mas o clima estava bom?, resumiu. Ficou definido que em uma próxima reunião serão discutidos quatro pontos de pauta: todos os partidos manifestam solidariedade ao governador; todos os partidos vão discutir uma pauta em comum; todos vão discutir a questão política no campo das alianças para 2006; e todos os partidos da base governista vão discutir as políticas públicas implantadas no Estado. Não há data definida para apresentação desta pauta nem quando será a próxima reunião. Não se sabe ao certo como será feita a solidariedade dos partidos ao governador, após a briga entre Lessa e o deputado João Lyra (PTB). Também ficou definido na reunião que os conselheiros irão se reunir pelo menos uma vez por mês, para discutir não só as questões sociais do Estado mas firmar o acordo para a união dos partidos da base para 2006, especialmente em torno da candidatura de Lessa ao Senado. Animosidade A Gazeta apurou, antes de começar a reunião, que o clima de animosidade entre os membros do Conselho fazia com que alguns deles se recusassem a participar da discussão, a não ser diretamente com o governador, pelo menos em alguns pontos. Maior problema é a divergência ideológica entre algumas correntes, especialmente os ?nanicos?, que querem mais espaço no governo, e partidos maiores, como PT e PCdoB. Na mesma reunião, o governador avisou que viaja a Brasília e terá sua primeira reunião com a ministra chefe do Gabinete Civil, Dilma Rousseff, para tratar de questões de interesse do Estado, como a liberação de recursos para obras estruturantes no Estado, a exemplo do Canal do Sertão. |OR

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