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Alagoas d� adeus a Jos� Apr�gio Vilela

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BLEINE OLIVEIRA Repórter Consternação, emoção e a tristeza do aboio ? o canto dos boiadeiros ? marcaram o sepultamento, ontem, no Campo Santo Parque das Flores, em Maceió, do empresário José Aprígio Brandão Vilela. Umas das maiores lideranças empresariais de Alagoas, José Aprígio morreu na tarde do domingo, dia 7, aos 55 anos de idade, no Hospital Sírio e Libanês, em São Paulo, em conseqüência de um câncer considerado agressivo e raro pela medicina. A doença foi diagnosticada há três anos, num hospital dos Estados Unidos. Apesar do histórico familiar ? o pai e a mãe de Aprígio morreram com a mesma doença ?, o empresário só descobriu o câncer em 2002 quando, participando de uma maratona no Rio de Janeiro, sentiu uma dor (pressão) no olho esquerdo. O diagnóstico definitivo foi dado por oncologistas do Memorial Hospital, em Nova York. Informado de que sofria de câncer na glândula lacrimal, o empresário iniciou uma batalha contra a doença. Seu esforço e otimismo foram, segundo o oncologista alagoano Marcos Davi de Melo, decisivos para que ele conseguisse superar o diagnóstico inicial. ?Nos Estados Unidos, os médicos lhe deram três meses de vida. Ele foi muito mais longe? ? disse o médico. Centenas de pessoas das mais variadas classes sociais acompanharam o velório e o sepultamento. No cemitério, trabalhadores, políticos e industriais do setor sucroalcooleiro, o mais importante segmento da economia alagoana, se misturaram para a cerimônia de despedida. Liderança A diversidade socioeconômica dos que acompanharam a cerimônia confirma a característica mais destacada por familiares e amigos de José Aprígio Vilela: o espírito conciliador. Junto a isso, todos citaram qualidades como inteligência, capacidade empresarial, liderança e senso de justiça. ### Líder empresarial, solidário e folião Inúmeras coroas de flores, principalmente rosas vermelhas e brancas, chegaram ao cemitério na homenagem de amigos e familiares. A música ?Amigo?, cantada pelo alagoano Didha Lyra, e as toadas de cantores de Viçosa, onde o empresário nasceu e onde estão algumas de suas empresas, fizeram aumentar o sentimento de perda. Na despedida, amigos e parentes lembravam que Aprígio sempre foi precoce. E citavam fatos como ele ter andado de cavalo sozinho aos três anos, ter dirigido automóvel aos 10 anos e assumido a administração da Usina Boa Sorte, de propriedade da família, aos 17 anos. E agora deixava a todos, também precocemente. Um dos amigos mais próximos, o economista Josafá Soares, acompanhou de perto a luta do empresário para vencer a doença. Ele definiu José Aprígio Brandão Vilela como ?poderoso chefão do Bem?, e disse que as diferentes pessoas que ali estavam para homenageá-lo mostravam o quanto sua vida foi moldada em princípios de respeito e solidariedade. ?Ele não aceitou a doença como se fosse uma sentença de morte, mas uma batalha a ser enfrentada? ? relatou Josafá, referindo-se aos três anos em que o empresário lutou contra o câncer. Otimista, José Aprígio manteve a rotina profissional e o estilo de vida. ?Era impressionante a sua coragem. Ele nunca reclamou ou se lamentou? ? revelou o amigo. Saudade Um empresário competente, um empreendedor com visão de futuro, mas sobretudo um homem solidário e preocupado com o desenvolvimento e a justiça social. Todos esses adjetivos foram usados por pessoas que foram ao sepultamento do empresário José Aprígio. Políticos como o governador Ronaldo Lessa, o presidente do Senado, Renan Calheiros, Albano Franco, senador sergipano, deputados federais, como João Lyra, Givaldo Carimbão e Rogério Teófilo, estaduais, prefeitos, entre estes Cícero Almeida, de Maceió, empresários como Fernando Toledo, Ricardo Sampaio, José Carlos Lyra de Andrade, este presidente da Federação das Indústrias de Alagoas, Emérson e João Tenório, e outros acompanharam a cerimônia. Todos foram abraçar a família, formada pelos irmãos, o senador Teotonio Vilela Filho, Rosana (Zana), Maria Helena, Janice, Fernanda e Elias, pela esposa Themis e pelos quatro filhos do casal. ?Zé Aprígio nos deixa um legado de honradez e liderança. O tempo vai mostrar como é imensa essa perda? ? disse o governador, que chegou acompanhado do vice, Luiz Abílio. Lessa decretou luto oficial de três dias em Alagoas. Emocionados, todos fizeram referências respeitosas e de reconhecimento ao papel social e econômico do empresário morto. A Casa de Passagem Lenita Vilela, que abriga famílias carentes que vêm do interior de Alagoas enfrentar tratamento contra o câncer na Santa Casa, é uma das citações feitas para destacar o espírito solidário de José Aprígio. Lembrado pelo oncologista Marcos Davi como folião do bloco carnavalesco Pinto da Madrugada, José Aprígio foi apontado ainda como um homem de hábitos simples, capaz de se divertir entre os amigos da classe social privilegiada a que pertencia, tanto quanto junto aos trabalhadores de suas empresas nas festas de São João ou comendo buchada. |BL ### José Aprígio com filhos, irmãs e o cunhado João Tenório, em abril, no Credicard Hall (SP), onde recebeu prêmio empresarial

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