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Nº 5751
Política

Esc�ndalo da propina agrava mercado e situa��o de Serra

As declarações do ministro da Educação, Paulo Renato Souza, e do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações), de que o economista Ricardo Sérgio de Oliveira teria cobrado propina de R$ 15 milhões a um dos grupos interessados em comprar a Val

Por | Edição do dia 07/05/2002 - Matéria atualizada em 07/05/2002 às 00h00

As declarações do ministro da Educação, Paulo Renato Souza, e do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações), de que o economista Ricardo Sérgio de Oliveira teria cobrado propina de R$ 15 milhões a um dos grupos interessados em comprar a Vale do Rio Doce agravou a situação do mercado financeiro brasileiro, que já não vivia os seus melhores momentos, depois das revisões de recomendações feitas pelos bancos para a compra de títulos brasileiros, na última semana, por causa da ascensão de Luiz Inácio Lula da Silva, na pesquisa de intenções de votos para a Presidência da República. A Bovespa, que chegou a cair 2,6%, fechou em baixa de 1,41%. O dólar comercial, que subiu até 1,37% pela manhã atingindo máxima de R$ 2,441, terminou o dia em alta de 0,49% a R$ 2,42. O chamado “estouro da boiada”, observado na primeira etapa dos negócios, foi uma reação à disparada do risco-Brasil, que rompeu o patamar de 900 pontos com alta de 3,5%, alcançando o maior patamar em cinco meses (910 pontos). O índice reflete a percepção de segurança que os investidores externos têm em relação a um país. Esse risco é medido pelo número de pontos percentuais de juros que determinado governo tem de pagar a mais que os Estados Unidos para conseguir empréstimos no exterior. A taxa de risco de um país afeta não apenas as finanças do governo, mas toda a economia. O Brasil permanece com o quarto maior risco-país no ranking dos países emergentes. Está atrás apenas da Argentina (4.853 pontos), da Nigéria (1.444) e do Equador (999). Os relatórios diurnos dos bancos estavam recheados de preocupações. O HSBC considerou que o caso Vale desgasta o candidato José Serra (PSDB) na corrida presidencial e pode aumentar, ainda mais, as dúvidas sobre a sua viabilidade eleitoral. Para piorar a situação, o banco de investimentos norte-americano, Goldman Sachs, em seu relatório de estratégia divulgado ontem, recomenda transferir do Brasil para o México investimentos em bancos, empresas de telecomunicação e companhias de energia elétrica. O relatório afirma: “Esperamos Lula crescer mais nas pesquisas até agosto, criando incerteza política”. As classificações do Brasil e do México não foram alteradas. Em entrevista à revista “Veja”, os ministros Paulo Renato e Luiz Carlos contam que foram comunicados do suposto pedido de propina em 1998 pelo empresário Benjamin Steinbruch, cabeça do consórcio que terminou comprando a Vale. Em dois encontros diferentes, Steinbruch contou a Paulo Renato e a Mendonça de Barros que Ricardo Sérgio, na época diretor do Banco do Brasil, estava cobrando R$ 15 milhões pela ajuda que deu para a formação do consórcio que comprou a Vale do Rio Doce, encabeçado por Steinbruch. Ricardo Sérgio fez a ponte entre Steinbruch e os fundos de pensão que entraram no consórcio e viabilizaram a compra. O ex-diretor do BB teria dito a Steinbruch que o dinheiro era um pedido dos tucanos e seria direcionado para campanhas eleitorais do PSDB.

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