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PDT re�ne c�pula em AL e critica Lula

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| ODILON RIOS Repórter Em reunião ontem em Alagoas, a cúpula nacional do PDT voltou a criticar os supostos esquemas de corrupção no governo federal e atacou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos aliados do presidente, o governador Ronaldo Lessa (PDT), evitou defender Lula no discurso aos pedetistas, apesar de, com a imprensa, ter dito acreditar que o suposto esquema não vai atingir o presidente. Para evitar uma ?saia justa? com a cúpula partidária, Lessa, em discurso de 20 minutos, reclamou a maior parte do tempo dos juízes alagoanos e das eleições ano passado, voltando a falar no ?corruptor de Alagoas?, sem mencionar nomes. ?Aqui em Alagoas é uma aberração. O escandaloso é que todo mundo sabe quem é o corruptor?, disse Lessa, em discurso exaltado para a platéia silenciosa. ?A campanha rica foi a outra. O abuso econômico foi do outro lado. Ele [o corruptor] disse que gastaria a usina que quisesse para eleger seu candidato?, reclamou Lessa, voltando a falar da campanha política do ano passado. ?Pior é comprar o Judiciário. Não se tem estes dois [juízes] como corruptos; tem outros, que não honram a toga que vestem?, disparou, ao mesmo tempo pedindo a reforma política e o financimento público de campanhas eleitorais. Em uma das poucas passagens em que falou de Lula, Lessa disse: ?Espero que o presidente esteja fora disso tudo?. Para a imprensa, apontou: ?O presidente deveria ir à ofensiva. Qual a moral do Roberto Jefferson? Se eu estivesse com a consciência tranqüila, iria para o cacete, para a porrada mesmo?. Supostas alusões ao deputado federal João Lyra (PTB) e ao prefeito Cícero Almeida (PTB) também foram feitas pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. ?Ele comprou o prefeito do meu partido antes da posse?, esbravejou, também sem citar nomes. Mais à frente, citou ?um deputado federal que disse que pagava quem quisesse?, mais uma vez sem nomear. Há dois meses, o governador teve o mandato cassado pelo juiz James Magalhães, da 3ª Zona Eleitoral, por ter reunido membros com cargos comissionados em um clube durante a campanha eleitoral. Revidando a atitude do juiz, acusou um suposto esquema de ?mensalão?, que supostamente seria coordenado pelo deputado Lyra, envolvendo membros do Poder Judiciário. ### Lessa é lembrado como pré-candidato à Presidência O PDT Nacional reuniu a sua cúpula em Alagoas em um hotel da orla da capital para fazer uma discussão sobre o Projeto Brasil Trabalhista, que é a formulação de um programa de governo para a Presidência da República, ouvindo vários estados. A proposta é que isso aconteça até o final do ano, quando o partido define um candidato para disputa a vaga em 2006. Pelo menos um nome circula nos bastidores do PDT: o do senador Jefferson Peres (AM), visto com boa atuação na CPI dos Correios. O presidente estadual do PDT, Geraldo Sampaio, apesar de estar confirmado no encontro, acabou não indo. Segundo seu filho, Juca Sampaio, Geraldo está em São Paulo fazendo check-up. O presidente do PDT teve uma infecção no fígado, causada por esquistossomose há quatro meses. Presidente, mas nem tanto No encontro, o governador Ronaldo Lessa foi lembrado como possível candidato a presidente da República. À Gazeta, Lessa disse que aceitaria: ?Aceito, sim. Mas não coloco isso como decisão agora. Estou apenas sendo lembrado?, afirmou o governador. Membros do Palácio Floriano Peixoto acreditam que essa possibilidade é descartada dos planos políticos de Lessa, que é candidato ao Senado em 2006. A hipótese é encarada como ?suicídio político?, já que a eleição ao Senado é vista como ?mais simples? que uma ?complexa? candidatura à Presidência da República. Atualmente, a concorrente mais direta de Lessa é a senadora Heloísa Helena (P-Sol). Além disso, o governador deveria assumir um discurso de oposição ao governo Lula, o que não aconteceu ontem no encontro do PDT. Lessa foi vaiado na semana passada, em um ato contra a corrupção na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, por membros do P-Sol, que lembraram que o governador, apesar de estar em um partido de oposição ao presidente da República, configura-se como ?aliado? do Palácio do Planalto. No plano nacional, o PDT tenta uma aliança com membros do PPS e PV. PPS e PDT não se afinam politicamente em Alagoas. ?Uma coisa é a realidade estadual, outra a nacional?, analisou o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, que, em discurso, lembrou que o PDT era aliado do presidente Lula, mas em 2003 se afastou da Presidência da República. ?Ele traiu a sua biografia?, afirmou Lupi, ao lembrar de Lula, falando ainda em ?epidemia? de denúncias, envolvendo parlamentares em um suposto esquema de ?mensalão? no governo federal. ?Até agora, não há comprovação direta de responsabilidade do presidente. Está muito nos arredores: está na sala, na cozinha, no banheiro, mas não chegou ao quarto. Acho muito difícil não chegar?, resumiu Lupi. Apesar da sucessão de escândalos nacionais, ele evitou falar em impeachment do presidente Lula, apesar de, nos bastidores, uma ala do PDT defender a idéia. ?O processo de impeachment não depende do partido, tem que se comprovar com responsabilidade?.|OR ### CPI termina em setembro, prevê líder Os trabalhos da CPI dos Correios, que investiga denúncias de corrupção na estatal e que acabaram descambando para um suposto esquema de ?mensalão? supostamente englobando membros do governo federal e parlamentares da base aliada, estão na reta final. Foi o que previu ontem o líder do PDT na Câmara dos Deputados, Severiano Alves (BA). ?Acredito que temos elementos para encerrar os trabalhos em setembro?, disse o deputado. Nas contas dele, pelo menos 20 parlamentares serão cassados, todos da base aliada do governo Lula. ?Não acredito que PSDB e PFL estejam envolvidos. Fatos passados não influem?, disse Alves, garantindo que deputados alagoanos não foram citados no suposto esquema nem correm o risco de ser cassados. PSDB e PFL são lembrados nos trabalhos da CPI como tendo participado ou recebido dinheiro de um suposto esquema coordenado pelo publicitário Marcos Valério, que comandaria um suposto esquema de ?mensalão?. Apontando o depoimento do deputado federal José Dirceu (PT), que também é citado no suposto esquema do ?mensalão?, terça-feira, na Comissão de Ética da Cãmara, o líder do PDT confessou: ?A gente só vai pegar o Dirceu nas laterais?, apontou, lembrando do deputado federal Roberto Jefferson (PTB), que revelou o suposto ?mensalão?. ?O Roberto, por mais cínico que seja, eu acredito mais nele que no Dirceu?. No depoimento, o primeiro em que Dirceu encontrou Jefferson, o petista negou as acusações de ?mensalão? Sobre o envolvimento do presidente Lula no esquema, foi taxativo: ?Ou ele sabia tudo e não tomou providência e quer se fazer de inocente ou ele foi o grande responsável e demonstrou que não estava governando o Brasil. A prova concreta vai chegar?, afirmou o deputado. ?Acho que vamos avançar mais. Três coisas poderiam encerrar e levar o presidente ao impeachment: primeiro, o enquadramento legal, ele foi omisso. A outra questão é que não se pode negar corrupção no governo. O Lula pode não ser corrupto, mas está provado que o governo é. O terceiro ponto é que se a maioria da sociedade brasileira optasse pelo impeachment ele não teria salvação. Os partidos não pediram ainda temendo uma reação da opinião pública?. Articulações Ultimamente, o PDT conseguiu reunir partidos descontentes no campo nacional com o presidente Lula e que, de uma forma ou de outra, integraram o governo. É o caso do P-Sol, liderado pela senadora Heloísa Helena, expulsa do PT em 2003. PCB, PPS e PSTU também estão na lista dos que tentam formar uma frente esquerdista contra a corrupção, mas, na corrida para a Presidência da República, estão em campos bem distantes. Balizados pelas pesquisas de opinião que favorecem o presidente, estes partidos não falam em impeachment. |OR

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