Política
Pal�cio cobra lealdade ao governador
ODILON RIOS Repórter O Palácio Floriano Peixoto emitiu novas orientações aos partidos da base aliada do governo estadual: manifestar, publicamente, apoio ao governador Ronaldo Lessa (PDT), depois da troca de acusações entre ele e o deputado federal João Lyra (PTB). A idéia é alimentada pelo grupo dos assessores mais próximos de Lessa, e funciona como uma espécie de teste de fidelidade: atualmente, o grupo palaciano quer saber quem, de fato, está ao lado de Lessa e quem apenas desfila nos cargos distribuídos pelo governador. A medida atinge PT, PDT, PCdoB, o próprio PSB e os ?nanicos? PRP, PV, PHS e PTN. O assunto promete causar polêmica. ?Nós vamos cobrar que os partidos da base aliada ao governo se manifestem em torno das declarações do deputado João Lyra?, disse Wellison Miranda, membro do PDT e um dos ?braços? de Lessa. ?Não são só o PSB ou o PDT que devem se manifestar sobre isso?, afirmou Miranda. Na semana passada, Lessa denunciou um suposto esquema, que chamou de mensalão - aproveitando a expressão da moda na crise política em Brasília - que seria comandado por João Lyra e beneficiaria membros do Judiciário alagoano. O deputado respondeu ao governador com um discurso duro: disse que Lessa não tinha ?autoridade moral? para atacá-lo. Lyra disse ainda que o governador tinha um ?discurso de derrotado?. Por fim, o deputado recomendou que o governador deixasse o cargo para ?se tratar?. As declarações acabaram acendendo as luzes para a disputa eleitoral de 2006 e acirrando os ânimos dos grupos que estão no Palácio e na Prefeitura da capital. A medida não vale para o prefeito Cícero Almeida (PTB) que se transformou em amigo político do Palácio e é preservado nos ataques entre Lessa e Lyra. Almeida, na semana passada, em entrevista durante uma homenagem a crianças do Programa de Trabalho de Erradicação de Trabalho Infantil (Peti) evitou tocar no assunto com a imprensa. PT AFINADO O PT alagoano tem um discurso mais afinado com o Palácio. ?Consideramos graves as denúncias [do governador]. O PT faz parte do governo, o governador é um aliado histórico do PT nacional e o PT tem uma visão de que é importante criar um mecanismo para aglutinar o maior número de partidos, principalmente do campo democrático popular?, disse o deputado e presidente do PT, Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, sem considerar a emissão de nota. ?Somos contra o projeto do João Lyra. O projeto de Lessa tem mais identidade com o PT Alagoas e o PT nacional?, disse. PV INDECISO O PV fica indeciso quando o assunto é João Lyra. ?Fazemos parte da base do governo Ronaldo Lessa, é óbvio que nessas horas a gente tem mais é que apoiar o governador e discutir de que forma a coisa deve ser direcionada. Mas, creio eu, muito entendimento vai existir?, afirmou a presidente do Instituto do Meio Ambiente (IMA), Sandra Menezes, que também é presidenta do PV. Reticente ao falar de entendimento entre Lessa e Lyra ano que vem, avaliou: ?Acredito que tudo na vida pode ser; só não tem jeito para a morte. Quanto mais aliança a gente fizer, quanto mais aliança tiver, mais a gente cresce?. Inquirida se o partido emitiria a nota condenando João Lyra pelas declarações, Sandra desviou: ?Primeiro, que não temos aqui o que condenar em ninguém. Não estou vendo uma briga simplesmente entre governador e deputado João Lyra, mas questionamentos que todo mundo tem vontade de fazer e ninguém faz. Tem que ter reforma em todos os poderes?, contou, dizendo-se ?fiel? ao governador. ### Grupo de Lyra discute sucessão hoje Enquanto os governistas amealham os seguidores do governador Ronaldo Lessa (PDT) no Palácio, do outro lado da trincheira, comandado pelo deputado João Lyra (PTB), a movimentação política começa a se intensificar neste final de semana. O deputado federal José Thomáz Nonô (PFL), que está no grupo de Lyra, resolveu assumir publicamente a proposta de se candidatar ao Senado. Começa as conversas hoje, em Pão de Açúcar. ?Seria uma honra disputar com o imbatível Ronaldo Lessa e ver se ele é imbatível?, disse Nonô, em tom provocador. Atualmente ele é vice-presidente da Cãmara dos Deputados. Defendendo a ?faxina? no governo, a proposta de Nonô não chega a ser uma novidade nos bastidores, mas pode ser um complicador numa possível idéia de Lyra disputar o Senado. Mas o próprio Lyra, semana passada, declarou à Gazeta sua intenção de disputar o governo. O Senado só seria cogitado, no caso de Lyra, se o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) desistisse do governo estadual ano que vem, mas este projeto parece estar distante dos objetivos do senador, mais preocupado com a crise em Brasília e sua possível reeleição à presidência do Senado. Nonô entra no embate contra o governador, que é pré-candidato à mesma vaga. PSB Semana passada, de maneira discreta, um dos caciques do PSB nacional, Roberto Amaral, esteve em Alagoas para conversar com Lessa. Assunto: aliança para a sucessão estadual. ?O PSB não terá candidato a governador?, resumiu a vice-presidente estadual do PSB, Kátia Born, que também é secretária de Saúde. Amaral foi um dos únicos membros do partido a defender a permanência de Lessa no PSB, depois que o governador saiu do partido para assinar, em 10 de fevereiro, a ficha de filiação no PDT. |OR