Política
TRE aponta rombo nas contas do PMDB
| ODILON RIOS Repórter A prestação de contas do PMDB, referente ao exercício de 2000, virou um jogo de acusações entre o atual diretório estadual e o ex-presidente do partido, Djalma Falcão. A primeira batalha parece ter sido perdida pelos atuais dirigentes há dois dias, quando eles tentaram reconsiderar, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL), a prestação de contas, com ?irregularidades detectadas e não sanadas?, conforme despacho publicado ontem, no Diário Oficial do Estado (DOE). A atual gestão, presidida pelo senador Renan Calheiros, tenta evitar que o partido assuma o não-recolhimento de R$ 106.216,26, da gestão de Djalma Falcão. ?Alega o partido requerente [PMDB] que a desaprovação das contas, referente ao primeiro semestre de 2000, decorreu de saques efetuados pelo gestor de finanças da grei à época, Sr. Djalma Falcão, verdadeiro responsável pelo gerenciamento administrativo e financeiro da agremiação política àquele tempo?, descreve a primeira parte do processo. No mesmo documento, o ex-presidente e advogado do partido, José Costa, sustenta que a sigla foi vítima de ?uma gestão desastrosa? de Djalma Falcão. No relatório, o juiz relator do TRE, Paulo Zacarias, aponta: ?Segundo o postulante [o PMDB estadual], este não pode ser obrigado a restituir quantia da qual não se beneficiou, pois consistiria em duplicar o prejuízo já auferido pelo partido?. Intervenção Em 2000, o PMDB sofreu processo de intervenção, a pedido do senador Renan. A decisão foi para afastar Djalma Falcão da presidência estadual da sigla, cargo que ocupava havia 20 anos. Com Falcão afastado, foi formada uma comissão para fazer uma tomada de contas especial na legenda, formada por José Costa, Afrânio Vergetti, José Wanderley Neto e Cícero Cavalcante, atualmente preso na da Polícia Federal pela Operação Guabiru. Na investigação interna, foi descoberta a não-prestação de contas, por Falcão, de pouco mais de R$ 70 mil, na época, e atualmente R$ 106.216,26. Djalma reage atacando Ouvido pela Gazeta, Djalma Falcão negou o débito e atacou Renan, seu desafeto pessoal e de quem foi suplente de senador (1994-2002). ?Em uma noite, entre junho e julho de 2000, o diretório estadual estava fechado. Pessoas a mando de Renan chegaram em uma caminhonete e levaram os documentos do partido para o escritório do senador, na rua Coronel Lima Rocha, 597, que passou a ser a sede do PMDB. Tudo foi feito clandestinamente e três meses depois, o doutor José Costa me enviou uma despesa de R$ 70 mil dizendo que eu tinha feito. Mas, todos os documentos ficaram depositados no partido?, contou Falcão. ### Direção nega ser responsável por dívida O secretário-geral do PMDB, Ricardo Santa Ritta, explicou que a não-prestação de contas no PMDB foi resultado de uma tomada de contas, após um processo administrativo da Executiva Nacional, que decidiu pelo afastamento de Djalma Falcão. ?Foi um período muito complicado para o PMDB?, lembrou Santa Ritta. ?Na época, José Costa, como interventor, constatou que Djalma não apresentou as contas e entrou com uma representação contra ele?, relatou. José Wanderley informou à Gazeta que foi pedida a documentação necessária a Falcão, mas ele não atendeu ao pedido. ?O TRE nos tratou como se fôssemos responsáveis pela dívida, e não somos?, esclareceu. Entre as irregularidades, de acordo com Wanderley, estavam saques sem destinação e funcionários contratados de maneira irregular. Não encontrados A Gazeta tentou ontem, várias vezes, localizar o advogado José Costa. Foram deixados recados em seu escritório e feitas várias ligações em seu telefone celular, mas ele não atendia às ligações e também não houve resposta do seu escritório. Afrânio Vergetti não foi localizado e Cícero Cavalcante, prefeito de São Luiz do Quitunde, preso na PF, continua incomunicável. A Gazeta também tentou falar com o presidente do Congresso, Renan Calheiros. Sua assessoria foi informada sobre o material, mas não retornou o contato até o fechamento desta edição. Djalma Falcão foi prefeito de Maceió de 1985 a 1988.|OR