Política
Coelho recebeu dinheiro de Val�rio
| PETRÔNIO VIANA Repórter Simone Vasconcelos, diretora financeira das empresas do publicitário Marcos Valério de Souza, acusado de ser o operador do ?mensalão?, entregou à Polícia Federal uma lista de beneficiários das remessas de dinheiro para gastos com campanhas eleitorais do PT nos Estados. Entre os nomes revelados pela funcionária de Marcos Valério está o do deputado estadual alagoano e presidente do PT no EStado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão. De acordo com Simone Vasconcelos, em 2003 foram enviados ao PT de Alagoas R$ 180 mil das empresas de Valério. Paulão negou que tivesse recebido dinheiro das empresas de Marcos Valério, e colocou seu sigilo bancário, fiscal e telefônico à disposição da Justiça. O ex-presidente do diretório municipal e atual delegado regional do Trabalho , Ricardo Coelho, responsável por coordenar as campanhas eleitorais do partido até 2002, reconheceu que recebeu ?colaboração do diretório nacional do PT? para ?pagar dívidas? da campanha do vereador Judson Cabral para governador pelo PT em 2002. Há divergência de valores: a funcionária de Marcos Valério disse à PF que mandou R$ 180 mil. Coelho disse ontem que recebeu R$ 160 mil. Gastos ?O dinheiro foi repassado em janeiro de 2003, para cobrir despesas da campanha de Judson para governador?, declarou Coelho. Segundo ele, ?metade? desse dinheiro foi depositada na conta da agência de publicidade Staff, sediada em Maceió, e a outra metade foi para ?uma conta particular?. Coelho alegou ?não lembrar? o nome do titular dessa conta. ?Ou foi na minha, ou foi na do Paulão ou foi na do Judson. Isso a gente vai ter que fazer um levantamento?, disse. Segundo Ricardo Coelho, R$ 24 mil teriam sido destinados à empresa Acauã, que confecciona camisetas, faixas e banners; R$ 21 mil teriam sido repassados aos publicitários gaúchos que elaboraram a campanha de Judson em 2002; R$ 11 mil foram pagos a ?uma empresa do Espírito Santo? responsável pela confecção de bottoms; R$ 17 mil teriam sido enviados ao gabinete do vereador Judson Cabral, para ?arcar com despesas da campanha?; R$ 5 mil teriam sido usados para pagar ?despesas como INSS? de pessoas que prestaram serviço ao PT durante a campanha; e R$ 1,8 mil para custear despesas com ligações telefônicas feitas durante a campanha, a partir dos comitês do partido. Ricardo Coelho negou que tanto Paulão quanto qualquer outro candidato do partido tivesse recebido dinheiro através das contas de Marcos Valério. O delegado regional do Trabalho disse ainda desconhecer, na época da campanha, a verdadeira origem do dinheiro repassado pela direção nacional do PT. Contatos ?Em 2002, o Delúbio [Soares, ex-tesoureiro do PT] se comprometeu a pagar os débitos da campanha do Judson aqui. Faltaram R$ 160 mil na campanha do Judson. Eu procurei o Delúbio em novembro [de 2002], no encontro nacional do PT, e ele ficou de pagar?, contou Coelho. ?Em dezembro, eu procurei o Delúbio de novo, na reunião do diretório nacional, e ele disse que ia mandar uma pessoa ligar para mim para pagar. Essa pessoa ligou, o nome dela era Soraya, e ela disse que trabalhava com o Delúbio no comitê do Lula, e disse que ia me ligar uma menina de nome Simone. Essa menina realmente ligou, falando o nome do Delúbio, e eu acreditei que realmente era do PT. Eu nunca soube que esse dinheiro não era do PT?, concluiu. Coelho comentou ainda que manteve contato com Delúbio Soares no decorrer da campanha de Judson e depois passou a tratar do envio do dinheiro com a pessoa indicada por ele. ?Simone falou comigo no dia 7 ou 8 de janeiro de 2003, dizendo que ia remeter esse dinheiro. Foi a primeira vez, e eu conversei com ela mais duas vezes, só para detalhar a operação?, contou. Em nenhum momento, de acordo com Ricardo Coelho, o diretório estadual do PT questionou a direção nacional do partido sobre a origem do dinheiro repassado. ?A nossa crença total era de que esse dinheiro vinha da direção nacional do PT. Nós não conhecíamos nem Valério, nem a SMP&B. Foi pedida nota fiscal para pagar esses débitos, a Staff deu a nota fiscal, nós levantamos as outras, mas eu nunca soube que esse dinheiro não era da direção nacional do PT. Eu fiquei tão estarrecido como os outros?, repetiu. Ricardo Coelho foi o coordenador de cinco campanhas eleitorias do PT em Alagoas, entre elas as da senadora Heloísa Helena para deputada estadual, em 1994, e para a prefeitura de Maceió, em 1996. A última campanha coordenada por Coelho foi a de Judson Cabral para o governo do Estado, em 2002. Também em 2002, Coelho assumiu a Delegacia Regional do Trabalho em Alagoas, indicado pelo PT. Ele continua fazendo parte da direção municipal do partido.