Política
Morre outro preso da rebeli�o de junho
| PETRÔNIO VIANA Repórter O presidiário Fernando Gomes Marinho, internado no centro de Neurocirurgia do Hospital Universitário desde o dia 11 de junho, veio a falecer na última quarta-feira. Gomes deu entrada no Hospital com ferimento à bala na cabeça. Com a morte de Fernando Gomes, sobe para três o número de vítimas fatais da rebelião no Presídio do Rubens Quintella, antigo São Leonardo. O detento não foi operado de imediato, ficando em observação. O médico que acompanhou o caso de Fernando Gomes, o neurologista Ricardo Camelo, não quis comentar os detalhes do quadro clínico de seu paciente, alegando a necessidade de uma autorização por parte da diretoria do Hospital Universitário. Maus-tratos No dia 4 de junho, segundo depoimentos de vários presidiários, os agentes penitenciários do complexo de detenção, principalmente membros do Grupo de Ações Penitenciárias (GAP), teriam espancado, humilhado e raspado a cabeça de cerca de 20 presos, com a intenção de ?mostrar quem manda no lugar?. Os espancamentos e humilhações, somados à falta de água no complexo prisional durante cinco dias, à descoberta de um túnel que seria utilizado em uma fuga e à proibição do pernoite das esposas dos presos no período junino, motivaram a deflagração da rebelião do dia 11 de junho. Aproximadamente 60 detentos participaram da revolta, que durou cerca de 6 horas e só foi contida com a chegada do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope). Sem reféns No confronto com a PM e os agentes penitenciários, dois detentos foram mortos e 14 saíram feridos. Todos foram atingidos por tiros disparados pelos policiais e agentes, que não sofreram ferimentos por parte dos detentos. Ninguém foi feito refém pelos presos. As denúncias de maus-tratos e a revolta dos presos causaram a exoneração do chefe de disciplina do Presídio Rubens Quintella, José Cristóvão Ferreira da Silva. Foram abertas duas comissões de sindicância interna dentro da unidade prisional e um inquérito policial para apurar o caso. A primeira comissão de sindicância interna está investigando os fatos ocorridos no dia 4 de junho, quando supostamente os presos teriam sido agredidos e humilhados. A segunda vai apurar os acontecimentos do dia 11 de junho, dia da rebelião. ### Inquérito está parado: falta a perícia do IC O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos está acompanhando as investigações sobre a violência na repressão à rebelião de 11 de junho no Presídio Rubens Quintella. Segundo o presidente do conselho, advogado Everaldo Patriota, ele vai se pronunciar quando os resultados começarem a aparecer. De acordo com Patriota, as investigações vêm sendo prejudicadas e o inquérito está parado. ?A primeira comissão de sindicância interna foi destituída e outra foi formada em seu lugar. O inquérito está parado, esperando as perícias do Instituto de Criminalística?, informou Patriota. O advogado disse que, na próxima segunda-feria, uma reunião na unidade prisional vai reativar as comissões. O Conselho Estadual de Direitos Humanos, na época dos acontecimentos, declarou que iria elaborar um relatório sobre as condições do Presídio Rubens Quintella, o que acabou não acontecendo. ?O Conselho não teria fôlego nem pessoal para investigar as denúncias e elaborar o relatório. Se o Conselho não concordar com as conclusões da sindicância, vamos fazer o relatório?, explicou Patriota. |PV ### Promessa: relatório sai semana que vem O superintendente de Administração Penitenciária e presidente da comissão de sindicância que apura os acontecimentos da revolta do dia 11 de junho, José Fernandes do Nascimento Oliveira, nega que as investigações estejam paralisadas. ?A sindicância está praticamente concluída. Até o fim da semana que vem, devemos encaminhar o relatório final para o secretário de Ressocialização Walter Gama?, declarou o superintendente. Oliveira preferiu não revelar quantos agentes penitenciários foram alvo das investigações. Ele informou que as armas utilizadas por eles no dia da rebelião foram enviadas ao Instituto de Criminalística (IC) para serem periciadas mas, até o momento, o relatório das perícias ainda não foi entregue à comissão. ?Não sei se o delegado recebeu esses relatórios, mas a comissão de sindicância ainda não recebeu. Eu sei que o IC tem um volume grande de trabalho, mas amanhã [hoje] vou fazer uma consulta para saber quando os relatórios poderão chegar?, alegou. O delegado que preside o inquérito policial sobre o caso, Denisson Albuquerque, encontra-se desde a semana passada no Rio de Janeiro. Por telefone, o delegado informou que deverá retornar ao Estado na próxima segunda-feira, quando poderá obter mais informações sobre o andamento do caso. Durante sua ausência, o delegado foi transferido da Delegacia Especializada em Investigação e Captura (Deic), que funciona no CIAPC III, para o 10º Distrito da Capital. ?Não sei como vai ficar agora, se vou continuar com o inquérito ou não. Minha exoneração saiu enquanto eu estou ausente?, estranhou o delegado. De acordo com o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, advogado Everaldo Patriota, o secretário de Defesa Social do Estado, Robervaldo Davino, garantiu que Denisson Albuquerque vai continuar à frente das investigações sobre a rebelião no Presídio Rubens Quintella. O secretário estadual de Ressocialização, Walter Gama, não foi localizado, na tarde de ontem, para comentar o andamento das investigações. |PV