Política
Aldo Rebelo entrega cargo a Wagner
TÂNIA MONTEIRO Agência Estado Em solenidade fechada no gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, foi realizada ontem a transmissão, do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ao deputado Jaques Wagner, do cargo de ministro-chefe do Gabinete de Coordenação Política e Articulação Institucional, que substitui a antiga Coordenação Política. À cerimônia, liberada apenas a fotógrafos e um cinegrafista da Radiobrás, estavam presentes os ministros da Fazenda, Antonio Palocci; da Agricultura, Roberto Rodrigues; da Casa Civil, Dilma Rousseff, e da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci. Na oportunidade, segundo relato de fotógrafos presentes, Lula fez discurso afirmando que, independentemente de quantas CPIs forem instaladas, ele quer ter os seus melhores quadros com mandato eletivo no Congresso para garantir o funcionamento das duas casas do Legislativo. Aldo Rebelo, ao se despedir, disse que em nenhum momento em que esteve no cargo sentiu dificuldades e teve apoio dos ministros, mas não citou nomes. Rebelo agradeceu em discurso ?a confiança e a lealdade? do presidente Lula a ele. Ele elogiou o novo ministro da Coordenação Política, Jaques Wagner, afirmando que ?tem uma bela história de vida dedicada à luta pela transformação social.? Ele disse que sai da Coordenação Política ?confiante? naquilo que Wagner pode fazer. ?As coisas, quando mudam, mudam para melhor. O companheiro que vai coordenar o trabalho político do governo fará um bom trabalho?, afirmou. Segundo relato de presentes à posse, Lula disse que a ?vida política é uma roda-gigante que não pára de girar?. ?Acho que estamos vivendo um momento em que os melhores quadros da política brasileira precisam despontar para fazer com que a política continue da melhor forma possível?, disse Lula, segundo esses relatos. A comparação, feita quando o governo enfrenta seu momento mais difícil, com denúncias de corrupção envolvendo ex-integrantes e dirigentes do PT, foi expressa em rápido e improvisado discurso. Ontem, segundo a Agência Folha, Lula voltou a justificar a saída de ministros que têm mandato parlamentar. E citou nominalmente, além de Aldo, Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia) e Eunício Oliveira (que deixou as Comunicações). ?São três parlamentares que sempre atuaram bem juntos, e é hora de voltar para articularem a ação de nossas forças no Congresso. Para que o Congresso funcione normalmente, independente das CPIs, que trabalhe seu dia-a-dia, que faça acontecer as coisas que têm que acontecer. Porque, caso contrário, passa para a sociedade uma idéia que as coisas não estão funcionando?. ### Direitos Humanos: Lula já pode recuar Sob pressão de entidades e de integrantes da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, o presidente Lula indicou ontem ao ainda ministro Nilmário Miranda que a secretaria poderá continuar subordinada diretamente à Presidência da República. Só perderia o status de ministério. O atual ouvidor-geral da secretaria é o advogado alagoano Pedro Montenegro, filiado ao PT. Na semana passada, o Planalto anunciou que a secretaria voltaria a ser vinculada ao Ministério da Justiça. O anúncio oficial gerou uma série de protestos de entidades e movimentos sociais ligados ao tema. O MST, por exemplo, disse que o presidente Lula ?deu um tiro no pé? ao tomar tal atitude. A idéia do Planalto, agora, é ligar a Secretaria de Direitos Humanos à Secretaria Geral da Presidência, do ministro Luiz Dulci, que hoje já abriga o processo de interlocução do presidente com movimentos sociais e o recém-criado Projovem (Programa Nacional de Inclusão de Jovens). Na prática, a Secretaria de Direitos Humanos permaneceria ligada diretamente ao Planalto. A intenção de Lula é divulgar nesta quinta-feira, no Planalto, o nome do substituto de Nilmário Miranda, que deixa o cargo para concorrer à presidência do PT em Minas Gerais. A pressão na secretaria é a favor do atual secretário-adjunto, Mário Mamede. Secom Lula também pode recuar na vinculação à Casa Civil da Secom (Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica), de Luiz Gushiken. Por motivos jurídicos e pessoais (Dilma Rousseff já sinalizou a Lula o inchaço da Casa Civil), a Secom pode permanecer vinculada à Presidência, mas sem status de ministério. |AF ### Olívio insiste em ficar; Planalto adia anúncio do substituto AGÊNCIA ESTADO O presidente Luiz Inácio Lula da Silva suspendeu pelo menos até amanhã o anúncio da substituição do ministro das Cidades, Olívio Dutra, por um nome do PP, segundo assessores do Palácio do Planalto. Ainda pela manhã, representantes de movimentos de moradia popular e prefeitos de diversos partidos iniciaram uma reação contra a saída de Olívio. Militantes petistas e representantes de movimentos sociais que trabalham em cargos comissionados no Ministério das Cidades ameaçaram deixar o governo, caso o afastamento de Olívio seja confirmado. No telefonema que deu ao ministro das Cidades, por volta do meio-dia de ontem, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pediu a ele que não comentasse o assunto até esta quinta-feira, pois não havia uma decisão oficial do Palácio do Planalto. O recado de Dilma foi interpretado pelos assessores de Olívio como uma janela para a sua permanência no governo. Mas o próprio Olívio já teria deixado claro que não aceita outro cargo em troca do Ministério das Cidades. Na conversa que teve pela manhã com o presidente Lula, o ministro já rejeitou a oferta para que presidisse a Infraero. Olívio está evitando se pronunciar sobre o assunto. Lula comunicou ontem a Olívio Dutra, a sua decisão de afastá-lo do cargo. Na reunião, Lula informou também ao ministro que ele será substituído pelo atual secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Fortes. ?Estamos em stand by?, comentou um assessor do ministro. LIGADO AO PP Márcio Fortes é ligado ao Partido Progressista (PP) e já foi secretário-executivo na gestão de Pratini de Morais no Ministério da Agricultura, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. Olívio Dutra deve retornar à militância no Rio Grande do Sul.