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Lessa � prepotente e vaidoso, diz juiz

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| LUIZA BARREIROS Repórter O juiz da 1º Zona Eleitoral, Celyrio Adamastor Tenório Accioly, solicitou à Corregedoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) o arquivamento do procedimento apuratório instaurado contra ele para apurar suposto desvio ético-profissional. O procedimento foi instaurado depois que Adamastor e o também juiz eleitoral James Magalhães de Medeiros foram chamados de ?corruptos? e ?incompetentes? pelo governador Ronaldo Lessa (PDT). Lessa ainda taxou os magistrados de ?juiz de meia-tigela?, insinuando serem recebedores do ?mensalão?. No documento, no qual o juiz fez sua própria defesa perante à Corregedoria, Adamastor Accioly acusou o governador de ter agido de forma ?prepotente? e de agir ?com vaidade exarcebada? aos fazer as acusações contra os magistrados. ?Com efeito, provado está que o senhor Ronaldo Augusto Lessa Santos, governador do Estado, de forma prepotente e de vaidade exarcebada, abdicando da formação ética que o cargo impõe, impingiu à Justiça Eleitoral, na pessoa deste magistrado, denúncias que não se sustentaram, numa vã tentativa de anular ou modificar a decisão judicial fora da esfera competente?, argumentou o juiz. Ele se referiu ao fato de o governador não ter apresentado, dentro do prazo dado de vinte dias dado a ele pela Corregedoria do TRE, provas das acusações feitas aos magistrados. ?As assertivas do sr. Ronaldo Lessa, a toda evidência, são desprovidas de qualquer veracidade; tanto assim é verdade que, instado pela Corregedoria a apresentar provas, não o fez. Com tal conduta, o governador deixa caracterizada, de forma solar, ofensa à integridade moral deste subscritor, ato que denigre a sua honra como magistrado e cidadão?, disse. Corintho No documento enviado ao corregedor do TRE, desembargador Humberto Eustáquio Soares Martins, o juiz Adamastor Accioly lembrou que em dezembro do ano passado, durante o plantão, recebeu para despacho uma Ação de Impugnação de Mandato Eletivo proposta pelo PSDC, PTB e outros partidos, pedindo a cassação do diploma do vereador eleito Paulo Corintho Martins da Paz. ?Exercendo este mister, sobretudo com imparcialidade, valor básico do juiz, concedi liminar à tutela requestrada, suspendendo provisoriamente os efeitos do diploma outorgado pela Justiça Eleitoral?, disse. Posteriormente, no final de junho, a decisão foi mantida pelo juiz James Magalhães de Medeiros, titular da 3ª Zona Eleitoral, também atacado verbalmente pelo governador. Politicamente ligado a Lessa, Corintho foi cassado pela Justiça Eleitoral sob acusação de compra de votos. Após a publicação da sentença do juiz James Magalhães ? junto com outra sentença que declarava a inelegibilidade do governador e do ex-vice-prefeito Alberto Sextafeira pelo período de três anos ?, Lessa reagiu publicamente contra os dois juízes eleitorais. Em represália às decisões, o governador nomeou o vereador cassado Paulo Corintho para ocupar a Secretaria de Esportes e Lazer do Estado. Foi no dia da posse de Paulo Corintho, no Palácio dos Martírios, que Lessa discursou fazendo acusações aos dois juízes. Para o juiz Adamastor Accioly, as adjetivações utilizadas pelo governador, ?assacadas de forma aleatória e injustificada? tiveram a intenção de imputar fatos graves à sua pessoa. ?É inadmissível que um chefe do Poder Executivo, não resignado com duas decisões contrárias a seus anseios políticos, venha em solenidades agredir verbalmente membros do Judiciário alagoano, sobretudo atacando-os em sua honra?, disse. O corregedor Humberto Martins decidirá nos próximos dias se arquiva ou não o procedimento. A expectativa é de que haja o arquivameto, já que Ronaldo Lessa não provou as acusações feitas aos dois magistrados. Se os juízes forem inocentados, poderão processar criminalmente e civilmente o governador por injúria, difamação e calúnia e por danos morais.

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