Política
L�bo � demitido de novo cargo por Lessa
LUIZA BARREIROS Repórter Duas semanas depois de ter sido exonerado do cargo de secretário-adjunto da Receita Estadual, o fiscal de tributos Evandro Lôbo foi novamente demitido pelo governador Ronaldo Lessa (PDT). Desta vez, Lôbo foi exonerado do cargo de coordenador de Estudos Econômicos Fiscais da Sefaz, para o qual havia sido nomeado por Lessa em 16 de junho, mesmo dia em que foi publicada no Diário Oficial sua exoneração da Secretaria Adjunta. O próprio Lessa admitiu que a nova exoneração foi uma punição pelas declarações dadas por ro Lôbo à Gazeta e publicadas no último domingo, segundo as quais ?o governador desconheceria os detalhes da operação de negociação dos precatórios dos servidores estaduais?. ?Ele[Evandro] é uma pessoa da casa, respeitada, eu fiz questão de agradeder o trabalho dele naquele cargo e no novo em que eu o nomeei, porque eu vou tirar ele de lá hoje?, declarou o governador na última segunda-feira, durante uma solenidade no Palácio, quando foi questionado sobre as declarações de Lôbo. ?O fato de ele ser muito competente não significa que não tenha que ter ética, e isso ele não teve. Por isso saiu?, completou Lessa. Lôbo e o ex-procurador-geral do Estado, Ricardo Méro, foram exonerados porque receberam seus créditos de precatórios. Para Lessa, por serem membros do primeiro escalão do governo, eles não poderiam ter ?furado fila? e recebido os precatórios antes dos demais servidores. Lôbo negou ter furado fila ? que segundo ele sequer existia ? e disse que, após ter conseguido comprador para seus créditos, seguiu todas as regras para negociação dos papéis. Lôbo foi um dos criadores do mecanismo de negociação dos precatórios, que permitiu ao governo quitar seus débitos com os servidores através da venda com deságio dos créditos dos precatórios a empresas privadas, que utilizam os títulos para pagar impostos ao Estado. Como poucas negociações foram concretizadas até agora, os advogados dos servidores têm priorizado o pagamento às pessoas que comprovem ser doentes graves. Mas não há qualquer impedimento a que servidores que conseguirem compradores para seus créditos o façam. Evandro Lôbo disse ter conseguido que a Telemar comprasse créditos de precatórios e que um acordo previa que os servidores da Fazenda seriam priorizados. EFETIVO Em férias desde que foi exonerado, Evandro Lôbo disse ontem, por telefone, que não pediu ao governador para ser nomeado para a Coordenação de Estudos Econômicos Fiscais da Secretaria da Fazenda. ?Não pedi para ser nomeado, só soube do novo cargo pelo Diário Oficial e nem cheguei a assumir porque tirei férias?, disse. Na época da nomeação, ele chegou a dizer à Gazeta que pensava em não assumir o novo cargo. Lôbo manteve todas as declarações feitas sobre o governador a respeito dos precatórios e de sua exoneração. ?Acho que o governador também não sabe que um fiscal de tributos, quando ocupa cargo comissionado na Fazenda, não recebe um centavo a mais, só mais trabalho?, afirmou. ?Agora ele não terá mais como me exonerar, pois para ocupar o cargo de fiscal, fui aprovado em concurso público?.