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Ex-petista denuncia compra de votos

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AGÊNCIA GLOBO Goiânia O ex-petista Marco Túlio Lemes, que prestou depoimento ao Ministério Público de Goiás na terça-feira acusando o PT local de manter caixa dois com dinheiro desviado dos cofres públicos, fez novas denúncias que apontam para supostas movimentações financeiras suspeitas. Desta vez, em entrevista ao jornal O Globo, ele acusa a assessora especial da Casa Civil, Sandra Cabral, de ter buscado dinheiro em São Paulo para comprar votos e bancar a boca de urna da campanha que elegeu deputada federal a professora Neyde Aparecida, em 2002. DIRCEU Sandra trabalhou como coordenadora da campanha de Neyde Aparecida. Mulher-forte da gestão do então poderoso ministro José Dirceu na Casa Civil, onde administrava a lista de aliados que ocupam cargos federais de diferentes escalões, Sandra e Neyde integram um seleto grupo de professores que há anos controlam considerável parcela do PT goiano. Um dos expoentes do grupo é o ex-tesoureiro nacional do PT, Delúbio Soares. A petista, que até a última sexta-feira mantinha o posto na Casa Civil, era dirigente nacional da CUT antes de entrar para o governo. IDA E VOLTA Marco Túlio Lemes afirma que a viagem de Sandra a São Paulo aconteceu a três dias da eleição de 2002. Segundo ele, ela foi a São Paulo num dia e voltou no outro, de manhã, trazendo a bolsa com notas que, calcula, totalizariam mais de R$ 250 mil. Ele diz ter buscado a petista no aeroporto e admite ter participado diretamente da distribuição do dinheiro a cabos eleitorais encarregados de comprar votos na região da Grande Goiânia. ?Ela voltou com uma bolsa preta cheia de dinheiro. Tinha mais de 250 mil reais?, afirma Lemes, que diz ter rompido com o PT após ser abandonado pelo ?grupo dos professores?. ?A maioria das notas era de 50 e de 100 [reais]. Tinha até a cinta do banco. Não lembro o nome do banco, mas lembro que era uma cinta branca com letras vermelhas? - contou o ex-petista. O PT está sob investigação por suspeitas de usar dinheiro para comprar apoio de deputados no Congresso Nacional. Duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) foram criadas no Congresso para investigar as denúncias contra o partido. ### Como o dinheiro foi distribuído O ex-petista Marco Túlio Lemes disse na entrevista ao jornal O Globo que, do aeroporto de Goiânia, Sandra Cabral seguiu com o dinheiro para o comitê da campanha da professora Neyde Aparecida, então candidata a deputada federal pelo PT goiano. E que, no dia seguinte, véspera da eleição, foi feita a distribuição dos cerca de R$ 250 mil, conforme seus cálculos. ?EU MESMO PEGUEI? ?O dinheiro foi levado para o apartamento da Sandra Cabral. Ficamos até as seis horas da tarde para distribuir. O pessoal chegava e levava dinheiro e camisetas para fazer trabalho nos bairros. Eu mesmo peguei 4.500 reais para distribuir na região noroeste de Goiânia, para distribuir a pessoas que já estavam combinadas?, disse o denunciante na entrevista. Segundo Lemes, o dinheiro era para comprar votos na periferia de Goiânia com ajuda de cabos-eleitorais da candidata petista. ?As pessoas que estavam combinadas de pagar a boca-de-urna da campanha chegavam e pegavam o dinheiro e as camisetas. O esquema era pago assim: 20 reais por voto mais uma camiseta. Os responsáveis iam lá e buscavam as quantias?, afirmou. IRMÃO DE PALOCCI Marco Túlio Lemes trabalhou na campanha de Neyde Aparecida e foi diretor de transportes da companhia municipal de urbanização de Goiânia, a Comurg, quando o petista Pedro Wilson foi prefeito da capital do Estado de Goiás (2000-2004). Lemes afirma que a campanha de Neyde também recebeu dinheiro de empresas contratadas pela Comurg. Parte das doações, segundo ele, vinha pelas mãos de Adhemar Palocci, irmão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que à época ocupava cargo comissionado na prefeitura de Goiânia. Neyde Aparecida foi eleita com boa votação. Ela exerce seu primeiro mandato parlamentar e chegou a vice-líder do PT na Câmara. sem comentários Nem Neyde Aparecida nem Sandra Cabral quiseram se manifestar, até a noite da última sexta-feira, sobre as denúncias de compra de votos feitas pelo ex-petista Marco Túlio Lemes em entrevista ao jornal O Globo. Para defendê-las, as duas denunciadas destacaram o advogado Sebastião Ferreira Leite, que negou as acusações e acusa Lemes. ?Ele é um chantagista?, resumiu o advogado.

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