Política
Al�vio e comemora��o da liberdade
LUIZA BARREIROS Repórter A decisão do desembargador federal Marcelo Navarro, de revogar a prisão de 15 dos 19 presos pela Operação Guabiru, saiu por volta das 18 horas em Recife. Os alvarás de soltura foram enviados por fax para Maceió, chegando à sede da Superintendência da Polícia Federal em Alagoas às 19 horas. Embora existisse a expectativa de que alguns decretos de prisão fossem revogados até hoje pelo desembargador federal, muitos advogados foram pegos de surpresa pela notícia de que ontem mesmo os alvarás foram expedidos. A notícia foi mantida em segredo pelo desembargador, a ponto de alguns advogados que estavam em Pernambuco, aguardando o posicionamento do magistrado, só terem ficando sabendo da revogação por colegas que estavam em Maceió. Parentes dos presos chegaram logo no início da tarde à PF, na esperança de que ontem mesmo os presos fossem libertados. No momento em que a lista com os nomes dos quinze foi divulgada, houve muita emoção, choro e abraços entre os parentes, amigos e correligionários, que de certa forma passaram a conviver e enfrentar juntos os 51 dias de detenção. Quando os presos passaram pelo saguão da PF, a caminho do Instituto Médico Legal (IML) para serem submetidos a exame de corpo de delito, houve correria dos parentes, que queriam acenar e mostrar que estavam à espera deles. Quando as três viaturas da PF e um veículo descaracterizado deixaram o prédio da PF, e também quando chegaram ao IML, os presos ? já sem algemas ? foram aplaudidos pela pequena multidão que acompanhava a movimentação. No IML, apenas o prefeito Neiwton Silva e o ex-prefeito Jorge Dantas pararam para falar com a imprensa. Dizendo-se ?aliviado? com a revogação da prisão, Neiwton Silva afirmou que comprovará sua inocência e que até ontem não sabia o motivo de sua prisão. ?Fui preso injustamente e comprovarei isso?, disse. O advogado dele, José Areias Bulhões, foi o primeiro a chegar à sede da PF para aguardar a soltura do cliente. Muito abatido e com alguns quilos a menos, o ex-prefeito Jorge Dantas entrou no IML sem falar com a imprensa, mas na saída parou, agradeceu a Deus e disse ter certeza de que terá oportunidade de se defender e provar sua inocência. ?Até aqui, nós fomos julgados e condenados e eu certamente terei oportunidade de provar que sou inocente, porque na verdade a minha vida pública sempre foi conhecida de todos?, afirmou. Perguntado sobre o que fará a partir de agora, ele disse apenas ?que iria dar valor ao que mais importa?, citando a sua família. Na saída definitiva da PF, Dantas foi recebido pelo pai, que mesmo idoso e apoiando-se numa bengala, fez uma espécie de vigília na PF durante todo o período da prisão, visitando o filho praticamente todos os dias e se tornando um símbolo entre os familiares dos presos. Por volta das 20h30, todos os presos que tiveram a prisão revogada ontem já haviam deixado a PF junto com seus familiares. DEFESA Segundo o advogado Sávio Martins, que acompanhou o exame de corpo de delito do cliente dele, o ex-prefeito de Ibateguara José Walter de Azevedo, ?em momento nenhum houve dúvida de que a Justiça seria feita?. ?Costumo dizer sempre aos meus clientes que o cidadão não pode desacreditar da Justiça?, disse. Como todos os outros advogados, Sávio Martins disse que somente hoje terá acesso aos autos para conhecer a denúncia feita contra seu cliente. ### Antecedentes mantêm quatro na prisão As prisões do empresário e ex-prefeito Rafael Torres, do empresário Francisco Erivan e dos prefeitos Cícero Cavalcante e Danilo Dâmaso foram mantidas pela Justiça Federal em virtude de seus antecedentes de violência. A informação foi dada ontem à noite à Gazeta pelo procurador Regional da República Francisco Rodrigues Sobrinho. Segundo ele, além de ser apontado como ?cabeça? do esquema, Rafael Torres teria em seu histórico casos de suborno de fiscais e de violência. ?Ele e Erivan, pelo forte poder que detêm, poderiam eventualmente coagir testemunhas?, disse. Em relação aos dois prefeitos, pesou o fato de que, no momento em que a Operação Guabiru os prendeu, os dois tinham armas em casa. ?Danilo Dâmaso, mesmo preso, andou fazendo ameaças?, contou o procurador. CAVALCANTE CHORA Se entre os que saíram houve comemoração, o clima entre os que permaneceram presos foi de desolação. Apesar de quatro terem sido mantidos presos, apenas três deles estavam na PF quando a notícia da revogação da prisão chegou para os demais. Danilo Dâmaso está internado na Santa Casa de Misericórdia desde o sábado, quando sentiu dores no peito. Segundo fontes ouvidas pela Gazeta, no momento em que soube que permaneceria preso, a reação mais desesperada foi do prefeito de São Luiz do Quitunde, Cícero Cavalcante. Ele teria chorado muito e se isolado dos libertados, que comemoravam. Por ser considerado líder do esquema de desvio de recursos, a manutenção da prisão do empresário Rafael Torres já era esperada. A mesma expectativa também se tinha em relação a Francisco Erivan, considerado pela PF como sendo o ?número dois do esquema?, responsável pela venda de notas fiscais frias para justificar desvio de recursos públicos. |LB