Política
Cavalcante n�o quer mais voltar para AL
| LUIZA BARREIROS Repórter Faltando apenas três dias para findar o prazo para que o ex-tenente-coronel PM Manoel Francisco Cavalcante deixe o Presídio Aníbal Bruno, em Pernambuco, uma surpresa: agora é ele que não quer mais voltar para Alagoas. Segundo o juiz da 1ª Vara de Execuções Penais de Pernambuco, Adeildo Nunes, um advogado constituído por Cavalcante deu entrada num requerimento solicitando a permanência do cliente no Recife, sob a alegação de que o ex-líder da gangue fardada estaria sujeito a ameaças se for mantido em um presídio de Alagoas. Além disso, permanecer no Recife seria bom para Cavalcante, por estar mais próximo da família, sendo possível cumprir todas as exigências da Justiça alagoana. Mesmo já tendo sido condenado a mais de 19 anos de prisão, Cavalcante ainda é réu em outros sete processos que tramitam em varas da Justiça de Alagoas. O advogado Cláudio Vieira ? contratado em janeiro pela família do ex-oficial para tratar do seu retorno a Alagoas ? disse na noite de ontem que não foi ele o autor do requerimento. Ele disse acreditar que um novo advogado tenha requerido. Parecer favorável O juiz Adeildo Nunes informou ontem que enviou um ofício, via fax, ao juiz da Vara de Execuções Penais de Maceió, Jamil Amil de Holanda Ferreira, para saber se ele aceita ou não que o preso de Alagoas permaneça no Recife. O Ministério Público de Pernambuco já havia, inclusive, se posicionado favoravelmente à permanência de Cavalcante no Estado. O juiz disse, também, que sua decisão depende de parecer da Direção do Presídio Aníbal Bruno, que até a próxima quinta-feira terá de dizer se tem ou não condições de manter o preso no local. No final da tarde de ontem, no entanto, a Gazeta obteve a informação extra-oficial de que a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco não teria aceito a permanência do preso alagoano no seu sistema prisional e que a negativa já teria sido comunicada ao juiz Jamil Amil, pelo próprio juiz Adeildo Nunes. A informação não foi confirmada pela Secretaria de Ressocilização de Pernambuco, que deve se pronunciar hoje. Histórico Depois de cumprir sete anos no Presídio Baldomero Cavalcanti, o ex-oficial deixou Alagoas em 25 de janeiro, após o Tribunal de Justiça ouvir o depoimento de um colega de cela do preso, afirmando que mesmo recluso ele comandaria o crime organizado. Além de ter mandado executar uma testemunha, ele estaria tramando matar dois juízes ? Marcelo Tadeu e Hélder Loureiro ? responsáveis por sua condenação. O ex-oficial passou 148 dias em São Paulo, mas nenhum outro Estado aceitou recebê-lo em definitivo ? apenas Pernambuco, mas só por 45 dias.